Colômbia: fugitivos permanentes


Na Colômbia, que vive atualmente um momento de grandes manifestações populares contra o governo de plantão, a população segue sofrendo com a violência sem freio. Uma violência que foi desatada em 1948, com o assassinato de Jorge Gaitán, candidato presidencial de perfil liberal e progressista. Essa morte levou os conservadores ao poder, jogou milhares de colombianos nas lutas por libertação, propiciou o aparecimento dos paramilitares, das guerrilhas e do narcotráfico. São 73 anos de lutas internas com o agravante da ocupação estadunidense que mantém mais de nove bases militares dentro do país, com o argumento de que está ajudando a combater o tráfico de drogas. Na verdade, ajudam a fortalecer ainda mais a violência contra sindicalistas e lutadores sociais.

Um dos fenômenos que essa violência gera é o do despejo forçado. Famílias inteiras, às vezes até vilas inteiras são obrigadas a se mover, abandonar suas casas, seu território, para fugir dos conflitos, da fome e da morte. Essa movimentação tem sido sistemática, mas a Defensoria do Povo divulgou essa semana sobre o brutal aumento de desalojo no país.

Justamente no ano da pandemia, que deixou a população ainda mais fragilizada, essa movimentação forçada duplicou. Só no primeiro semestre de 2021 mais de 44 mil pessoas, em torno de 15.300 famílias, foram obrigadas a abandonar suas casas em 102 eventos massivos de fuga. Isso significa um aumento de 256% em relação ao ano passado quando 13.912 pessoas de 4.311 famílias foram afetadas.

Não bastasse o desalojo forçado, cerca de 36.101 pessoas em 192 comunidades diferentes são obrigadas a se confinar em casa ou em algum outro esconderijo em função da violência e dos conflitos armados. “Os grupos armados ilegais geram muito terror e provocam a fuga coletiva das comunidades por conta de ameaças, homicídios, recrutamento forçado, restrições de mobilidade e disputas pelo controle territorial e social”, informa o Defensor do Povo Carlos Camargo.

Segundo ele os departamentos mais afetados são Nariño, Valle del Cauca, Cauca, Chocó, Antioquia, Córdoba, Norte de Santander, Risaralda e Arauca. O que tem maior número de casos de confinamento é Chocó (con 52), seguido de Nariño, Antioquia, Valle del Cauca e Cauca.

Camargo também informa que 59% dos casos de fuga forçada são referentes às comunidades indígenas, enquanto os camponeses somam 41%. No que diz respeito aos confinamentos 98,5% correspondem a territórios com diferentes comunidades indígenas.

Não é sem razão que a luta na Colômbia segue sem parada. Já são mais de dois meses de mobilizações de rua, com estudantes, trabalhadores, camponeses e indígenas exigindo do governo um tempo de paz.

Com informações de Confidencial Colómbia