Quem governará o Brasil a partir de 2018?

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Em postagem recente em seu blog, Leonardo Boff veicula um texto de Frei Betto no qual alerta para a séria situação atual. A questão fundamental é em quem votar para presidente na possível sucessão do atual governo, uma vez que tudo indica que as coisas permanecerão como estão.

“Ora, devemos votar no Brasil que sonhamos para as futuras gerações. Isso significa priorizar programas e projetos, e não candidatos. Um país no qual coincidam democracia política e democracia econômica. De que vale o sufrágio universal se não repartimos o pão? Votar no Brasil que requer profundas reformas estruturais, como a tributária, com impostos progressivos; a agrária, com o fim do latifúndio e do trabalho escravo; a política e a judiciária. Brasil que promova os direitos das populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Brasil de democracia participativa e no qual o Estado seja o principal indutor do desenvolvimento, com distribuição de riqueza e preservação ambiental”.  
         
De fato, é preciso perceber o cenário em que está inserido o Brasil. O atual modelo de governabilidade diariamente chama a atenção de todos, e deixa claro que imperam interesses próprios e uma já conhecida agenda de Estado mínimo, em certo sentido.
         
Recentemente, alguns partidos mudaram de nome, e agora, se denominam como movimentos nascentes em prol de novas causas, de um novo tempo na política ou mesmo não só na política, mas aparentam desejar uma certa mobilização na sociedade. Esse discurso é bonito e entusiasmante. Entretanto, a constituição desses grupos de renovação se mostra como velha e nasce já como desgastada.  
 
Desde as últimas eleições gerais de 2014, o desgaste dos políticos e da política enquanto politicagem atingiu um nível demasiado. E nomes bem conhecidos do eleitorado encontram-se envolvidos em corrupção. Dessa forma, pode ser um bom palpite uma mudança superficial, que com um nome único, sem o velho título de “partido” no começo, satisfaça mais os ouvidos e os olhos do povo.  
         
A chamada reforma que ainda há pouco esteve em pauta no Congresso beneficia os que a propuseram e consequentemente a aprovaram – por acaso, faltando pouco mais de um ano para as eleições.
         
A lembrança é válida: “votar é importante, mas não suficiente. Porque no Brasil tradicionalmente nós votamos e o poder econômico elege. Em 2018, porém, será a primeira eleição para o Congresso e a presidência da República na qual as empresas não poderão financiar campanhas políticas, como faziam as que estão denunciadas pela Lava Jato. Isso não significa que o caixa dois será extinto. Seria muita ingenuidade pensar que políticos que se lixam para a ética não haverão de encontrar formas de obter dinheiro ilegal.

Por isso, é um erro jogar nas eleições todas as fichas da nossa esperança em um Brasil melhor. O mais importante é investir no empoderamento popular. Reforçar os movimentos sociais e sindicais, intensificar o trabalho de formação política e consciência crítica, dilatar os espaços de pressão, reivindicação e mobilização. Só conseguiremos mudanças significativas se vierem de baixo para cima”, conclui Frei Betto.   


Felipe Augusto Ferreira Feijão é estudante de Filosofia da UFC.

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