O futuro da esquerda depende de saber onde errou

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Sem descartar as mais diferentes análises produzidas por pensadores de esquerda sobre a atual situação política do Brasil, muitas com fundamentos da maior pertinência e relevância, eu creio que o entendimento correto da realidade depende, em grande parte, a nossa resposta à seguinte questão:
Como é possível que as forças conservadoras e de direita tenham se fortalecido tanto durante os governos considerados progressistas e de esquerda?
 
Ou esses governos não foram tão progressistas e nem tão de esquerda como muita gente pensou ou cometeram erros na gestão política e administrativa que contribuíram para fortalecer muito mais a oposição conservadora e de direita do que a situação progressista e de esquerda. Quais seriam as outras possibilidades? Se quisermos ter maior protagonismo e maior inserção na sociedade, precisamos saber sem medo da verdade e com total clareza “onde foi que erramos”.

Mesmo que se reconheça que a onda conservadora e de direita é um fenômeno internacional que atingiu vários países ricos e pobres, que tem a ver com as consequências nefastas da globalização neoliberal e a crise de 2008, o fato é que a situação brasileira também não escapa dos fatores nacionais, tem tudo a ver com problemas locais decorrentes dos projetos políticos que tivemos desde a Constituinte de 1988 e a primeira eleição direta para a Presidência da República em 1989.
 
Desmandos

Outra possibilidade é inverter o raciocínio: reconhecer que diante dos desmandos dos governos Lula e Dilma, que o PT desprezou e deixou de dar as devidas explicações para a sociedade, cidadãs e cidadãos brasileiros frustrados e descontentes com o lulismo passaram a procurar novos espaços de expressão política, o que fortaleceu a rebeldia popular sem necessariamente ter vinculação a uma ideologia de direita ou fascista, mas decisivamente de oposição às bandalhices e embromações do PT, com consequências negativas para todo o campo da esquerda.

Mesmo que se considere que o deputado Jair Bolsonaro tenha realizado um trabalho político pelo Brasil afora, com contatos e visitas, e tenha conquistado muita simpatia nas redes sociais, e tenha faturado com a grande greve dos caminhoneiros, o fato é que ele só se tornou um candidato viável quando radicalizou a postura anti-Lula. Ele não era, pelo menos até o começo do processo eleitoral, a principal liderança para disputar contra o lulismo, já que outros candidatos (Geraldo Alckmin, Ciro Gomes, Marina Silva etc.) dispunham de partidos, articulações e estruturas de sustentação muito mais sólidas do que a dele.

No decorrer da campanha o sentimento popular acabou tombando para cima do candidato do PSL por ele explorar no marketing o extremo oposto do lulismo e do petismo. Não foi Bolsonaro que conquistou a massa com seu “carisma”, foi a massa que escolheu Bolsonaro para descarregar seu descontentamento. Não dá para dizer que mais de 50% dos brasileiros comungam com o autoritarismo e o ultraconservadorismo de Bolsonaro. Mesmo porque a maioria desses eleitores até pouco tempo atrás estava com Lula e candidatos do PT.
 
Descontentamento

A revolta está presente na sociedade antes da opção Bolsonaro aparecer, pelo menos desde as grandes manifestações de 2013. O descontentamento só não elegeu Aécio Neves em 2014 porque muitas forças do centro democrático, da esquerda e também das velhas oligarquias se juntaram para reeleger a chapa Dilma-Temer. A frustração voltou a crescer logo em seguida quando a presidente colocou um ministro da Fazenda neoliberal, cortou direitos sociais e perdeu o controle da economia, com desemprego, inflação e juros em alta. Sem respaldo no Congresso e na sociedade, com aprovação de apenas 9%, Dilma sofreu impeachment acachapante.

Seria grande erro atribuir que a escolha de Bolsonaro tenha viés predominantemente ideológico, que se trata de anticomunismo ou antiesquerda. O que define essa eleição é um basta aos desmandos praticados nos governos do PT e um basta à arrogância do lulismo.

Não colou a versão do golpe e da perseguição ao Lula e ao PT. Não colou a versão de que Fernando Haddad é o salvador da democracia brasileira. O eleitorado está tão revoltado com as manobras do lulismo que prefere correr o risco de ter um desvairado reacionário na presidência da República do que ter a volta de Lula no comando do governo.

O recado do eleitorado é claro: tirar o lulismo do caminho agora e depois ver como lidar com Bolsonaro. Aparentemente o sentimento popular não está preocupado com o fascismo, talvez porque não tenha muito claro o que venha a ser fascismo. Também não está se importando com as mais mirabolantes propostas e temas polêmicos do candidato. O fio condutor do voto é não deixar o Lula e sua turma reassumirem o Palácio do Planalto. A maioria despeja voto em Bolsonaro porque ele é a alternativa disponível no momento.

Está claro que a campanha de Bolsonaro despertou milhares de múmias, tirou trogloditas das cavernas, animou tropas sedentas de sangue e colocou no palco da disputa eleitoral o verdadeiro circo de horrores que compõe a extrema direita brasileira, essa sim muito perigosa e danosa ao país, mas que permanecia entocada e contida desde o processo de democratização nos anos 1980.
 
Oposição de esquerda

Compete agora à esquerda fazer a leitura correta das eleições de 2018, refletir bem sobre como vai fazer oposição a essa extrema direita desatada e atuante, o que pretende fazer com os escombros do lulismo. O PT continua devendo verdadeira autocrítica ao povo brasileiro. Se continuar com a mistificação do Lula significa que não escutou a voz das urnas. Os partidos e movimentos da esquerda socialista precisam traçar caminhos com autonomia e independência, rediscutir programas e estratégias e, principalmente, demarcar suas diferenças com o lulismo.

Tudo indica que vamos enfrentar um período bastante difícil. É preciso acreditar que a grande maioria do povo não ficará atrelada à direita por muito tempo. As contradições do capitalismo neoliberal tendem a aparecer com mais visibilidade. O descontentamento vai se voltar contra o bolsonarismo. Chegou o momento de a esquerda socialista se reorganizar e fincar raízes nas lutas dos trabalhadores para enfrentar os novos e poderosos adversários do povo brasileiro.

A luta continua: sempre por um Brasil justo, igualitário, livre, soberano e democrático.

Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor.

Comentários   

+1 #2 lulaminions?Gabriel Brito 23-10-2018 20:21
Paulo, seu comentário completamente estúpido é mostra de que o fim do PT não deve ser algo tão ruim assim pra gente, pros trabalhadores e pro povo brasileiro. Nada de bom a dizer, exceto vender o outro como demônio. É um espelho distópico demais essa eleição mesmo. E covenhamos, quem quer mesmo "ele" lá é justamente o PT, ou vc não acha corpo mole demais essa campanha de segundo turno? Tá só um pouco pífia a ação das militâncias e bases sociais e sindicais. Não só nem cogita a autocrítica como agride de forma completamente desvairada os únicos que ainda podem salvar o lombinho do seu amado partido. Acho que minions é uma alcunha que lhes cabe bem também, cada vez melhor.
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+1 #1 A culpa é do Lulismo ?Paulo Rais 23-10-2018 18:22
Ridículo...analise cretina e calhorda...o fim do PT ?
Vota nele então....Autocritica...? igualzinho a direita fascista.
Vai estudar rapaz...
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