Regressão histórica

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Resultado de imagem para derrota petistaAs correntes de esquerda e de centro, revolucionárias ou progressistas, sofreram uma derrota abaladora nas últimas eleições majoritárias para a presidência da República e para a maioria dos governos estaduais, assim como nas eleições proporcionais para o Senado da República, a Câmara Federal e a maioria das Assembleias Legislativas estaduais.

Com as composições das administrações que se anunciam, os planos ultraliberais que se articulam e os projetos de emendas constitucionais e leis infraconstitucionais que se delineiam, as correntes conservadoras de extrema-direita e de direita se empenham em aprofundar sua vitória, causando prejuízos graves e duradouros às instituições e ao regime democráticos, à soberania e ao patrimônio nacionais e aos direitos sociais dos trabalhadores.

Seus planos e esforços não devem ser subestimados, pois tendem a consolidar o fim de um ciclo de mudanças progressistas e a representar uma grave regressão na trajetória histórica de nosso país, assumindo o sentido de uma virada estratégica e não apenas tática.
 
Para conter essa reversão e retomar os avanços progressistas interrompidos, as correntes de esquerda e de centro precisam, em primeiro lugar, enfrentar, com coragem política e responsabilidade autocrítica, as causas da derrota que sofreram. Entre essas causas, há o inegável e devastador impacto dos delitos de corrupção ativa e passiva cometidos por empresários e políticos de vários partidos, inclusive de centro e de esquerda, impacto sentido notadamente pelas camadas médias urbanas, mas também por significativos setores de caráter mais popular.

As correntes de esquerda e de centro precisam, além disso, alargar a autocrítica para os erros de orientação, alianças e métodos em que incorreram, principalmente o Partido dos Trabalhadores, hegemônico na maior parte do ciclo recente de mudanças progressistas. Por que o extenso apoio obtido pelo PT durante duas décadas se converteu tão rapidamente em onda antipetista tão arraigada e raivosa?
 
Identificados esses delitos e erros, as correntes de esquerda e de centro precisam, em segundo lugar e urgentemente, reaproximar-se dos trabalhadores assalariados e autônomos, urbanos e rurais, adultos e jovens, dos gêneros masculino e feminino, brancos e negros, religiosos ou não, assim como da juventude estudantil, das minorias perseguidas por sua orientação sexual e de pequenos e médios empresários progressistas e discriminados.

Reaproximando-se desses setores sociais, principalmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, precisam ouvi-los, ajudá-los a recuperar a autoconfiança e a organizar-se para reagir em defesa das conquistas históricas que as correntes de extrema-direita e de direita procuram subverter e para retomar a luta ativa pelas transformações democráticas e progressistas interrompidas.
 
As correntes de esquerda e de centro não podem continuar evitando a autocrítica de seus delitos e de seus erros e restringindo-se a um debate de rumos e a reajustes políticos apenas em seus círculos dirigentes. Do contrário, o Brasil enfrentará um prolongado retrocesso histórico, distanciando-se do país democrático, soberano e socialmente mais justo sonhado nessas últimas décadas e afastando-se mais ainda de qualquer perspectiva socialista que pudesse consolidar e aprofundar esse sonho.

Duarte Pereira é jornalista.

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