Um jantar regado a interesses políticos escusos

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O traidor, golpista e usurpador Michel Temer representa um governo marionete, covardemente submisso aos interesses dos detentores do poder econômico e, consequentemente, do sistema capitalista neoliberal no Brasil. Ele é um mero repetidor e executor daquilo que os poderosos mandam dizer e fazer. Não tem personalidade própria e age telecomandado.

 

Em discurso durante jantar oferecido a congressistas no Palácio da Alvorada na noite do dia 16 último, Michel Temer afirmou: "vivemos uma recessão extremamente preocupante. O primeiro passo é tirar o país da recessão para depois começar o crescimento e depois o emprego. Não vamos ter ilusão que se combata a recessão com medidas doces. Você precisa, muitas vezes, de medidas amargas, e essas medidas visam ao futuro e não ao presente".

 

Por que precisa de “medidas amargas” que prejudicam somente os trabalhadores(as), cortando ou limitando seus direitos? Por que as medidas tomadas a favor dos poderosos são sempre “medidas doces”? As “medidas amargas” visam ao futuro de quem? Certamente, não é ao futuro dos trabalhadores(as).

 

O referido jantar teve o objetivo de garantir o apoio à PEC 241/55 do Teto dos Gastos no Senado. A primeira votação em plenário está marcada para o dia 29. O segundo turno será no dia 13 de dezembro. O governo precisa de 49 votos dos 81 senadores para aprovar a medida.

 

Conforme foi divulgado na mídia, o encontro reuniu 82 convidados, entre senadores, ministros e líderes da Câmara. Em outubro passado, antes da aprovação da PEC na Câmara, Temer promoveu um evento semelhante com deputados federais. São os jantares dos traidores do povo e - o que é pior - pagos com dinheiro do próprio povo.

 

Michel Temer - “presidente” ilegítimo - voltou a dizer que o seu governo tem tido um apoio "extraordinário do Congresso Nacional". Não é para menos!

 

A PEC do Teto, segundo Temer, é a primeira medida para a saída da recessão. "Quando vemos um déficit de R$ 170 bilhões, achamos que é normal, mas não é". "São déficits preocupantes". O golpista sabe muito bem que para os bancos, as multinacionais e as grandes fortunas R$ 170 bilhões são uma mixaria. Equivalem ao valor de um “pacote de balinhas”, dadas de presente às crianças.

 

A solução para a recessão, como todos e todas sabem, inclusive Michel Temer e seus adeptos, é outra e muito simples: taxar os lucros exorbitantes, escandalosos e criminosos dos bancos, das multinacionais e das grandes fortunas, cobrando com juros e correção monetária os impostos sonegados.

 

Se o governo fizer isso, não faltará dinheiro para os gastos públicos (como educação, saúde e outros) e estará resolvido o problema do ajuste fiscal, sem que seja preciso cortar ou limitar direitos dos trabalhadores(as), conquistados a duras penas e com muita luta.

 

Temer disse também que, após a aprovação da PEC do Teto, a seguinte medida será a reforma da Previdência. "Vai ser difícil? Vai, mas creio que já há uma consciência nacional, as pesquisas revelam, que ela é indispensável. Não há como fugir dela". É mentira e enganação ao povo. A terceira medida será a reforma trabalhista. Nessa reforma, o acordado prevalecerá sobre o legislado, com as consequências negativas previsíveis na vida dos trabalhadores(as).

 

Essas medidas não tocam em um centavo sequer dos ricos; só cortam ou limitam - como já disse e repito - direitos dos trabalhadores(as), sobretudo dos mais pobres. São realmente tramas políticas sujas, desonestas, iníquas, obscenas e diabolicamente planejadas, em benefício de uma pequena minoria de adoradores do deus-dinheiro.

 

Michel Temer afirma ainda que as medidas devem ser consolidadas “para gerar lá na frente o crescimento”. O crescimento de quem? Deve ser o crescimento dos já crescidos, ou seja, dos ricos que se tornam cada vez mais ricos. Certamente não é o crescimento dos trabalhadores(as), que com as medidas são os únicos prejudicados.

 

Agradecendo a presença no jantar dos senadores e de líderes da Câmara, Temer, pediu: "estejam muito à vontade. Que façamos um jantar de confraternização, apenas estamos dando um sentido de trabalho a esse jantar para reforçar que o Legislativo trabalha durante o dia e durante a noite, inclusive durante o jantar". Que confraternização é essa!

 

Diante dessa situação política diabólica, lembro as palavras do papa Francisco: "se é assim, digamos sem medo: queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema já não se aguenta, os camponeses, trabalhadores, as comunidades e os povos tampouco o aguentam. E tampouco o aguenta a Terra, a Irmã Mãe Terra, como dizia São Francisco" (2º Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Santa Cruz de la Sierra – Bolívia, 9 de julho de 2015).

 

Renovemos a nossa esperança num outro Brasil possível e necessário. Unidos e unidas, continuemos a luta. A vitória é nossa.

 

Em tempo: manifesto total solidariedade e irrestrito apoio à “Articulação dos Povos e Comunidades Tradicionais” pela ocupação do Palácio do Planalto, ocorrida no dia 22 do mês corrente, contra a PEC 241-55/16 (a PEC da Morte), a PEC 215/00 (do fim das demarcações de terras indígenas) e ao PL 4059/12 (que libera a venda de terras para estrangeiros). Parabéns, bravos lutadores(as). Estamos com vocês.

 

 

Frei Marcos Sassatelli, frade dominicano, é doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção – SP), professor aposentado de Filosofia da UFG.

 

 

 

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