Novo Pentecostes a partir da base

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Como comuniquei no artigo “A força principal das CEBs: a Fé em Jesus Cristo Libertador” (leia o artigo na Internet), de 20 a 22 deste mês de outubro, aconteceu na Paróquia Nossa Senhora da Terra (Jardim Curitiba III - noroeste de Goiânia) o Encontro Mini-Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) do Regional Centro-Oeste (Goiás e Distrito Federal).
    
Participaram cerca de 170 pessoas (delegados e delegadas das Arquidioceses de Brasília e Goiânia; e das Dioceses de Uruaçu, Formosa, Luziânia, Ipameri, São Luís de Montes Belos, Itumbiara, Anápolis e Goiás; as Dioceses de Rubiataba-Mozarlândia e Jataí não enviaram representantes), que irão a Londrina (PR) para o 14º Encontro Intereclesial das CEBs (23-27/01/2018). Participaram também do Encontro 7 suplentes, 8 padres (diocesanos e religiosos), um religioso, diversas religiosas e as pessoas das equipes de serviço e animação. Tivemos a presença do bispo da Diocese de Goiás, Dom Eugênio Rixen. Nos momentos abertos a todos e a todas tivemos ainda a alegria da presença de irmãos e irmãs das Comunidades que fazem a Paróquia Nossa Senhora da Terra.
    
O Encontro, preparado com tanto amor e extraordinária dedicação, foi muito bom em todos os seus momentos: celebração de abertura (com a memória do Jubileu de Diamante da Arquidiocese de Goiânia), hospedagem nas famílias, oração comum, celebração do domingo, estudo participativo (com a assessoria de Alexandre Rangel), celebração do envio e encerramento.

A experiência de Fé, que vivenciamos e partilhamos no Encontro com a alegria de irmãos e irmãs, faz-nos acreditar que os encontros locais, diocesanos e regionais de CEBs (rumo ao 14º Intereclesial) são hoje um novo Pentecostes a partir da base na Igreja do Brasil inteiro.

Como nos outros Encontros de CEBs, estudamos e aprofundamos o tema do 14° Intereclesial “CEBs e os desafios do mundo urbano” e o lema “Eu ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3, 7).

Hoje, infelizmente, nossas Igrejas (sobretudo os padres e bispos) em sua maioria mostram-se indiferentes, desinteressadas e, às vezes, até cínicas em relação às CEBs. Sei de Igrejas que em sua estrutura física tinham um espaço para as CEBs e o CEBI (Centro de Estudos Bíblicos). Há tempo foram excluídos, ou melhor, descartados e tiveram que procurar outro lugar. É lamentável, mas compreensível!

Os poderosos e seus aliados “eclesiásticos”, os que moram em palácios ou mansões civis ou episcopais, os sinédrios “católicos” atuais e os que se fecham em sua autossuficiência clerical (o clericalismo, que como diz o Papa Francisco é “uma peste na Igreja” e “o pior mal da Igreja na América Latina”) não têm as mínimas condições de entender e, menos ainda, de vivenciar o jeito de ser Igreja das CEBs: uma Igreja “pobre, para os pobres, com os pobres e dos pobres”, mas aberta a todos aqueles e aquelas que, mesmo ricos e ricas, se convertam, mudem de vida, pratiquem a partilha, aceitando seguir Jesus de Nazaré (como aconteceu com Zaqueu, o homem rico do Evangelho, no encontro com Jesus).

“Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelastes aos pequeninos” (Lc 10, 21).

Apesar de tanta indiferença, desinteresse e cinismo, as CEBs não morreram, como ironicamente muitos e muitas costumam dizer. Elas são muito vivas e cada vez mais fortes, sobretudo quando não são reconhecidas e quando, às vezes, são até perseguidas e obrigadas a viver nas catacumbas.

As CEBs são obra do Espírito Santo. “Descerá sobre vocês o Espírito Santo e Dele receberão força para serem minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os extremos da terra” (At 1, 8). As CEBs são “Igreja que nasce do Povo pelo Espírito de Deus” (1º Intereclesial, Vitória – ES - 06-08/01/1975).                                          

As CEBs são Igreja de Jesus de Nazaré; são comunidades que, apesar de suas limitações humanas, vivem no mundo de hoje a radicalidade do Evangelho; são “de base”, por serem encarnadas na vida do povo.

Diz o Papa Francisco: “o povo é sujeito. E a Igreja é o Povo de Deus a caminho na história, com alegrias e dores. Sentir com a Igreja é para mim, pois, estar neste povo.
E o conjunto dos fiéis é infalível no crer, e manifesta esta sua infalibilidade crendo (...)” (Pe. Antônio Spadaro, S.J., diretor da “Civiltà Cattolica”. Entrevista ao Papa Francisco, publicada simultaneamente em 26 revistas sob a responsabilidade de Jesuítas, 19/08/2013). Que testemunho bonito de humildade! Sigamos o seu exemplo!

As CEBs, na diversidade dos carismas e ministérios, acentuam (como fazia o apóstolo Paulo) a condição comum a todos os cristãos e cristãs, renascidos e renascidas pela água e pelo espírito: “santos e santas”, “eleitos e eleitas”, “discípulos e discípulas”, “irmãos e irmãs” (no Novo Testamento nunca aparece o termo “leigo ou leiga” e nem o termo “clero”).

"Deve-se reconhecer cada vez mais (reparem: cada vez mais) a igualdade fundamental entre todos e todas", ensina o Concílio Vaticano II (A Igreja no mundo de hoje - GS, 29). E ainda: “reina entre todos e todas verdadeira igualdade quanto à dignidade e ação comum a todos e todas os e as fiéis na edificação do Corpo de Cristo" (A Igreja - LG, 32).

Somos Igreja de Jesus de Nazaré! Somos Igreja que nasce do Povo pela força do Espírito de Deus! Somos CEBs! Com o salmista cantamos: “Eles e elas (que dizem que as CEBs morreram) se curvam e caem; nós nos mantemos de pé” (Sl 20, 9). Unidos e unidas na caminhada!

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