Que situação é essa?

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Novamente, começa a tramitar na Câmara dos Deputados nova denúncia contra o Presidente da República. Neste mesmo semestre, no início do mês de agosto, a maioria dos deputados decidiu não autorizar o prosseguimento de outra denúncia da PGR contra o referido senhor. Parece que torna-se, agora, algo rotineiro.
         
Diante da situação, de corrupção demasiada, que constitui grande parte do Congresso, ou seja, dos que decidem sobre aprovar ou não as denúncias, alguns questionamentos emergem como oportunos: a que ponto chegará? Seria uma solução o afastamento do presidente? Quem ocuparia seu lugar?
         
A última interrogação faz vir à tona o já aflorado debate sobre as eleições de 2018. Há um nome capaz de inspirar confiança para uma possível governabilidade? A chamada reforma política que por acaso esteve em pauta servirá aos interesses de quem?
         
O fato é que o país se encontra numa condição de desolação. Nos últimos dias, a declaração sobre a possibilidade de uma interferência militar, na conjuntura de corrupção política, fez abrir os olhos de quem se preocupa com a realidade que se manifesta.
         
Ora, num estado de corrupção generalizada, de um quase caos declarado, nada melhor do que restabelecer a ordem, a moral e os bons costumes. No entanto, vale perscrutar a história recente para que se entenda como, no passado, tal interferência impôs o ordenamento e a moralização. Não é de se admirar a defesa que reivindica, pois, que isso aconteça, porém, ela não leva em conta as prováveis consequências que podem advir desse estabelecimento, uma vez que se embasa de modo geral na corrupção atual, no caos explícito que se encontra em diversos âmbitos, sobretudo na abrangência da vida social, para proteger seu argumento.
         
Na circunstância atual, não se vivencia já um modelo regrado, nas palavras de Leonardo Boff, uma “ditadura civil” que não fornece opções, que tolhe a dignidade humana através da negligência de oferta de necessidades sociais básicas, gerada pela mediocridade instaurada na forma de gerir a coisa pública? Afinal, que turbulência é essa que atinge brutalmente a todos e não aponta perspectiva de uma saída?
         
Em artigo recente publicado em seu blog, Boff afirma: “tudo está sendo feito ou por PECs, decreto ou por medidas provisórias propostas por um presidente acusado de chefiar uma organização criminosa e com baixíssimo apoio popular, que alcança apenas 3%. Propostas estas enviadas a um parlamento com 40% de membros acusados ou suspeitos de corrupção. Que significa tal situação senão a vigência de um Estado de Exceção? Um governo que governa sem o povo e contra o povo, abandonou o estatuto da democracia e claramente instaurou uma ditadura civil”.

Felipe Augusto Ferreira Feijão é estudante de Filosofia UFC.

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