Solidariedade e apoio aos trabalhadores da Saúde de Goiás em greve

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Há mais de um mês, os trabalhadores(as) da Saúde de Goiás estão em greve. Em primeiro lugar, eles denunciam a propaganda do governo, que gasta acintosamente o dinheiro do povo para enganar o próprio povo.

 

O Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (SINDSAÚDE/GO), em nota pública, dirige-se carinhosamente ao cidadão goiano com estas palavras: “você tem acompanhado nos jornais, no rádio e na televisão inúmeras reportagens e propagandas mostrando os hospitais públicos reformados, com pinturas novas por dentro e por fora, quadros pendurados nas paredes, vasos de flores na recepção e poucas pessoas na fila de espera. Olhando pela TV, até parece que a Saúde Pública em Goiás é valorizada e respeitada pelo nosso governador Marconi Perillo. Só que não!”.

 

Continua o sindicato: “o governo de Goiás gastou mais de 500 milhões em propaganda para tentar esconder o que está errado na Saúde em Goiás. Na propaganda tudo é perfeito, tudo funciona, nem parece que são hospitais públicos. Mas na realidade, longe da propaganda, sabemos que não é bem assim”.

 

Em segundo lugar, a partir da experiência vivida pelos próprios trabalhadores(as), o SINDSAÚDE/GO faz duas constatações: a primeira sobre a real situação da Saúde Pública em Goiás e a segunda sobre a desvalorização de seus servidores.

 

A respeito da primeira constatação, o sindicato diz: “sabemos que, depois que o governador entregou a administração dos hospitais públicos para as Organizações Sociais (OSs) - que receberam 2,3 bilhões desde 2012 - a população não consegue mais ter atendimento. Não consegue entrar nos hospitais. E as pessoas que entram aguardam semanas e mais semanas para uma cirurgia. Já as do interior do estado nem conseguem chegar aqui, na capital. E morrem lá mesmo, por falta de atendimento e de estrutura de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O resultado disso é um só: uma Saúde mais cara e menos eficiente”.

 

E conclui: “essa triste realidade dos hospitais públicos é vista na prática pelos trabalhadores(as) da Saúde. Faltam medicamentos, vacinas, luvas e até máscaras para os profissionais atenderem a população. E esse quadro reflete diretamente nas condições de trabalho dos servidores”.

 

Nos hospitais públicos, há também pacientes que ficam dias sem tomar banho por falta de roupas e lençóis limpos. Em três anos, Goiás perdeu mais de mil leitos do SUS.

 

A respeito da segunda constatação, o SINDSAÚDE/GO declara: “a mesma realidade que castiga a população, também massacra os servidores. Uma prova disso foi a decisão do governador de retirar mais de 50% dos servidores efetivos das unidades hospitalares e não recompor a força de trabalho. Já os trabalhadores(as) que ficaram nas unidades são diariamente assediados e perseguidos por essas OSs”.

 

Além de tudo isso, continua o sindicato, “os servidores sentem ano a ano seus bolsos serem esvaziados. Eles sentem na pele o duro ataque - do governo - contra seus direitos historicamente conquistados com muita luta, suor e sangue”.

 

Para que fique mais claro, o sindicato exemplifica relatando: “o governo de Goiás deu calote e não pagou a correção da inflação (data-base) de 2007, 2008, 2009, 2010 e nem a de 2015 e 2016. E, além disso, congelou o Plano de Carreiras da Saúde. Os trabalhadores(as) já amargam uma perda salarial de quase 50%. E agora o próprio Marconi Perillo, que diz valorizar os servidores públicos, quer reduzir o salário cortando até 100% do Prêmio de Incentivo (Produtividade) da Saúde. Um direito que ele mesmo disse que nunca iria cortar”.

 

Mentir, para o governador Marconi Perillo, é uma prática rotineira. Basta lembrar o caso da Ocupação “Sonho Real” do Parque Oeste Industrial, em Goiânia. Ora, se a situação da Saúde Pública em Goiás já é uma calamidade, imaginem o que poderá acontecer com a aprovação definitiva da PEC 241! Tudo indica que Marconi Perillo já está antecipando os efeitos maléficos da “PEC da morte”.

 

Enfim, o sindicato, com espírito de resistência e muita vontade de lutar por uma Saúde 100% pública e de qualidade para todos(as), declara: “infelizmente, por conta de tanto desrespeito à população e aos servidores, os trabalhadores(as) decidiram dar um ‘basta’. Cruzaram os braços e (mantendo o atendimento somente dos casos de urgência e emergência) decretaram Greve Geral na Saúde Pública de Goiás, até que o governo enxergue a importância desses profissionais para a população e valorize efetivamente quem cuida da vida dos goianos(as)”

 

A greve é justa. Nossa total solidariedade e irrestrito apoio aos trabalhadores(as) da Saúde Pública.

 

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Frei Marcos Sassatelli, frade dominicano, é doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção – SP), professor aposentado de Filosofia da UFG.

 

 

 

 

 

 

 

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