Correio da Cidadania

“Toda a agitação popular da década passada desnudou as múltiplas e generalizadas crises capitalistas”

0
0
0
s2sdefault

Os dez anos das manifestações de junho de 2013 foram marcados por inúmeros debates e publicações que visam compreender o fenômeno que levou a esta explosão social. Um destes trabalhos foi produzido pelo sociólogo Marco Antonio Perruso, a partir de uma coletânea de textos publicada ao longo do período no Correio da Cidadania e no site Contrapoder, agora transformada no livro 10 anos de junho de 2013 – da crise do lulismo à derrocada de Bolsonaro. Essencialmente, o autor coloca que junho (ainda) não foi capaz de deslocar a histórica dualidade reinante na política brasileira, isto é, a oposição do liberalismo excludente com o nacional-desenvolvimentismo subalternizante.

Sua visão se encontra com a de alguns teóricos que se destacaram ao longo da história no país. Apesar de reconhecer um caráter mais democrático no modelo dito nacionalista, coloca-o como insuficiente para alterar as estruturas das desigualdades brasileiras, entre outras questões por confiar demais no papel do Estado para esta missão. E, como em tantos outros momentos históricos mundo afora, o sistema posto em xeque, ainda que difusamente, naquelas jornadas mostra resiliência e até reforça sua legitimidade. Mas nada que dure pra sempre nas inerentemente instáveis sociedades capitalistas.

“Sem dúvida, junho não teve forças para alterar decisivamente a dialética política intraburguesa dominante em nosso país. Nem teria como, dada a transição do campo movimentista que ainda vivemos, onde – parafraseando Gramsci – o ‘novo’ não emergiu, sob os escombros dos velhos mas resilientes neoliberalismo e nacional-desenvolvimentismo. Tal situação perdurará enquanto as lições das jornadas não forem experienciadas – positiva ou negativamente – por novas gerações ativistas”.

O livro também traz observações de questões internas à esquerda brasileira, sua cultura e formação histórica, outro aspecto que as jornadas de 2013 tocaram, ponto de profundo incômodo de uma militância e intelectualidade históricas deste campo político. Em suma, o autor imputa também às esquerdas uma reação conservadora frente ao fenômeno social.

“Em oposição ao desencanto com a política institucional expresso pelas jornadas de junho, houve várias reações conservadoras, a começar por uma onda de engajamento na campanha eleitoral de 2014. Este fenômeno se processou como se, em resposta a trabalhadores e jovens que vão às ruas desde 2013 (afirmando a necessidade e a radicalidade da democracia participativa enquanto uma saída possível para nossas classes populares), os representantes na sociedade civil dos partidos da ordem à época – PT, PSDB, PMDB, etc. – reafirmassem a adesão à democracia representativa como única alternativa viável – versão contemporânea da longa tradição brasileira de apassivamento político das classes populares e de arrefecimento das lutas sociais”, analisa.

Trata-se, portanto, de ir além das polarizações e seus imediatismos ditados pelo calendário eleitoral. O clima de melhora social e econômica trazido pelo governo Lula e uma geração de atores políticos progressistas não pode ser desprezado. Mas é necessário entender o desencanto de massa com uma política institucional que, apesar das boas intenções, segue distante de satisfazer toda a demanda por justiça social. E isso precisa ser entendido por aqueles que pretender responder a tais dilemas, pois a luta apenas institucional nunca será suficiente.

“Neste sentido, junho perdurará, a depender da agência das classes trabalhadoras nacionais continuar se manifestando nas ruas de modo participativo e aguerrido, como é inescapável em sociedades brutalmente desiguais como a nossa. O sistema político, expressão da dominação de classe, reagiu a junho, como seria inevitável, mas ele continua fragilizado, seja com o retorno ao lulismo em condições maiores de instabilidade do que antes, seja com o bolsonarismo agora acuado pelo Judiciário, seja com a inexistência de opções ‘centristas’ fora da polarização”, sintetizou.

A entrevista completa com Marco Antonio Perruso pode ser lida a seguir.

 10 ANOS DE JUNHO DE 2013 | Livraria Martins Fontes Paulista

Correio da Cidadania: Quais as motivações da publicação do livro no marco de uma década dessas manifestações? Como observa a recepção dessa efeméride no debate político?

Marco Antonio Perruso: O livro objetiva trazer outras leituras que não as dominantes, a respeito da conjuntura política brasileira deste século. Neste sentido, trata do evento mais importante deste período, junho de 2013, sob dois ângulos específicos. Primeiro, da trajetória histórica brasileira, que sempre oscilou dialeticamente entre duas forças sociais que – contraintuitivamente – se repõem de modo contínuo: o liberalismo e o nacionalismo. Segundo, da agência política e cultural de nossas classes populares, que tantas vezes reagiram aos dois diferentes estilos de dominação de classe definidos pelas forças sociais acima referidas: um baseado no mercado, mais excludente e conservador, outro baseado no Estado, capaz de incluir subalternizadamente atores oriundos do mundo do trabalho; portanto, tal agência constitui uma terceira força social.

Sobre a recepção desta importante efeméride, digo que me surpreendi, pois esperava maior contundência dos que odeiam junho de 2013, à direita e à “esquerda”, com suas narrativas conspiratórias, notadamente as dos setores lulistas, sempre girando em torno de espantalhos como “guerra híbrida” e “revolução colorida”, clichês importados com fins propagandísticos. Parece-me que tais narrativas, que beiram as fakenews, foram ofuscadas por leituras mais produtivas e fidedignas por ocasião da efeméride de 2013, tal o eco das jornadas de junho na memória coletiva nacional.

Correio da Cidadania: O livro é muito crítico do papel desempenhado por uma intelectualidade ligada ao PT e que vivenciou um avanço político das esquerdas no contexto do pós-ditadura. E, como reconhece, parece que as narrativas dessa intelectualidade prevaleceram nas esquerdas. Como você observa isso?

Marco Antonio Perruso: Entendo que, em oposição ao desencanto com a política institucional expresso pelas jornadas de junho, houve várias reações conservadoras, a começar por uma onda de engajamento na campanha eleitoral de 2014. Este fenômeno se processou como se, em resposta a trabalhadores e jovens que vão às ruas desde 2013 (afirmando a necessidade e a radicalidade da democracia participativa enquanto uma saída possível para nossas classes populares), os representantes na sociedade civil dos partidos da ordem à época – PT, PSDB, PMDB, etc. – reafirmassem a adesão à democracia representativa como única alternativa viável – versão contemporânea da longa tradição brasileira de apassivamento político das classes populares e de arrefecimento das lutas sociais.

Em 2014 se deu inclusive um contra-movimento na esquerda: o PSOL, que nasceu contra o PT face à reforma da previdência de 2003, inicia seu caminho de volta ao ventre (concluído em 2022/23 com o apoio a Lula 3). Na campanha que levou Dilma à disputada reeleição, pessoas de longa tradição de militância e devidamente vacinadas em relação ao marketing político passaram não só a considerar, equivocadamente, que o discurso de Dilma era de esquerda, porém, mais grave, a acreditar que o falado nas eleições seria o praticado pelos candidatos uma vez eleitos. E não percebiam, no caso em questão, que quanto mais Dilma era ameaçada por Aécio, mais podia radicalizar seu discurso e mais tinha condições de fazer o contrário do que discursava, colocando em prática o governo que Aécio faria, como vimos logo a seguir.

Houve uma outra resposta às jornadas, desta vez especificamente por parte dos setores progressistas de nossa sociedade civil, diante do desmantelo da legitimidade política e cultural de sua narrativa hagiográfica sobre os feitos do neodesenvolvimentismo de Lula e Dilma. Em meio à crise em que os governos do PT e as classes dominantes meteram os trabalhadores entre 2014 e 2016, a reação da intelectualidade lulista consistiu, pateticamente, na manutenção desta ultrapassada narrativa. Só que esta passou a girar em falso, pois ficou nítido para parte dos segmentos populares nacionais o abismo que havia entre a dura realidade de arrocho dilmista a elas imposta (com cortes generalizados no seguro-desemprego, saúde, educação etc.), por um lado, e o discurso da virtuosidade das políticas públicas lulistas, por outro. Esta situação perdurou até o interregno de Temer e foi alterada com o advento do bolsonarismo.

Esse inconformismo de parte do campo intelectual brasileiro diante da derrocada do lulismo é bem exemplificada pelas bizarras tentativas de relacionar as jornadas de junho de 2013 – horizontalizadas, radicalizadas, populares e jovens – com as manifestações pelo impeachment de Dilma em 2015 – verticalizadas, elitistas, embranquecidas e envelhecidas. O que mais dizer de uma comparação que vê identidade entre, de um lado, movimentos que recusam carros de som, repudiam políticos tradicionais e entram em confronto físico com a polícia militar e, de outro, movimentos dirigidos por trios elétricos que confraternizam com políticos conservadores e membros das forças repressivas por meio de selfies?

Como não poderia deixar de ser, as lições mobilizatórias das manifestações – espontaneidade, presença ostensiva no espaço público urbano, ocupações e pichações de símbolos institucionais do poder público e privado, enfrentamentos com as polícias, etc. – continuam sendo tabu para os lulistas. Por ora, essa história ainda é a dos vencedores, quer com Bolsonaro quer com Lula, não a dos vencidos de junho de 2013. Mas isto não é novidade na história das revoltas dos “de baixo” no mundo todo. Marx, por exemplo, em seus embates com os poderes estabelecidos de então, foi derrotado politicamente em quase toda sua vida. Trata-se da dominação de classe. Precisamos de muitos outros junhos de 2013 para virar o jogo.

Correio da Cidadania: Você também fala de esquerdas, mesmo fora do PT em 2013, que se formaram e socializaram politicamente nos anos 80 e 90, nos movimentos de redemocratização e quase sempre dentro dos espaços de militância do partido e da CUT, central sindical que representava uma classe trabalhadora mais homogênea. Enquanto isso, 2013 foi o processo de explosão social de uma geração que foi criada à margem desses aparelhos e em muitos casos se socializou politicamente pela primeira naqueles dias de 2013. Como você descreve essa quebra geracional na relação com junho?

Marco Antonio Perruso: Primeiramente, gostaria de pontuar que a classe trabalhadora brasileira sempre foi heterogênea. Quando nascem PT e CUT, ainda não tínhamos uma Constituição democrática, o trabalho era menos regulado, a precarização sempre foi a regra na história de nosso proletariado, os camponeses não tinham direitos como os empregados industriais e urbanos. De qualquer forma, tão importante quanto as estruturas laborais são as experiências de auto-organização dos trabalhadores, aí sem dúvida o quadro é muito diverso hoje do que no período do novo sindicalismo no qual Lula emergiu. Justamente em resposta aos avanços obtidos pelos trabalhadores por conta de suas lutas desde o processo de redemocratização iniciado nos anos 1970 (muitas vezes lidos de modo reducionista como conquistas exclusivamente institucionais e benesses governamentais via Constituição de 1988, leis e políticas públicas do lulismo), desenvolveu-se uma reação conservadora, a qual se alimenta – até hoje – do desgaste dos anos seguidos de governos do PT.

Dois pontos devem ser destacados aqui: não se trata de uma onda conservadora que implementa retrocessos, mas de uma reação que tenta frear as lutas e conquistas de múltiplas militâncias populares e identitárias. Além disso, embora o PT sofra com a reação conservadora, esta foi também protagonizada pelo governo Dilma, que mostrou seu conservadorismo seja no programa eleitoral atrasado no campo dos valores (vide as questões do aborto e dos direitos LGBTQIAP+), seja no grande repertório de medidas antidemocráticas efetivadas (Lei da Copa, Lei Anti-terrorismo, ataques à organização sindical do funcionalismo público, repressão aos movimentos sociais combativos e à juventude negra pobre, etc.). O que as pesquisas sobre 2013 nos dizem é que nas ruas de junho havia a presença majoritária de camadas das classes populares já com nível significativo de capital escolar/cultural, as quais estavam se socializando politicamente pela primeira vez e por fora da órbita lulista, alterando o campo movimentista nacional.

Se compararmos as jornadas de 2013 com as manifestações em defesa de Dilma, entre 2015 e 2016, verifica-se todo o envelhecimento do padrão de politização das antigas redes societárias petistas/cutistas. Seus atos foram absolutamente tradicionais e hierárquicos: grandes palcos e estruturas, figuras públicas do mundo parlamentar burguês dominando os discursos, artistas consagrados se apresentando e falando a velhos e novos fãs. As manifestações foram exclusivamente demonstrativas, isto é, apenas levaram gente às ruas para pressionar o Congresso; ocupações e outras modalidades de ação direta não foram cogitadas.

Sem dúvida, junho não teve forças para alterar decisivamente a dialética política intraburguesa dominante em nosso país. Nem teria como, dada a transição do campo movimentista que ainda vivemos, onde – parafraseando Gramsci – o “novo” não emergiu, sob os escombros dos velhos mas resilientes neoliberalismo e nacional-desenvolvimentismo. Tal situação perdurará enquanto as lições das jornadas não forem experienciadas – positiva ou negativamente – por novas gerações ativistas.

Correio da Cidadania: No fim das contas, os slogans “não é só por 20 centavos” e “por uma vida sem catracas” não denota uma imensa revolta contra a vida sob a razão de mundo neoliberal, vivida sob uma geração que já foi educada e socializada pelos dogmas da sociabilidade de mercado?

Marco Antonio Perruso: Toda a agitação popular da década passada, notadamente em 2013, desnudou as múltiplas e generalizadas crises capitalistas que pesam sobre nossos ombros de modo desigual: precarização do trabalho, miséria, desastres ambientais, racismo/machismo estruturais e falta de motivação democrática sob o jugo de mercados desregulados e Estados burocratizados. Todavia, não se trata apenas de uma sociabilidade de mercado, mas também de uma sociabilidade estatólatra em que se ancora a ex-esquerda, que crê, contra a tradição marxista, que o Estado é o verdadeiro oponente dos mercados. Na verdade, sabemos que os trabalhadores, em seus movimentos e organizações próprias, se opõem à dominação burguesa como um todo, e tal dominação se manifesta via mercado e via Estado. Quando defendemos o Estado, não é este que vigorou e vigora, mas um outro ainda por ser erigido sob controle das massas populares, em um momento histórico próximo (esperamos).

Correio da Cidadania: À época, a grande polarização política se dava entre PT e PSDB, em termos que parecem amistosos perto do que se pode considerar das atuais polarizações. Como analisar o avanço das direitas após aquelas manifestações e a radicalização dessas oposições ideológicas?

Marco Antonio Perruso: As mobilizações de 2013 expressaram um grande repúdio à política institucional burguesa que, até então, fora dominada pelos governos neoliberais de Fernando Henrique Cardoso e pelos governos neodesenvolvimentistas de Lula e Dilma. As jornadas já tinham nos ensinado, desde a conciliação de classes interrompida em 2016, que ninguém é dono das ruas. Mas o lulismo e a esquerda institucional optaram por cedê-las à direita cada vez mais extremista e autoritária, confiando nas instituições e na passividade popular, em desfavor do legado emancipatório de junho de 2013. Decerto que muitos preferem Lula a Bolsonaro na hora de votar, mas não se animam às ações coletivas em torno dos mesmos nomes e pautas de sempre do campo petista/cutista.

O ascenso da extrema-direita se alimenta desse mal-estar, transformando-o em ressentimento popular e em desgovernos que não lograram reeleger seus bufões genocidas, tanto aqui como nos Estados Unidos. No caso brasileiro, Bolsonaro foi derrotado inclusive em suas próprias guerras culturais, mormente tenha dividido o país desigual que sempre fomos. Apesar de governar preferencialmente para os mais ricos, teve que copiar as políticas sociais lulistas para ter chances eleitorais e acenar para o Brasil mais jovem que ecoa na perspectiva das jornadas de junho, por mais direitos e melhores condições – e opções – de vida.

Dez anos depois, o sistema político posto em xeque naquelas manifestações se fortaleceu? Ou seria ilusão acreditar nessa resiliência deste sistema político representativo à luz das crises que o Brasil e o mundo enfrentam?

Marco Antonio Perruso: No conjunto dos legados de junho devem ser incluídas não apenas as movimentações sociais dos subalternizados que se deram posteriormente (greves de garis e metroviários, ocupações estudantis, entre tantas outras), mas também a própria derrota eleitoral de Bolsonaro. Pois ele, melhor que qualquer outro, expressou o fechamento institucional às demandas populares por mais direitos, buscando desvirtuá-las simultaneamente a um falseamento do sentimento antissistêmico e da lógica democrática das ruas (as quais já vinham sendo tratadas pelo lulismo como mero apêndice eleitoral).

Neste sentido, junho perdurará, a depender da agência das classes trabalhadoras nacionais continuar se manifestando nas ruas de modo participativo e aguerrido, como é inescapável em sociedades brutalmente desiguais como a nossa. O sistema político, expressão da dominação de classe, reagiu a junho, como seria inevitável, mas ele continua fragilizado, seja com o retorno ao lulismo em condições maiores de instabilidade do que antes, seja com o bolsonarismo agora acuado pelo Judiciário, seja com a inexistência de opções “centristas” fora da polarização.

Correio da Cidadania: Isso não obriga as esquerdas a imaginarem um outro mundo? Não é preocupante que sigam a se limitar a prometer governos “menos piores” que os ditos neoliberais e conservadores?

Marco Antonio Perruso: Sem dúvida, você tem toda razão. Na verdade, como junho de 2013 foi recusado por todos os atores do status quo político nacional, deixamos de ter uma esquerda que mereça o nome, com exceção de pequenos partidos e organizações fora do âmbito eleitoral. Mesmo o bolsonarismo provou do veneno de trair a urgência das ruas a qual ele simulou se conectar. Assim como o lulismo, nossa extrema-direita mobiliza as massas apenas para ganhar eleições – ou tentar roubar seus resultados, o que é exclusividade bolsonarista. Os seguidores do genocida estão totalmente desmobilizados, sufocados pela justiça burguesa, incapazes de ir às ruas protestar contra a inelegibilidade de Bolsonaro. Por isso não temos fascismo de fato. Mas também deixamos de ter uma esquerda de porte mínimo, ao menos por ora. Só conseguiremos imaginar novos mundos quando novas multidões forem às ruas e se organizem em seus lugares sociais de extração popular. Decerto aí surgirá uma nova geração socialista e revolucionária, como é regra na história da luta de classes.

Gabriel Brito é jornalista, repórter do site Outra Saúde e editor do Correio da Cidadania.

*Gostou do texto? Sim? Então entre na nossa Rede de Apoio e ajude a manter o Correio da Cidadania. Ou faça um PIX em qualquer valor para a Sociedade para o Progresso da Comunicação Democrática; a chave é o CNPJ: 01435529000109. Sua contribuição é fundamental para a existência e independência do Correio.

*Siga o Correio nas redes sociais e inscreva-se nas newsletters dos aplicativos de mensagens: 
Facebook / Twitter / Youtube / Instagram / WhatsApp / Telegram

 

0
0
0
s2sdefault