Pacto mortal

Visão | A morte não se pensa

“[...] Ninguém se dispõe a pensar em moinhos que moem tão devagar que as pessoas morreriam de fome até receber a farinha.” (SIGMUND FREUD, Por que a Guerra?, Carta a EINSTEIN, 1932, Cia das Letras, vol. 18, p. 431).

 

Uma pandemia geral já existia,
Agora a nova doença letal
Só aumenta a dor,
Traz mortes, muitas mortes,
Muita dor, sofrimento e tristeza!

Fico à noite na insônia
Da angústia de ver tanto
Desespero espalhado
Humanidade afora. Meu peito
Aflito nos meus olhos
São lágrimas!

Agora mais que nunca,
Parece que nunca existiu...
Poder algum que tivesse mesmo
Alguma intenção que não seja
Demagógica...
Para defender a vida!

Me prostro diante da imensidão
Do universo que habitamos
E me lanço a procurar
As partículas da vida
Que estilhaçamos e
Cavoucar minha alma
Nas profundezas de meu ser,
Em busca do que perdemos
Ou deixamos de fazer!

No juízo da consciência de nossa alma
Há um tribunal existencial
Que sabe se fomos cúmplices de crimes
Contra a vida!
Do tribunal da alma não escapam
Nem os mais ordinários genocidas!

 

Roberto Antonio Deitos é poeta e professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste. Autor de Poema Humanitário, Editora Scortecci, 2020.