O Golpe segue. A esquerda amarelou e foi cuidar das Eleições!

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Eu e Haddad estamos prontos para vencer eleição em qualquer ...
A história não é um ônibus circular em que o passageiro, ao perder a condução, aguenta um pouco de frio e chuva, e embarca na próxima volta do coletivo. Nada impede que a presente agonia dos trabalhadores, dos assalariados e da população brasileira tenha chegado para ficar, em uma triste história sem fim. Michel Temer e Jair Bolsonaro são apenas atores circunstanciais do programa de desventramento em curso do país, que conhece saltos de qualidade desde os sucessos de 2016. Apenas os inocentes, assustados e mal-intencionados propõem golpes ou fascismo à espera, na esquina.

O golpe já ocorreu, se instalou e não cessa de se espraiar. Em 2016, o monstro, tratado há muito como convidado ilustre, forçou a porta, semiaberta, e se aboletou no sofá da sala, adonando-se do controle da televisão. Trazia um bode fedorento, trocado em 2018, que será substituído, espera-se, em 2022. A malhação periódica de um Judas desgastado pelo uso e a entronização esperançosa de outro, de pelo diferente e mesma catinga, é fundamental na gestão dos oprimidos, pela democracia representativa burguesa.

Golpismo permanente

A sucessão de presidentes golpistas constitui fluxo superficial do caudaloso movimento que, nas profundidades da sociedade brasileira, cava leitos pedregosos e permanentes. E esse movimento avassalador se constrói com vocação à perenidade. Ele arrasou e segue arrasando o pouco que restava de capital monopólico privado e público do país, privatiza os bens públicos -bancos, estatais, portos, aeroportos, represas etc.- tudo em favor do voraz imperialismo estadunidense, senhor do Brasil novo, monturo do capital internacional.

Milhares de populares iraquianos, sírios, líbios etc. morreram defendendo a independência e as riquezas nacionais. No Brasil, políticos e parlamentares entregaram jazidas de minério e depósitos petrolíferos por alguns trocados sem resistência efetiva dos partidos ditos de oposição, das confederações, dos sindicatos etc. Destruição do país supervisionada pelos senhores generais, que, bem pagos, alimentam com a população e com a nação a fome pantagruélica do capital e do imperialismo yankee, que não deve ser confundido com Trump, seu atual administrador. A destruição geral da nação brasileira foi organizada pelo politicamente correto black Barack Hussein Obama. É delírio sonhar com refresco, se ganhar o democrata Biden, em novembro deste ano!

Os presidentes golpistas passam e segue o arrasamento geral. A aniquilação da limitada legislação trabalhista, associada ao desemprego imposto pelo golpismo, à crise econômica geral e ao Covid-19, impõem a precarização, a terceirização, o desemprego e o subemprego etc., reduzindo a remuneração do trabalho abaixo do mínimo para sobrevivência digna. Os desempregados já superam os empregados, instaurando-se no país espécie de escravidão assalariada. Política que os empresários nacionais festejam efusivamente, mesmo quando tropeçam e caem golpeados pela nova ordem.

Nova Ordem

Em junho de 2016, no Brasil, ingressamos em um novo mundo e em uma nova era. Não se trata mais de impor ditadura exposta aos olhos de todos, sob as ordens de militares, obedecendo facções do capital nacional ou mundial. Um regime castrense puro pode sempre incorrer em desvios desenvolvimentistas ou outros, indesejáveis ao imperialismo e ao grande capital. Trata-se agora de empreender a reconstrução das instituições e da estrutura da propriedade para que a nação seja regida através de decisões econômicas essenciais já fora da alçada nacional. Rebaixam-se as instituições políticas de tal forma que as eleições e os órgãos administrativos interfiram marginalmente na condução da nação pelo grande capital.

Trata-se de um retorno aos idos coloniais, em tempos de globalização, com a transição do país do status semicolonial a neocolonial globalizado. Processo em acelerada implantação através de legislação aprovada pelo Parlamento, sob o silêncio e mesmo com o apoio de boa parte da oposição. O Brasil participa na divisão mundial do trabalho como produtor de manufaturados de baixo valor agregado e exportador de minérios, petróleo, proteína animal e grãos, sob o controle do capital mundial. Um anexo do grande capital imperialista, sobretudo estadunidense.

É anacronismo propor uma ordem ditatorial aberta, na vigência de Parlamento e de Justiça elitistas, antipopulares e antinacionais, representantes de interesses pessoais, corporativos etc.; de legislação que garanta a “segurança jurídica” da apropriação das mais diversas esferas do país pelo grande capital, no relativo à produção, aos serviços etc.; da criminalização e penalização financeira da oposição; do enquadramento da liberdade de expressão pela legislação judiciária e monopolização dos grandes meios tradicionais - jornais, rádio, televisão etc. – e emergentes - WhatsApp, Facebook etc.

Não há possibilidade de golpe bolsonariano

Por essas e outras razões, não há possibilidade de golpe bolsonarista. Os membros do alto comando militar se consideram príncipes fardados predestinados a proteger uma versão elitista da nação, de povo que consideram minorado, formado por índios, pardos, negros, pobres e malandros. Praticam hierarquização rigorosa, segundo seus padrões. Uma distinção quando da formação na Academia Militar das Agulhas Negras constitui empurrão para um oficial se alçar ao status de príncipe entre os príncipes – general de quatro estrelas da ativa. Essa aristocracia castrense jamais se submeterá por prazo indefinido a um tenente mentecapto, reformado como capitão.

Bolsonaro encontra-se debilitado, perdeu seu ex-partido (PSL) e foi incapaz de fundar um outro – após sete meses, obteve apenas três por cento das assinaturas necessárias. As fantasmagóricas hordas bolsonarianas sumiram sem mostrar a cara. Seu atual apoio popular é passivo e residual, devendo-se sobretudo à falta de oposição e aos abonos multitudinários pelo Covid-19. A simpatia de milicianos e policiais militares permitiria, ao máximo, agitação localizada, rapidamente reprimida pelo exército, cioso do monopólio militar que possui desde 1937. Os empresários evangélicos estão ocupados com a queda dos dízimos, sem as sessões presenciais de escorcho. Boa parte do apoio a Bolsonaro provém do núcleo direitista permanente, transferível para qualquer outro direitista ocupando o cargo.

Como proposto, o grande capital e o imperialismo se mobilizam contra o controle direto do Estado por poder cesarista, eventualmente permeáveis a projetos nacionalistas ou outros, de esquerda e de centro, do tipo Velasco Alvarado, Peru, (1968-75), Hugo Chávez, Venezuela (1999-2013), hoje quase impossíveis. Ou mesmo de direita, como o “golpe no golpe, em 1967”, no Brasil. A grande imprensa liberal e o capital fizeram cara feia para a proposta castrense de um desmilinguido “Plano Pró-Brasil”! E, sobretudo, o que um regime militar faria, que não está sendo feito, sob o silêncio ou com o apoio da oposição, em plena vigência da democracia e da Constituição “flexibilizadas”?

Golpe e Colaboracionismo

Não há paradoxo na instalação do golpe, em maio-agosto de 2016, sem oposição real da oposição parlamentar e de grande parte dos grupos que se reivindicam do socialismo e do marxismo. O governo Dilma Rousseff, o PT e movimentos satélites aceitaram o pretenso respeito à Constituição do golpismo, combatendo-o com tentativas de acordos espúrios no Parlamento. Às portas do impeachment, Dilma Rousseff seguia despejando baldes de maldades sobre os trabalhadores, na esperança de reconquistar as boas graças das facções do grande capital que se mobilizava contra seu governo. O PT e a CUT jamais chamaram os trabalhadores e a população a descerem às ruas contra o golpismo.

Parte da esquerda que se diz revolucionária fez pior. O PSTU apoiou - por negativa – o golpe, propondo que ele não existia, ao igual que grupos do PSOL, como o MES, de Luciana Genro, e a CST, de Babá. A direção do PSOL manteve-se no geral impassível, esperando crescer com a crise do PT. O PCB negou-se ir à rua, dizendo que o governo era colaboracionista, esquecendo-se que o golpe era contra os trabalhadores e o país, não contra a Dilma e o PT.

Na oposição incondicional ao golpe, talvez apenas o pequenino PCO, o MST, populares e militantes esparsos, por iniciativa própria.

No primeiro governo golpista, no início do ataque às leis trabalhistas, à Previdência e ao ensino universitário público, com a população afluindo numerosa às ruas, e com o sucesso da greve geral, de 28 de abril de 2017, Lula da Silva gritou, em 26 de agosto do mesmo ano, em Salinas, Minas Gerais, “Fica Temer”, e mandou a militância sair das ruas e se preocupar com as eleições de 2018. A patuleia desenxabida foi para casa e as eleições farsescas entronizaram, como inscrito estava nas estrelas, o segundo governo golpista.

Imediatamente, Haddad e Boulos, ajoelhados, reconheceram a legalidade da eleição ilegal. PT e PSOL regozijavam-se com os bons resultados eleitorais, enquanto a população afundava na miséria, desorientação, angústia.

Em 7 de abril de 2018, meses antes das eleições, quando os trabalhadores acorriam numerosos para defender Lula da Silva, no sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo, na iminência de ser preso, o ex-sindicalista se entregou aos esbirros federais, dizendo acreditar na justiça brasileira – isto é, golpista. Em 8 de novembro de 2019, quando foi libertado, em Curitiba, com a permissão dos senhores generais, após quase quinhentos dias de prisão, gritou alto, “Fica Bolsonaro”, mandando outra vez a população preocupar-se com as eleições de 2020 e 2022.

Descalabro Governamental

Em 1° de janeiro de 2019, empossado o Ogro, a chamada oposição, com as exceções de sempre, denunciou histérica o perigo fascista que espreitaria na esquina. Primeiro, se propôs a “deixar a poeira baixar”. A seguir, estreitar as mãos, à espera das hordas fascistas que dizimariam esquerdistas, homossexuais, negros, índios. Sobretudo, se propôs a necessidade de Frente Antifascista ou de Salvação Nacional, não contra o golpe, mas apenas contra Bolsonaro e o pretendido fascismo em instalação. Para muitos, o golpe já era página do passado, superada pelas “eleições livres” de 2018, sucesso de importância menor, como proposto por Fernando Haddad, em 10 de agosto de 2016, ao defender que “Golpe é uma palavra um pouco dura, que lembra a ditadura militar”, para tratar a recente deposição da presidenta. Desde então, o mesmo Haddad tudo faz para não verbalizar aquela palavra.

A “Frente Antifascista contra Bolsonaro” devia ser tão ampla que abraçasse todos os quiméricos “golpistas democráticos” e “generais racionais”, muito falados, mas jamais vistos. A reivindicação única era que o Ogro se “comportasse”, respeitando a vestal democracia ameaçada, que já virara bordel do grande capital. E, assim, se pudesse seguir tranquilamente em direção das eleições de 2020 e 2022. Para se reeleger vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores, que seguiriam jogando para a torcida, vestindo a camiseta de MDB na nova ordem liberal-autoritária globalizada.

A proposta da grande “Frente Antifascista” ou “Ampla” abraçava o princípio de que o que fora perdido, perdido estava. Como no caso das privatizações e reformas de Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso, esquecidas pelas administrações presidenciais petistas seguintes. Nada de “Fora Bolsonaro”, de “abaixo o golpismo”, de “generais para os quartéis”, de “eleições diretas”, de “devolução dos direitos e do que se perdera” etc. E, sobretudo, a população devia ficar em casa, para não afugentar os conservadores e golpistas ditos antifascistas a serem seduzidos. Nunca é demais repetir – a salvação viria com as eleições de 2020 e 2022. A população ficou em casa, cada vez mais desacorçoada, e o golpismo prosseguiu sua metamorfose da sociedade e das instituições brasileiras.

O Covid-19 foi uma sinistra mão na roda

A pandemia que se instalou no Brasil a partir de fim de fevereiro de 2020 consolidou o programa colaboracionista da oposição faz-de-conta. Com o Covid-19, havia agora razões palpáveis para que as ruas fossem abandonadas. Desde esse momento, o importante era “salvar vidas”, com todos enfurnados em casa, como propunham até mesmo organizações na esquerda que se reivindicam da revolução. As formas de luta seriam os “abaixo assinados”, as “lives”, os “atos virtuais”, os “panelaços”, os “conchavos políticos”. Foram execradas as propostas de que os jovens saudáveis descessem às ruas, numerosos, com máscaras de proteção, para enfrentar os pequenos magotes bolsonaristas que as dominavam, devido à total liberdade de ação que gozavam. O importante eram as eleições de outubro de 2020.

Em 25 de março de 2020, construindo a “Frente Antifascista” ou “Ampla”, exclusivamente antibolsonarista, PT, PSOL, PCdoB, PCB e Rede anunciaram, em “Nota dos partidos de oposição sobre o pronunciamento de Jair Bolsonaro”, apoio às ações de “todas as instituições públicas, empresas, gestores estaduais e municipais, entidades de classe e organizações da sociedade civil, lideranças religiosas”, “prefeitos e governadores” que agiriam corajosamente contra o coronavírus, ao contrário do Mensageiro da Morte. A declaração defendia igualmente “ampla convergência contra a insensatez de Bolsonaro” e “união em defesa da vida dos brasileiros e da democracia”.

O problema não era a política do governo federal, dos generais, do grande capital, do imperialismo, mas a falta de equilíbrio pessoal do Analfabeto Funcional. Governadores como Dória e Witzel, que pouco faziam e muito encenavam, foram apresentados como administradores responsáveis, racionais, humanitários. Em 2 de abril, Lula da Silva elogiou o golpista João Dória pela sua ação anti-Covid-19, que devolveu a gentileza. Mas esse contubérnio foi pouco, diante do que se preparava.

Na sexta-feira, 1º de maio de 2020, participaram de comício virtual, FHC, o “exterminador do futuro”; Rodrigo Maia; Marina Silva; Eduardo Leite, o “matador de professores do RS”, junto com Lula da Silva, Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad, Flávio Dino, Manuela D´Avila. Boulos abandonou o bonde, na última parada, sob o protesto geral pela confraternização com a direita golpista. O ato, de quase nula repercussão, servia sobretudo para “amansar a população”. Ou seja, dava outro passo em direção da construção de “Frente Ampla”, propondo a normalização política do golpismo, com acomodação e mesmo apoio às transformações estruturais que impulsiona.

Fora Bolsonaro, Fica Mourão

O negacionismo de Bolsonaro, de seus ministros, do alto comando das forças armadas, sob a pressão empresarial, agudizou ao extremo as contradições sociais, políticas e sanitárias, mesmo no contexto da inação geral da dita oposição. A proposta da luta pelo fim do governo Bolsonaro e do golpismo ganhou força e jovens começaram a combater nas ruas os pequenos magotes de bolsonaristas. Em 21 de maio, a totalidade dos partidos que se reivindicam de esquerda entregou ao morfético Rodrigo Maia mais um pedido de impeachment de Jair Bolsonaro – PT, PCdoB, PSOL, PCB, PCO, PSTU, UP, além de dezenas de organizações associadas. No grupo, não havia sequer um dos “golpistas democráticos”.

No sentido do programa de “Frente Ampla”, o pedido trazia imbricada a proposta de destituição do presidente e sua substituição pelo vice-presidente general Mourão. Proposta já verbalizada por oposicionistas, como Flávio Dino do PC do B, em 2 de abril de 2020. Ou seja, uma literal legalização da ordem golpista e de suas práticas passadas, presentes e futuras, em troca da substituição de golpista desequilibrado por um político fino, inteligente, maneiroso. Mourão aceita a homossexualidade masculina, não é contra o aborto etc., mas está comprometido até a medula dos ossos com a submissão total do nosso país ao grande capital internacional. Sem mobilizações multitudinárias, mesmo legalizando o golpe, o impeachment era simples proposta retórica, parte das firulas de oposição que jogava e joga apenas para a torcida, já que não há possibilidade de ela ser apresentada ao Parlamento e muito menos de ser aprovada. Tudo para garantir eleições tranquilas em 2020 e 2022.

Em 27 de maio, os partidos e movimentos signatários do pedido de impeachment – o PSTU pulou fora –, em plenária virtual de mais de trezentos participantes, marcaram para o dia 13 de junho, sábado, uma manifestação nacional... virtual, com todos em casa gritando diante dos computadores, à espera das eleições de 2020. Proposta que expressava a constituição social do grosso da militância organizada e desorganizada de esquerda, formada sobretudo por facções das classes médias assalariadas, em geral capazes de se manterem em quarentena. Enorme parte do povo trabalhador jamais saíra das ruas, indo para o trabalho ou correndo atrás dele.

Explosão Popular

Já nas semanas anteriores, em Porto Alegre, São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, núcleos auto-organizados de jovens começavam a descer corajosamente às ruas para pôr com sucesso fim às capengas carreatas e manifestações bolsonaristas. Entretanto, um fato internacional golpeou duramente a política de desmobilização da população de oposição colaboracionista. Em centenas de cidades dos EUA, milhares de pessoas marcharam por longos dias em protesto à morte, em 25 de maio, de George Floyd, cidadão negro imobilizado até o sufocamento por policiais em Minneapolis. Mobilizações que iniciaram, portanto, concomitantes à plenária abafa-movimento.

Na sexta-feira, 29 de maio, o manifesto “Estamos Juntos!” fortaleceu o movimento de rendição da população e dos trabalhadores à dita “burguesia democrática”. A declaração propunha a união suprapartidária da “esquerda, centro e direita”, todos “unidos” para “defender a lei, a ordem, a política” e tudo mais. Nem uma palavra sobre os direitos dos trabalhadores e da população e da nação e o fim do golpismo em consolidação. Assinavam embolados: FHC, Fernando Haddad, Boulos, Dino, Marcelo Freixo, entre tantos outros. Não assinaram Lula e Gleisi. A cor do manifesto era o amarelo, para se diferenciar em algo dos verde-amarelos bolsonaristas e totalmente do vermelho dos trabalhadores.

No dia 1° junho, segunda-feira, impulsionados pelas manifestações estadunidenses, milhares de manifestantes contra o racismo e o golpismo desfilaram pelo centro de Curitiba, Paraná, e, no dia seguinte, em menor número, em Manaus, um dos epicentros da pandemia no Brasil. Os manifestantes usavam máscaras e mantinham o afastamento individual regulamentar. Para não perder o ônibus em movimento e dirigi-lo, logo que possível, de volta para a garagem, o colaboracionismo ensaiou uma presença “engana-bobo” em manifestações de rua nos dia 7 e 13 de junho, sem apoiá-las nos fatos. Parlamentares e direções oposicionistas pronunciaram-se pela permanência em casa. Foi, porém, breve o surto oposicionista.

A Frente Ampla Consolida-se

Bolsonaro, ministros, generais, parlamentares etc. negacionistas e terraplanistas deixaram correr solta e impulsionaram a pandemia e a crise econômica. As contradições objetivas e subjetivas acirraram-se a um ponto de quase não retorno. Mesmo sem oposição, o apoio ativo ao Ogro caiu ainda mais. Suas hordas esfumaram-se. Fortaleceu-se o cerco ao filho Flavinho, senhor das “rachadinhas”; os pedidos de impeachment se acumularam no colo de Rodrigo Maia, seu desafeto. O Congresso e o Senado, por conta própria, seguiam implementando o golpismo, de costas para ele.

Bolsonaro incompatibilizara-se com o Parlamento e o Senado; com os homens da Toga Preta; com os mais poderosos governadores; com o núcleo central da grande imprensa burguesa. Quebrou os pratos com Moro e seguiu desconfiando de Mourão. Transformou-se em figura tóxica para a própria direita internacional, o governo federal enxameou-se de fardados, igualmente incompetentes. Apertando a Justiça criminal e eleitoral o cerco a sua família, a ele e a seu mandato, para defender-se, Bolsonaro ensaiou ofensiva farsesca.

Bolsonaro participou e incentivou manifestações e declarações golpistas, com ataques ao STF, na Esplanada e na porta do Planalto. As postagens do “Gabinete do Ódio” multiplicaram-se. Fogueou, adulou e mobilizou as tropas que lhe restavam. Soltou as rédeas de seus jumentos mais agressivos: o Salomão, ministro da Educação; o Ernestinho, o menino que brinca com as Relações Exteriores do Brasil; os pimpolhos 01, 02, 03. Reafirmou fidelidade canina ao imperialismo estadunidense, com destaque ao veto à Huawei, no relativo ao G5, antes de abrir a oferta internacional.

Desesperado, abraçou os exóticos “Trezentos do Brasil”, espartanos da extrema-direita, acampados na Esplanada dos Ministérios, que pediam a ditadura militar e atacavam com gosto o STF, prometendo combater até a morte o comunismo. Na falta de um Leônidas tupiniquim, eles eram comandadas por uma histriônica, ex-feminista, com curso rápido de introdução ao fascismo na Ucrânia, de codinome Sara Winter. Seriam talvez trinta. Em 13 de junho, os trezentos, que sequer eram trinta, dispersaram-se ao primeiro grito da força pública e a Leônidas terminou, por alguns dias, no xilindró, sem qualquer rosnar de dentes bolsonarista no país.

Bolsonaro quase caindo

Bolsonaro bambaleando era golpeado pelo STF, que cerrava as filas avançando as investigações das “Fakes News” e das agressões aos seus ministros. Em 18 de junho, Fabrício Queiroz - o presumido braço direito das rachadinhas do Flavinho -, foi preso, em São Paulo, escondido na moradia do... Advogado da família do presidente da República. O Mito Desmaiado aguentava-se sustentado pelos senhores generais. Já comandando o governo e orientando as instituições do Estado, os fardados não queriam mostrar ainda mais a cara, sobretudo com a agora insatisfação crescente da população com a proliferação de castrenses dependurados no governo federal, que a grande imprensa começava a criticar. Crítica que alcança, agora, nível inusitado, com a crítica da chefia do Ministério da Saúde por um paraquedista (sem trocadilhos!).

Não podendo deixar o governo escorrer pelo ralo, atingindo a estabilidade do próprio golpe, os senhores generais falaram grosso, outra vez, esclarecendo quem manda no país. O movimento de força registrava, porém, igual fraqueza. Em 12 de junho, em Nota Oficial, Bolsonaro, o vice-presidente general Hamilton Mourão e o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, declararam, em forma quase explícita, que as forças armadas não aceitariam impeachment do presidente, pelo Congresso, ou a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão pelo Tribunal Superior Eleitoral. No mesmo dia, o ministro da Secretaria de Governo, o general Luiz Eduardo Ramos, recomendou à oposição “não esticar a corda”.

Não foi apenas por covardia que as altas instituições involucradas na declaração castrense e a oposição faz de conta responderam com apenas muxoxos. A declaração militar trazia imbricada a aceitação da proposta de Frente Única. Ou seja, a aceitação do golpe, pela oposição e do controle-recuo do Chupa-Cabras, enquadrado pelos generais. As eleições se realizariam, postergadas de um mês, em inícios de novembro. A proposta farsesca de “Fora Bolsonaro, Fica Mourão” foi engavetada e, alavancadas pelos atos colaboracionistas anteriores, facções políticas burguesas movimentaram-se para adonar-se da direção da Frente Ampla, que lhe era oferecida pela oposição.

O pacto de distensão registrava a consciência dos senhores generais que, devido à crise sanitária e econômica, seguiriam perdendo sustentação política, se deixassem o bolsonarismo livre, “esticando a corda”. A grande mídia, apoiando sempre o golpismo, aprofundava a oposição ao bolsonarismo e começava a fustigar diretamente os militares. O alto comando temia sobretudo que crise econômica e sanitária levasse o povo às ruas, como nos EUA, desde 25 de maio, contra o racismo e, agora, em outras partes do mundo – Sérvia, Israel, etc. -, diretamente contra a gestão da pandemia.

Minirreforma Ministerial

Em 17 de junho, seis dias após a declaração castrense “Fica Bolsonaro”, Fábio Farias, genro de Sílvio Santos, era empossado no novo Ministério das Comunicações, pedindo pacificação para combater o drama nacional do Covid-19 e defendendo a importância da liberdade de imprensa, diante do Ogro negacionista e janta-jornalista. No dia seguinte, 18, Abraham Weintraub, ministro terraplanista da Educação, anunciou sua demissão e, temendo ser preso, por ofensas ao STF, ao perder o foro privilegiado, escapuliu para os EUA, onde espera assumir uma boquinha de ouro, na direção do Banco Mundial.

No dia 25, Bolsonaro anunciou como novo ministro da educação o economista Carlos Decotelli da Silva, oficial retirado da Marinha, negro e, portanto, muito identitário, liberal extremado, mas cheio de dedos nas relações interpessoais e institucionais, repleto de diplomas... fajutos. Descoberta a maquiagem do currículo, foi demitido sem vacilação, não por ser negro, mas pelos tempos serem outros. Terminou empossado o pastor presbiteriano Milton Ribeiro, diretamente ligado ao ensino universitário privado, mas também longe do olavismo.

Bolsonaro resiste a depor Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e Ricardo Salles, do Meio Ambiente, questionados pelas repercussões econômica e diplomática de seus atos e declarações olavistas. Os ogrinhos se calaram, igualmente, ao ponto de balbuciarem a necessidade de pacificação. Carlinhos, o 03, assustado com a revelação pelo Facebook de seus perfis falsos, sugere pela mídia a possibilidade de mudar-se para os EUA. O guru astrólogo fechou-se como caramujo, sob o peso de dívidas judiciais pesadíssimas.

Bolsonarismo sem Bolsonaro

O olavismo recua, mostrando falta de autonomia estrutural, acrescida com a possibilidade de derrota eleitoral de Donald Trump, em novembro. Discute-se a possibilidade de constituição de partido-movimento de extrema-direita, com Abraham Weintraub, Ernesto Araújo, Sara Winter, os três porquinhos, Olavo de Carvalho etc. como lideranças alternativas a Bolsonaro. Algo de difícil execução, para além de um nível rastejante, sem apoio do grande capital.

Em editorial de 29 de junho, “Em trégua”, a Folha de São Paulo saudou o “novo pacto” e o comportamento civilizado de Bolsonaro, em um momento em que é necessário “um respiro para o país” para “superação de uma emergência sanitária e de uma recessão devastadora”. Seus articulistas elogiaram a “pacificação”, registrando, porém, o caráter instável do Besta em Domesticação. A preocupação da Folha é salvar o golpe de Bolsonaro e, até certo ponto, dos militares.

O STF já registrou também a sua nova boa vontade para com Bolsonaro Arrependido: mandou Queiroz para casa, com a mulher que se escondia; rejeitou investigação contra o general Heleno etc. Agora, a Rede Globo ensaia proposta de anistia ao PT. Um seu articulista, Ascânio Seleme, propõe que o PT, o “agrupamento político (PT), talvez o mais forte e sustentável da história partidária brasileira, tem que ser readmitido no debate nacional”. Defende que “o ódio ao PT não faz mais sentido” e que a reintegração já está atrasada.

A Oposição Amarelou

Em 26 de julho, pouco mais de um mês após o “Fica Bolsonaro” castrense, de 12 de junho, a esquerda parlamentar assinou o manifesto “Direitos Já!”. Nele, abraçava forte o acordão, que seguia se vestindo de amarelo. O manifesto sequer pedia a substituição de Bolsonaro por Mourão, programa vetado pelos militares e descartado pelo “Príncipe dos Sociólogos” e pelo presidente de seu partido, atrapalhado com a descoberta do “Tesourinho” de Serra e filha na Suíça. O manifesto propunha apenas a “defesa da democracia”, que já deixou de existir, com os militares bordando e costurando, e desejos diáfanos de melhorias sociais.

Políticos que se dizem da oposição, como Fernando Haddad, Guilherme Boulos, Eduardo Suplicy, Fernanda Melchionna, Jandira Feghali, Marcelo Freixo, Manuela D’Avilla, Flavio Dino, Tarso Genro (que propusera uma “Frente de Salvação Nacional” com Dória, Witzel), entre tantos outros, aceitaram arriar as mais tênues bandeiras antigolpistas e conceder atestado pleno de democracia e cidadania à verdadeira seleção de golpistas e serviçais do grande capital, com FHC e Alckmin à cabeça. José Sarney e Michel Temer recusaram o convite. O último acaba de confessar que tem aconselhado Bolsonaro, direta e indiretamente.

Entre os “novos democratas” estão os indefectíveis Francisco Weffort, Raul Jungmann, a banqueira Neca Setubal, Tasso Jereissati, Miro Teixeira, Reinaldo Azevedo, Roberto Freire, Eduardo Leite. Os eternos transformistas estavam todos ali, entre eles, Ciro Gomes, Cristóvão Buarque, Fernando Gabeira, Heloísa Helena, Marina Silva, Marta Suplicy, Randolfe Rodrigues, Tabata Amaral.

Novos Democratas

Em 1° de julho, em plena celebração geral da rendição da oposição que se quer estepe do golpismo, o ex-sindicalista, ex-presidente e ex-preso político Lula da Silva, quando de reunião do PT, gritou claro e alto que não subia naquele bonde! E coberto de razões, apontou que, no manifesto “não se fala(va)”, jamais, dos “direitos perdidos” e dos interesses da “classe trabalhadora”. Lula defendeu que o PT quer o “impeachment de Bolsonaro” para que o “país seja governado para os interesses dos trabalhadores brasileiros”. O que, na sua visão, subentende voltar a ser governado pelo PT. Opôs-se ao reconhecimento como democratas a alguns dos maiores inimigos dos trabalhadores e da população brasileira. Gleisi, Stédile e a esquerda petista seguiram o chefe. A declaração quebrou a unanimidade do assanhamento petista com a direita dita civilizada e passou rasteira histórica em Fernando Haddad, Flávio Dino e outros iguais.

Compreende-se a negativa de Lula da Silva de prosseguir no caminho que trilha, há décadas. O projeto atual de conciliação incondicional com a direita tem como um dos seus grandes objetivos enterrar de vez o PT, liquidando com o que sobra de sua herança e simbolismo passados, e com ele, o próprio Lula da Silva. A evolução em direção a um bipartidarismo, ao igual que nos EUA, é projeto político permanente do grande capital e do imperialismo para o Brasil, apoiado por inúmeros caciques da direita petista.

Fora as raras e dificilmente audíveis exceções de sempre, a oposição que se diz socialista aderiu, silenciou ou apenas resmungou, diante da consolidação da Frente Ampla e do enterro geral da oposição. Nesse momento, ela também enterra suas veleidades oposicionistas e se prepara para os longos meses de carnaval eleitoral, desde posições de esquerda, de centro-esquerda, de esquerda extremada, é claro! Navegar não é preciso! Eleger vereadores e prefeitos é preciso! A consolidação da Frente Ampla fortaleceu o deslizar de organizações que se reivindicam do socialismo e da revolução.

A oposição que se diz socialista

Nas últimas décadas, organizações ditas da esquerda revolucionária apoiaram subjetiva e mesmo objetivamente movimentos imperialistas e do grande capital, aplaudindo intervenções na Síria, Líbia, Venezuela, Cuba etc.; negando e, não raro, apoiando o golpe de 2016; defendendo a ação de Moro e da Lava Jato - defesa na qual Luciana Genro se desdobrou etc. Assistimos, agora, ao apoio ativo ao colaboracionismo da Frente Ampla. Valerio Arcary, ex-porta-voz do PSTU, é hoje dirigente da tendência “Resistência” do PSOL. Em artigo recente, serviu-se da sua crítica de uma faixa em “Defesa da Revolução e da Ditadura do Proletariado”, no domingo, 14/6, na Avenida Paulista, do minúsculo POR, para desancar militantes aos que pedem “Fora Bolsonaro e Fora Mourão” e se negam a participar da aliança com as “dissidências burguesas”.

Encrostados no Estado

Os grandes partidos parlamentares que se propõem de esquerda e na oposição – PT e PCdoB sobretudo -, há décadas participam da administração do país segundo as necessidades do grande capital, distribuindo migalhas para a população. Lula da Silva disse com razão que, em seus governos, jamais os capitalistas ganharam tanto. E compreende-se por que a população não acorreu para defender o governo Dilma Rousseff ou para retirar o ex-sindicalista da prisão. O PT e Lula da Silva seguem sendo os principais partido e liderança vistos pela população brasileira como de oposição. Mas não constituem mais referência aglutinadora/mobilizadora da maioria da classe operária, assalariada e média. Contam com real prestígio eleitoral, ainda que decrescente e instável.

Já foi descrita em detalhes a transição do PT e da CUT, de movimentos tendencialmente socialistas e classistas, quando de suas fundações, a organizações social-liberais e colaboracionistas. Mas esse processo não se restringiu aos grandes partidos e confederações. No Brasil pós-1985, a profissionalização política e sindical se transformou em um caminho seguro de realização social e econômica para multidões de brasileiros e brasileiras, mesmo sem estirar a corda da honestidade pessoal. Governadores, senadores, deputados, vereadores, administradores, assessores, sindicalistas, etc. com suas famílias, são facções sociais de centenas de milhares de indivíduos, com elevado poder performativo. Eles dependem de vantagens econômicas e simbólicas sujeitas à incrustação aos aparatos do Estado, aos quais se agarram com unhas e dentes. A política de esquerda ajuda igualmente a alavancar carreiras na universidade, na ensaística, na cinematografia, nas artes etc.

Fundar um partido, um sindicato, uma central sindical é um negócio rendoso. Partidos de direita e esquerda criam sua central, quando podem. Além das polpudas remunerações diretas e indiretas concedidas aos governadores, senadores, deputados, vereadores, etc., os partidos são irrigados com as enormes somas dos “fundos eleitorais” e “partidários”. Somados os dois fundos, o PT vai molhar o bico com 350 milhões nesse ano. O PSOL, com quase 80 milhões! O PC do B, com pouco menos de 57! E mesmo os partidos que não superaram a cláusula de desempenho e sequer elegeram um deputado, recebem alguns milhões e, nos casos extremos, pouco menos que um milhão do “fundo partidário”.

Os sindicalistas de direita, centro, esquerda e extrema-esquerda acomodaram-se consciente, semiconsciente e inconscientemente às benesses concedidas pelo Estado – remuneração pela função, afastamento da produção, estabilidade, viagens, diárias, automóveis etc. Os fundos previdenciários têm sido saqueados com a colaboração de sindicalistas. Organizações de esquerda conquistam as direções de sindicatos, no geral burocratizados, e se mantém nelas, por décadas, não raro sem comandar uma só greve. A já gloriosa CUT, no passado combativa na defesa dos trabalhadores, é hoje dura e firme como geleia. A CSP-Conlutas não consegue dizer para que veio. O resto das centrais, bem, é o resto. Agora, todos reivindicam a volta ao desconto da contribuição sindical obrigatória, cortada pelo golpismo para quebrar as pernas de um sindicalismo já capenga. No passado, o fim do desconto obrigatório já foi exigência do sindicalismo classista.

Eleições, Férias e Bolsonaro

As cartas estão dadas para o próximo período. Até novembro, se falará apenas de eleições. Como foi proposto recentemente por observador atento de nossa política, os partidos que se afirmam oposicionistas encerrarão as restrições à saída à rua de seus militantes, para mandá-los, junto com funcionários e contratados distribuir santinhos. Haverá pré-candidaturas e, logo, candidaturas, para todos os gostos. Das mais deslavadamente colaboracionistas às mais declaradamente antigolpista. Os eleitos farão o que fizeram até agora. Jogar para a torcida, fazendo que não notam os golpes e os avanços da institucionalização do autoritarismo e, se necessário, apoiar suas medidas. Navegar não é preciso! Eleger vereadores e prefeitos é preciso!

Depois de novembro, chegarão as férias, até inícios de março. Portanto, nenhuma surpresa se não se abrirem inesperadas caixas de Pandora, o que não é impossível, sobretudo diante da crise galopante econômica e sanitária.
Bolsonaro seguirá semitranquilo, na medida do que lhe é possível. Sua infecção - real ou farsesca - ajudará no curto prazo. Ele sabe que prosseguem preventivamente as investigações sobre os crimes eleitorais, sobre as fake news, sobre a rachadinha do menino Flávio, e que a imprensa sugere que ele fez o mesmo, quando deputado. Mas Bolsonaro não pode e não quer romper totalmente com suas bases, como demonstra algumas de suas últimas ações. O seu veto ao uso de máscara em ambiente fechado; a celebração de “cara descoberta” do Independence Day com o embaixador yankee; o Ministério da Educação recheado de olavistas etc.

Com tudo sob controle, e nenhum acidente de percurso, nos próximos longos meses o golpe seguirá seu trote-galope, servindo-se do Guedes, dos presidentes do Congresso e do Senado, etc. Privatização da água, negócio das Arábias e novas e grandes privatizações de grandes empresas estatais estarão em pauta. A população seguirá morrendo, literalmente, de Covid-19, de doenças várias, de desemprego, abandonada a sua sorte, mergulhada na profunda alienação e manipulação. Encerrada no Coliseu imenso e terrível em que se transformou nosso país, seguirá sendo literalmente devorada pelas feras selvagens do grande capital, enquanto seus treinadores, comodamente aboletados na arquibancada da oposição, gritam, histéricos: “Vota, Vota, Vota!”

Agradecemos a leitura de Florence Carboni
Mário Maestri, 71, historiador, é autor de, entre outros, Revolução e contrarrevolução no Brasil: 1530-2019.

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