Barganha política diabólica

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Nestes dias, entre os muitos já presenciados, estamos assistindo a mais um espetáculo político deprimente e repugnante. Com a maior cara de pau o golpista Michel Temer compra - com dinheiro dos cofres públicos - o voto de políticos para aprovar a chamada Reforma (na realidade contrarreforma) da Previdência.

A perversidade moral, premeditada e matematicamente calculada, do governo ilegítimo e da maioria dos políticos não tem limite. O descaramento é total. Até onde iremos? Com urgência urgentíssima, precisamos dar um basta à tamanha sem-vergonhice!

Vejam: como moeda de troca pela aprovação da Reforma da Previdência, aliados pediram mais R$ 3 bilhões; deputados negociaram com o Planalto aumento das emendas parlamentares em 2018; o governo comprometeu R$ 43,2 bilhões nos próximos anos.

Além do despudorado toma-lá-dá-cá, o governo ilegítimo de Michel Temer só está preocupado em preservar e defender os interesses dos investidores e do mercado às custas dos trabalhadores(as). O povo que se dane!

O governo já perdoou R$ 27 bilhões de bancos privados em 2017. E agora,
pasmem! “Temer entrega R$ 1 trilhão para petrolíferas americanas e estrangeiras. Não satisfeito em vender o petróleo do pré-sal, o governo Michel Temer quer a redução de tributos de empresas envolvidas nas atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural para favorecer as empresas internacionais; somente para 2018, a previsão de renúncia de receita, decorrente de Medida Provisória que teve relatório aprovado em comissão especial, é de cerca de R$ 16,4 bilhões, e pode chegar a R$ 1 trilhão, conforme previsões de técnicos do setor e de relatórios elaborados pela assessoria legislativa da Câmara”.

Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou: “isso é uma traição nacional, traição do governo para com o país. O que está sendo aprovado nesta comissão é uma mamata para o setor internacional de petróleo” (https://falandoverdades.com.br/temer-entrega-r-1-trilhao-para-petroliferas-americanas-e-estrangeiras/).

Depois de muitas conversas e várias tentativas de marcar a data para a votação da Reforma da Previdência, ficou claro que a viabilização dessa data dependerá unicamente do resultado da compra de votos dos parlamentares: uma verdadeira barganha política diabólica, totalmente imoral, mas com aparência de legalidade. Para aprovar a Reforma são necessários 308 votos na Câmara e 49 no Senado.
    
E tem mais: o governo - hipócrita e maldosamente - tenta enganar os trabalhadores(as), passando mel na boca das Centrais Sindicais. “Em meio às negociações para a aprovação da Reforma da Previdência, o Planalto fez um aceno às Centrais Sindicais que se opõem às mudanças. Michel Temer garantiu - dia 5 - que baixará portaria na próxima semana para liberar o pagamento de cerca de R$ 500 milhões em verbas do imposto sindical que estavam retidas na União (por falhas no preenchimento de dados obrigatórios para o pagamento). O dinheiro é fruto de um acordo entre as entidades, o MP, a Caixa e o governo” (http://painel.blogfolha.uol.com.br/2017/12/07/em-meio-a-ofensiva-pela-previdencia-governo-libera-r-500-milhoes-para-centrais-sindicais).

Deixo uma advertência: o golpista Michel Temer e sua gangue de políticos oportunistas e corruptos lembrem-se que Deus não aceita barganha política. Em breve, poderão constatar pessoalmente. Aguardem!
    
Precisamos desmascarar as mentiras - uma verdadeira farsa - do governo ilegítimo a respeito da Reforma da Previdência.

1.    A CPI da Previdência e Seguridade Social - depois do estudo e análise de dados do governo federal - chegou à conclusão que a Previdência Social não é deficitária e não dá nenhum prejuízo ao governo.

2.    O que o governo realmente quer com suas mentiras é acabar com a Previdência Pública; dificultar ao máximo a aposentadoria de trabalhadores informais, terceirizados e rurais; fazer com que os trabalhadores mais pobres morram antes de aposentar; abrir mercados para os bancos que vendem Previdência privada; perdoar os grandes bancos e empresas que sonegam a Previdência aumentando seus lucros; ampliar recursos do Tesouro Nacional para pagar a dívida pública e para fazer empréstimos a juros baixos aos bancos e grandes empresas.

3.    As grandes empresas de mídia, com a Rede Globo à frente, também devem à Previdência. Além disso, seus grandes clientes são os bancos e as grandes empresas devedoras.

4.    O relatório final da CPI mostra que as empresas privadas devem R$ 450 bilhões à Previdência.

5.    Os trabalhadores(as) são os maiores interessados que a Previdência esteja em equilíbrio financeiro. Por isso defendemos: combater as fraudes; cobrar dos grandes devedores; impedir que os recursos da previdência sejam desviados para obras do governo; impedir que a lei - que congela os gastos públicos por 20 anos - congele as fontes de financiamento da Seguridade Social que integra o Sistema de Previdência; ampliar a cobrança de impostos sobre as grandes fortunas (Cf. Forum Goiano contra as Reformas da Previdência e Trabalhista. Jornal da Classe Trabalhadora. Ano 1 - Número 3 - Novembro de 2017).

Por fim, manifestamos nossa solidariedade aos/às que se encontram em greve de fome (que começou no último dia 5) contra a Reforma da Previdência.

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Sérgio da Rocha, esteve - dia 12 - na Câmara, para visitar e solidarizar-se com os agricultores em greve de fome. Dom Sérgio afirmou que a CNBB tem manifestado a necessidade de que as Reformas em andamento pelo governo Temer devem preservar os direitos dos mais pobres e pediu paz e justiça.

Com esperança e fé, unidos e organizados, vamos à luta! Pela revogação da Lei da Terceirização, pela revogação da Reforma Trabalhista, contra a Reforma da Previdência. Nenhum direito a menos.

Frei Marcos Sassatelli, frade dominicano, é doutor em Filosofia (USP), em Teologia Moral (Assunção - SP) e professor aposentado de filosofia da UFG.

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