Outra Ecologia é possível

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“Deixaremos de destruir a natureza e a nós mesmos apenas quando adotarmos uma nova visão que nos faça conscientes da dimensão sagrada da natureza e de nosso caráter plenamente e orgulhosamente natural”.

Associação Ecumênica de Teólogos(as) do Terceiro Mundo

 

A página de abertura do Livro-Agenda latino-americana mundial - com palavras simples e, ao mesmo tempo, profundas - lembra-nos sempre: é “o livro latino-americano mais difundido, cada ano, dentro e fora do continente”. Ele é “sinal de comunhão continental e mundial entre as pessoas e as comunidades que vibram e se comprometem com as grandes causas da Pátria Grande, como resposta aos desafios da pátria maior”.

 

Ele é ainda “um anuário de esperança dos pobres do mundo a partir da perspectiva latino-americana; um manual companheiro para ir criando a “outra mundialidade”; uma síntese da memória histórica da militância e do martírio de Nossa América; uma antologia de solidariedade e criatividade; uma ferramenta pedagógica para a educação, a comunicação, a ação social e a pastoral popular”.

 

O Livro-Agenda latino-americana mundial, “além de ser para uso pessoal, foi pensado como instrumento pedagógico para comunicadores, educadores populares, agentes de pastoral, animadores de grupos e militantes” (p. 9).

 

O tema do Livro-Agenda 2017 é “Ecologia Integral: reconverter tudo”. Ele revela “um objetivo ambicioso incomum: incitar nossa conversão ecológica, para, a partir dela, reconverter tudo”. Revela também “um objetivo urgente, pois somente uma sociedade marcada por uma cultura profundamente ecológica, com uma opinião pública em sintonia intelectual e cordial com a Ecologia, poderá evitar a catástrofe climática que nos ameaça”.

 

O Livro-Agenda 2017 afirma que “é urgente a conscientização ecológica, por uma Ecologia Integral com a qual poderemos transformar e reconverter tudo: estilos de vida, sistema energético e de produção, pensamento, religiosidade etc.” (p. 8).

 

A encíclica da Igreja Laudato Si diz que “faz falta uma conversão ecológica”. Uma conversão “que chegue a ser uma verdadeira ‘revolução cultural’. E propõe, como eixo operativo, um novo conceito que suscitou uma boa acolhida, a Ecologia Integral, que une o social e o político, o cultural e o pessoal, todas as dimensões da realidade, interpenetradas e articuladas” (p. 10-11).

 

O Livro-Agenda 2017 “aposta decididamente na Ecologia Integral e se engaja vigorosamente na tarefa, pondo-se a serviço dos educadores, dos militantes da causa da Terra e dos pobres, para, entre todos e todas, ajudar os leitores, as leitoras e os grupos e comunidades a assumirem a Nova Visão, o novo software que nos permitirá amar a Natureza como a nós mesmos e mesmas, e sentir sua sacralidade como se fosse nossa”. Enfim, soma-se ao clamor mundial crescente, ao grito da Irmã Mãe Terra e ao grito dos Pobres.

 

É “uma tarefa urgente. Uma causa nobre. Um trabalho árduo. Um resgate de emergência”. Após a COP21, é talvez “a última oportunidade para salvar a vida do Planeta tal como a conhecemos hoje. Vale a pena. Mãos à obra” (p. 11).

 

Por falarmos do compromisso “com as grandes causas da Pátria Grande (América Latina) como resposta aos desafios da Pátria Maior (mundo)”, antes de terminar, parabenizo (embora pretenda voltar sobre o assunto em outro escrito) os jovens estudantes secundaristas do Movimento Primavera Estudantil.

 

A luta de vocês, jovens, por um ensino público de qualidade para todos(as) é justa e uma das referidas grandes causas. A garra que vocês, unidos e organizados, demostram - ocupando escolas no Brasil inteiro e se posicionando contra a PEC 241 (no senado PEC 55), que congela gastos públicos em diversas áreas de interesse social, como educação, saúde, infraestrutura, segurança e outros por 20 anos - nos edifica a todos(as) e fortalece a nossa esperança num outro Brasil possível e necessário. Continuem firmes, vocês já são vitoriosos e estamos com vocês.

 

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Frei Marcos Sassatelli, frade dominicano, é doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção – SP), professor aposentado de Filosofia da UFG.

 

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