Vidas palestinas importam

Crise em Jerusalém: Violência entre israelenses e palestinos deixa dezenas  de mortos; entenda motivos da recente escalada - BBC News Brasil
Termina mais uma guerra de Gaza com o habitual resultado: mínimo de vítimas em Israel e muitos palestinos mortos, além de novas devastações nas minguadas infraestruturas do estreito.

Como sempre, nossa imprensa apresentou duas interpretações da crise: ou foi mais um conflito provocado por ataques injustificados dos terroristas do Hamas ou apenas mais um desses rotineiros choques entre dois eternos adversários.

Na verdade, há uma terceira explicação. Antes de entrar nela, vale a pena fazer a contextualização (para usar esta palavra da moda) do evento.

Depois da guerra de independência de Israel (1947-1948), a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, habitadas por palestinos, foram para o controle da Jordânia, ficando para o Estado de Israel a parte ocidental, habitada majoritariamente por judeus.

Na guerra de 1967, Israel tomou Jerusalém Oriental, passando a dominar toda a cidade.

Em 1980, o governo de Telavive declarou Jerusalém capital indivisível de Israel. Mas o Conselho de Segurança da ONU, pela Resolução 478, decidiu que essa atitude violava a lei internacional, recomendando que nenhum país estabelecesse sua embaixada em Jerusalém.

Porém, em 2018, Trump deu uma banana para a ONU e reconheceu a cidade inteira como parte de Israel e sua capital, onde instalaria a embaixada estadunidense.

Apenas a Guatemala imitou o ex-morador da Casa Branca. Apossando-se de Jerusalém, Israel deflagrou uma limpeza racial na cidade para evitar um crescimento da força política dos palestinos.

Apartheid e limpeza étnica

Em 2004, as autoridades de Jerusalém publicaram um plano diretor da cidade, fixando o objetivo de se manter a população árabe abaixo de 30%.
Por enquanto, não conseguiu: a proporção está perto de 40%.

Mas Israel não desiste. Para estimular a saída de palestinos, o lance é lhes tornar a vida insuportável, ou pelo menos muito desagradável, aprovando leis e regulamentos específicos para eles.

Vejam só exemplos do que aprontaram. Nenhum palestino, mesmo nascido em Jerusalém, tem direito de cidadania e suas vantagens. Recebe apenas uma autorização de residência, cancelável a qualquer momento. Caso viaje, pode perder esta autorização se demorar a voltar.

Para um palestino construir uma casa, é necessária uma licença municipal, extremamente difícil de conseguir e assim mesmo cara demais para a maioria pobre dos palestinos.

Com isso, muitos acabam construindo sem licença, ficando sujeitos a ter sua casa demolida pelas autoridades. Que ainda por cima cobram pelo trabalho de demolição, obrigando palestinos sem recursos a terem eles próprios de demolir.

Grupos de direitos humanos israelenses calculam que 40 mil lares nos bairros palestinos foram construídos sem licenças e estão sob ameaça de demolição.

A discriminação é agravada por uma lei que dá direito a judeus reclamarem para si imóveis em Jerusalém Oriental que pertenciam a judeus, antes de 1948.

Isso é negado aos descendentes de centenas de milhares de palestinos que fugiram de suas casas nessa mesma época (The New York Times, 19/05/2021), expulsos pelo exército israelense.

A ONG Peace Now, que defende a solução dos 2 Estados independentes, calcula que atualmente há cerca de 200 moradias em Jerusalém Oriental habitadas por mais de 3.000 palestinos, sob ameaça de despejo. E há 2.000 outras que poderão seguir o mesmo traumático caminho.

Referindo-se a essa questão, King, o vice-prefeito israelense de Jerusalém, não teve escrúpulos em afirmar que “evidentemente é parte de uma estratégia mais ampla para instalar faixas de judeus por Jerusalém Oriental”.

A consequência do privilégio gozado por judeus é que o governo de Jerusalém está despejando dos seus lares famílias palestinas que lá moram há até 70 anos.

No bairro de Sheikh Jarrah, acontece com frequência. A recente decisão de uma corte jurídica de Israel pelo despejo de um grupo de famílias palestinas desse bairro tornou-se um símbolo da limpeza étnica que se desenrola na cidade.

Protesto palestino; massacre israelense

O povo não ficou indiferente. Passeatas de protesto percorreram Jerusalém Oriental, reprimidas violentamente pela polícia, obrigando muitos manifestantes a se refugiarem na mesquita de Al Aqsa, a terceira mais sagrada do Islã.

Estávamos no Ramadã – o mês santo do islamismo, quando os fiéis devem jejuar durante o dia inteiro, só fazendo uma refeição à noite.

Nos últimos dias do período, cerca de 90 mil palestinos se reuniram para rezar em Al Aqsa, – localizada na Cidade Velha de Jerusalém Oriental.
Parece que as autoridades da cidade escolheram esses dias para, mais uma vez, humilhar os palestinos, mostrando que até suas manifestações religiosas podem ser reprimidas pelas autoridades com dureza. Que, enfim, é uma roubada viver num lugar assim.

A polícia foi acionada para erguer barreiras, impedindo a passagem de ônibus e carros de palestinos de outras regiões, que chegavam para as comemorações em Al Aqsa.

E pior! A mesquita foi invadida pela polícia 4 vezes em 5 dias (entre 7 e 11 de maio). Os “guardiães da lei” lançaram-se brutalmente contra os fiéis que rezavam, usando balas revestidas de borracha e gás de efeito moral para obrigá-los a sair do templo.

Nesses incidentes centenas de palestinos foram feridos, sendo muitos hospitalizados em hospitais de campanha, quatro deles em estado crítico.
A polícia impediu a entrada de médicos na mesquita durante horas, segundo o Crescente Vermelho (A Cruz Vermelha árabe).

Também na parte externa do complexo de Al- Aqsa, os policiais atacaram jovens reunidos após as cerimônias em manifestações de protestos ou simplesmente para conversar após as cerimônias. Defendendo-se, os jovens reagiram atirando pedras. Com isso, generalizou-se um conflito, gerando centenas de feridos, a maioria palestinos.

Durante os choques, diplomatas estrangeiros e líderes comunitários procuraram o governo israelense, pedindo que a polícia agisse com mais moderação.

Não conseguiram nada. Esses acontecimentos dramáticos repercutiram em várias cidades da Cisjordânia e o estreito de Gaza.

Em passeatas de protesto na Cisjordânia, 20 palestinos reagiram à ação repressora das forças de segurança. Nos choques, 20 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança.

Para os palestinos de Gaza, Jerusalém Oriental e Cisjordânia, a repressão brutal e injusta promovida pelas autoridades de Jerusalém foi vista como um ultraje sem nome.

Funcionou como a gota d’água que faz derramar o copo cheio. O ódio acumulado pelas violências de mais de 50 anos de ocupação militar explodiu no desespero de uma retaliação sem chances de vencer o opressor.

Uma guerra assimétrica

Isso explica (embora não justifique) os disparos aleatórios de foguetes do Hamas contra o território israelense, atingindo pessoas inocentes.
Reagindo, Israel atacou com mísseis e bombas lançados por sua força aérea e canhões, posicionados junto às fronteiras com Gaza.

Esse panorama de repetiu durante os 11 dias da guerra. Foi uma luta de Davi contra Golias, vencida facilmente por Golias. Não há comparação entre os cerca de 4 mil foguetes palestinos, tão precários que quase 10% explodiram no próprio território de Gaza; 90% deles foram anulados pelo supereficiente sistema antimíssil israelense.

Os poucos foguetes que fugiram a essa barreira causaram danos mínimos a Israel. Enquanto os mísseis israelenses mataram 246 pessoas, sendo 66 crianças, os de Gaza mataram 13, com 2 crianças vitimadas.

Números que atestam o baixo nível de qualidade dos armamentos palestinos e/ou dos seus operadores.

Equipados com os mais avançados equipamentos bélicos, Israel deitou e rolou com sua força aérea (uma das 3 melhores do mundo), cujos pilotos puderam sem perigo (Gaza não tem aviação, nem canhões antiaéreos) lançar menos de 2 mil ataques com bombas e mísseis de precisão contra os alvos pré-determinados, destruindo túneis subterrâneos, infraestruturas militares e líderes do Hamas, além de centenas de moradias e de danificarem seriamente 5 escolas, deixando milhares de crianças palestinas sem aulas (Middle East Eye, 14/08/2021) de acordo com a organização Save The Children.

Registro ainda os ataques contra clínicas de Saúde, incluindo a Al-Rimal Primary Health Clinic, causando o fechamento dos serviços centrais de laboratório, vacinação, telemedicina e testagem do Coronavirus, o que reduziu severamente a capacidade do Ministério da Saúde de enfrentar a pandemia e evitar a disseminação do Covid-19 nas comunidades de Gaza (Mondoweiss, 19/05/2021)

Os hospitais tiveram seus serviços muito limitados, pois 18 deles foram atingidos fortemente por mísseis segundo a Organização Mundial da Saúde. E as forças de Israel bombardearam também todas as ruas que levam aos hospitais, dificultando ao máximo o acesso dos feridos e doentes (AP, 18/05/2021).

Como disse o jornalista Chris Hedges: “O uso indiscriminado de armas modernas matou milhares de inocentes, feriu mais milhares e deixou dezenas de milhares de famílias sem lar, não é uma guerra: é terror patrocinado pelo Estado”.

Defendendo-se, os militares israelenses garantiram que só atacavam alvos militares usados por militantes, dando uma hora para que pessoas inocentes evacuassem os prédios visados (US News, 18/05/2021). Estavam de brincadeira: Israel não poderia deixar de saber que, ao bombardear locais lotados de chefões do Hamas, fatalmente mataria muitos civis. Como de fato aconteceu.

A Anistia Internacional não foi nessa. Informou que possuía documentos comprobatórios de 4 ataques mortais lançados por Israel contra lares sem aviso prévio, como reportou ao Tribunal Criminal Internacional.

Em outro caso semelhante, um avião de Israel alvejou a casa de uma família num campo de refugiados, matando a mãe e três filhos, deixando o pai e um quarto filho vivos. O zelador do campo garante que não recebeu qualquer aviso do ataque.

EUA: papel cada vez mais vergonhoso

Nesta 4ª guerra de Gaza, Israel inovou em relação às três anteriores. Pela primeira vez, escritórios de empresas jornalísticas foram alvos de seus caças.

Talvez o evento mais rumoroso tenha sido o bombardeio de uma torre de 12 andares que abrigava residências de civis, escritórios comerciais e escritórios de organizações de imprensa: a Associated Press (AP) e a Al Jazeera, entre outras.

Israel alegou que se tratava de um verdadeiro valhacouto de chefes e comunicadores dos terroristas do Hamas.

Já a Al Jazeera taxou o ato beligerante de violação das leis internacionais.
Gary Pruitt, presidente da AP, declarou-se “chocado e horrorizado por terem os militares israelenses alvejado e destruído o prédio onde se localizava o birô da AP e de outras organizações jornalísticas em Gaza”.

O próprio Anthony Blinken, secretário de Estado dos EUA e notório defensor de Israel, disse que não viu evidências das informações israelenses (AP,17/05/2021).

Jornalistas e moradores do prédio afirmaram o mesmo. Christopher Deloire, secretário-geral da Repórteres Sem Fronteiras afirmou que “alvejar deliberadamente os escritórios da mídia constitui crime de guerra... Eles estão também obstruindo a cobertura da mídia de um conflito que afeta diretamente a população civil”.

De acordo com os Repórteres Sem Fronteiras, outro edifício - o Jawhara Towers - foi também atingido por disparos das forças aéreas israelenses. Os escritórios de 14 diferentes empresas jornalísticas, entre elas a Al-Araby TV, a emissora de rádio jordaniana Al-Mamlaka, o Foro de Jornalistas Palestinos e a agência de notícias Sabaq ficaram em ruínas.

No total, 33 escritórios da imprensa internacional foram destruídos pela implacável aviação israelense.

Diante destas façanhas, Ignacio Miguel Delgado, do Comitê de Proteção a Jornalistas, afirmou: “é difícil chegar a uma conclusão diferente de que os militares israelenses querem calar a cobertura de notícias dos sofrimentos em Gaza”.

A comunidade internacional mostrou-se sensível ao morticínio de palestinos em geral civis.

Na ONU, a Noruega, a Tunísia e a Tailândia apresentaram uma recomendação pedindo o fim das hostilidades e das suas causas profundas: a ocupação militar, a expansão dos assentamentos e as demolições de casas palestinas.

Israel irritou-se e os EUA tiraram de letra, vetando a proposta, embora ela contasse com o apoio de 14 entre os 15 países do Conselho de Segurança da ONU.

A proposta foi, então, amenizada, retirando-se as ideias desagradáveis aos israelenses, porém mantendo Israel e o Hamas como responsáveis pelas hostilidades.

No entanto, os EUA vetaram esta e mais duas outras recomendações, 4 no total, sob alegação que elas não ajudavam ao fim das hostilidades, causa que seria mais eficazmente defendida através de ações diplomáticas.

Enquanto isso, nos próprios EUA, sucediam-se pressões sobre Biden para que exigisse o cessar fogo.

Desta vez, a representante dos EUA argumentou que uma recomendação da ONU não favoreceria a paz, o certo é a diplomacia dos EUA agirem nesse sentido.

Como a troca entre foguetes ineficazes e bombardeios de mísseis altamente devastadores continuasse, os países que realmente queriam acabar com a matança apresentaram uma terceira proposta, enfatizando o respeito às leis internacionais e direitos humanos e pedindo uma trégua.

Os EUA repetiram sua fala anterior e novamente repetiu-se o resultado de 14 versus 1, com vitória dos EUA através do seu poder de veto.

A estas alturas já haviam passado 5 ou 6 dias de guerra e Biden continuava soletrando o seu mantra, “Israel tem direito de se defender”.

Porém, ele começou a sentir uma oposição dura, particularmente dos progressistas do seu próprio Partido Democrata, que exigiam que ele pressionasse Netanyahu a desistir do seu propósito, reiteradamente afirmado, de continuar atacando até destruir tudo que havia projetado.

A líder na Câmara da facção mais à esquerda do Partido Democrata, Alessandria Ocasio-Cortez, clamou que os EUA precisavam reconhecer seu papel nas injustiças e violações dos direitos humanos dos palestinos.

Carta de 53 líderes do Partido Democrata exigiam que os EUA agissem para que o massacre parasse. O senador, Jon Ossoff, um judeu democrata que nada tem de esquerdista, liderou uma declaração de 29 senadores pedindo para que Biden pressionasse Israel por um cessar-fogo. (New Arab, 22/05/2021).

E Ben Ami, presidente da J STREET, organização judaico-americana liberal, disse: “nós estamos apelando para que o governo deixe claro publicamente que os esforços de Israel para despejar e desalojar famílias palestinas de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia são inaceitáveis assim como o uso de força excessiva contra os manifestantes” (Al Jazeera, 17/05/2021).

Sentindo a barra pesar, Biden resolveu pedir a Netanyahu que interrompesse a guerra, sem deixar de ressaltar que Israel tinha o direito de se defender.
Como o chefão sionista não se tocou, o norte-americano no dia seguinte renovou seu apelo, porém acrescentando que esperava um arrefecimento das hostilidades israelenses, já que o Hamas declarara seu desejo de calar as armas.

Inicialmente, Bibi Netanyahu disse nada feito, temos ainda muito a destruir.
Mais tarde, o primeiro-ministro resolveu ceder.

E assim acabou a quarta guerra de Gaza.

Atualmente, graças aos avanços da tecnologia e do poder militar de Israel, contando sempre com apoio dos EUA, Golias sempre derrota Davi. Mas, para o Hamas, quem venceu foi ele, que resistiu ao tsunami militar israelense, provocou a união dos palestinos de Gaza, Jerusalém Oriental e Cisjordânia e continua pronto para outra.

Israel se declara triunfante porque matou muitos líderes do Hamas, destruiu 12 km de passagens subterrâneas usadas para atacar o território sionista, e desmantelou a estrutura militar dos soi disant terroristas.

No entanto, pegou muito mal na opinião pública internacional os ataques dos mísseis israelenses à imprensa, ao destruir as sedes em Gaza de 33 empresas jornalísticas, com o claro objetivo de impedir que detalhassem ao mundo mais uma devastação israelense das condições de vida de Gaza.

Casos assim, o direito penal dos países civilizados caracteriza como dolo e o direito internacional como violação dos direitos humanos. São coisas que não preocupam Bibi Netanyahu.

Com a guerra de Gaza, ele reforçou sua imagem de paladino do povo israelense, derrotando os bárbaros palestinos.

Uma gente por quem a maioria dos judeus de Israel alimenta desprezo e ódio. Como disse o jornalista israelense Gideon Levy: “A morte de palestinos é aceita em Israel com mais despreocupação do que a morte de mosquitos”.

Por isso, nesta quarta guerra de Gaza, Bibi fortaleceu sua imagem de líder eficaz e implacável, contra os perigosos árabes da Palestina, especialmente agora em que ele é candidato a uma condenação pela justiça por corrupção e outras malazartes e ainda postulava ganhar um novo mandato de primeiro-ministro.

O mundo vai se cansando de Israel

Seu aliado, Biden, deve estar lambendo as feridas, pois saiu machucado do episódio. Assumir a liderança do mundo ficou agora um tanto complicado.
Uma das razões a que faria jus por esta posição seria a recuperação das boas relações dos EUA com o resto do mundo, em especial os aliados tradicionais, aviltadas por Trump.

Como fica esta promessa depois dele defender Israel ao vetar 4 recomendações de cessar fogo em Gaza no Conselho de Segurança da ONU, aprovadas por 14 dos 15 países membros?

Ao descumprir sua outra promessa de fazer dos Direitos Humanos o centro da política dos EUA, Biden os ignorou no conflito de Gaza.

Repetiu incansavelmente seu mantra “Israel tem o direito de se defender” em entrevistas, mensagens a Bibi e declarações públicas. Nem uma única vez criticou os excessos da repressão israelense, defendeu os direitos dos palestinos ou lembrou os injustos sofrimentos desse povo.

Para alguns analistas, o presidente norte-americano retardou pressões pelo cessar-fogo durante 10 dias porque Bibi queria mais tempo para seus aviões e canhões devastarem Gaza.

A postura de defensor dos direitos humanos, menos quando violados por Israel, fez Biden perder pontos junto a firmes adeptos, como os progressistas do Partido Democrata, no Congresso.

Será que valeria continuar fiel a quem apenas personifica a rejeição a Trump uma vez que o populista-mor não existe mais?

O que ainda existem são as violações do direito humano, pessoas e povos que os praticam e os que são vítimas de sua opressão.

Na semana passada, repórteres perguntaram a Biden se o primeiro-ministro Netanyahu estava fazendo o suficiente para “parar esta violência causada pela por sua escalada (na guerra)”.

O presidente respondeu que até agora “não tem havido uma reação (dos israelenses) que passe dos limites (The Guardian, 16/05/2021)”.

Se a morte de 200 palestinos pelos mísseis de Netanyahu não passa dos limites de Biden, quantas seriam necessárias: mil? 5 mil? 100 mil?

Algo está errado. Para quem pretende exponenciar os direitos humanos, vidas Palestinas importam. Ou deveriam importar.

 

Luiz Eça

Começou sua vida profissional como jornalista e redator de propaganda. Escreve sobre política internacional.

Luiz Eça