Aumentar imposto é sempre o fácil

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Quando as pessoas se candidatam a cargo executivo as promessas apontam solução simples para os problemas até insolúveis. Mas isso decorre de uma visão distorcida dos próprios eleitores, que preferem votar em quem promete o que não será possível a votar em alguém que aponte soluções mais reais. Daí que a conclusão é esta: quem se candidata e mente para se eleger ou fala a verdade e nunca será eleito.

Depois de eleitos, já cientes de que não cumprirão as promessas, começam a dizer que “sabiam das dificuldades, mas que não imaginavam ser tão graves”.
Com o atual governo não é diferente. Só trabalham nas previsões de quanto será o tamanho do rombo, se os maravilhosos R$ 139 bilhões ou algumas dezenas a mais.  

De novo, não se sabe se extinguiu nenhum cargo comissionado, quando poderiam ser extintos ao menos uns 80 mil. O que se paga com essa farra é incalculável. Inventaram um Plano de Demissão Voluntária. Sabem que, numa conjuntura de 13 milhões de desempregados, ninguém vai sair nem com uma premiação de Mega Sena acumulada, mesmo correndo o risco de ficar sem salário, como os servidores do estado do Rio de Janeiro.

Não se criou nenhuma política para diminuir os alugueis de imóveis. Gastam-se fortunas com pouca e até sem nenhuma necessidade com mais essa farra do dinheiro público.

Não se cortou nenhum privilégio de parlamentares nem de nenhum dos altos cargos de qualquer dos poderes. Ainda gastam rios de dinheiro pagando moradia para parlamentares, para membros das cúpulas de outros Poderes.
Não existe servidor comum beneficiado com moradia gratuita.

Com o escárnio comum a quem abusa do dinheiro da viúva, os ministros continuam voando nos aviões da Força Aérea Brasileira com mais facilidade do que um cidadão pegar um táxi na esquina.

Com ar de gestores acima da média, o presidente e seus auxiliares aumentaram os impostos sobre combustíveis. E a promessa é de mais aumento. Não se discute nem mesmo como um governo que precisa avançar sobre o bolso do cidadão poderá entregar bilhões aos governos estaduais e prefeituras mal administrados.

Além disso, através do REFIS perdoa dívidas bilionárias dos maiores devedores, que são megaempresários. E pretendem aprovar alguns bilhões para financiar a corrupção das milionárias campanhas eleitorais, com o pomposo nome de “financiamento público”. E nem a mídia dá o devido destaque a esse tipo de golpe. Afinal, os iguais sempre se protegem.

A sociedade brasileira não tem a cultura de reação com ações práticas. Mesmo assim, os cidadãos vêm reagindo aos poucos. E ainda sob muitas críticas daqueles acostumados a reclamar apenas com suas curtidas em redes sociais.

Vem ocorrendo um avanço nas reivindicações. Os políticos já são cobrados em restaurantes, aeroportos, aviões e festinhas, locais onde sempre eram bajulados. Porém, é inevitável o crescimento da insatisfação e essa reação vai aumentar. Onde vai chegar não se sabe. Seria bom se nossos políticos olhassem para alguns vizinhos. Está faltando pouco para o Brasil se tornar uma nova Venezuela.  

Pois eficiência da atual gestão é conseguir que o governo feche o ano devendo “apenas” 159 bilhões de reais.
 
Pedro Cardoso da Costa é advogado.

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