Crescimento de Bolsonaro mostra inutilidade da campanha do voto útil

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Negar que o cenário eleitoral é preocupante, mais que um erro, é uma estupidez. Porém, o pânico e o desespero por conta de pesquisas que captam a superfície da realidade nacional não são bons conselheiros. Esta eleição é parte de uma guerra prolongada, que começou com o processo do impeachment de 2016. Afinal, não foi para ver seu projeto econômico ser derrotado que eles fizeram a Operação Lava Jato, deram o golpe e excluíram o ex-presidente Lula da disputa.

Diante do possível fracasso da candidatura arquitetada pelos promotores do golpe, a mídia (TV Record, de Edir Macedo, Grupo Globo, Datena), o Poder Judiciário “com Supremo com tudo”, e grande parte do “mercado” resolveram, na falta de opção mais confiável, dar uma força para o candidato Jair Bolsonaro (PSL). Danem-se as aparências. Eles são profissionais e não iriam permitir que a última semana do primeiro turno começasse sob o impacto das extraordinárias manifestações das mulheres.

A maior manifestação de massas contra um candidato na história do país foi equiparada pela mídia as carreatas pró-Bolsonaro. O juiz Sergio Moro voltou a atuar como cabo eleitoral das candidaturas golpistas tornando públicas partes da delação premiada na qual o ex-ministro da Fazenda petista Antonio Palocci afirma que o ex-presidente Lula sabia dos esquemas de corrupção na Petrobras.

Para agravar a situação, as lideranças do PT, PDT e PCdoB, os maiores partidos entre os que se opuseram ao golpe parlamentar, jurídico e midiático, estabeleceram todas as suas estratégias baseadas somente em previsões eleitorais.

A disputa entre eles para conquistar aliados golpistas e a despolitizadora e inútil pregação pelo voto útil no primeiro turno, na prática, ajudaram o candidato da extrema-direita. Mesmo porque Ciro Gomes passou a adotar os mesmos argumentos da direita contra o PT. No ápice do seu destempero, criticou a manifestação das mulheres. Talvez imagine que o combate ao crescimento do neofascismo se dará nos debates da TV.

Já o PT, que possui o segundo maior tempo de TV e o apoio da maioria dos movimentos sociais, prisioneiro de seu programa de conciliação com o capital, vive do passado apostando no slogan o “Brasil Feliz de Novo”, para não se comprometer com propostas que realmente enfrentem o sistema econômico e político.

O jogo ainda não acabou. Ainda é possível virar. Se continuarmos enfrentando os neofascismo e o retrocesso nas ruas com a mais ampla unidade de ação. E na eleição neste primeiro turno votando para fortalecer as propostas que enfrentam o sistema econômico e político. Única maneira possível de se combater a obscena desigualdade social brasileira.

Para continuar a luta pela derrubada deste muro que separa o povo trabalhador e a juventude de seus direitos, votemos nas candidaturas da coligação PSOL, PCB, MTST e APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil). São lutadoras e lutadores que assumiram a tarefa de sustentar propostas que não terminam no dia 7 de outubro, fazem parte de um projeto político para uma geração.


Paulo Pasin é metroviário e ex-presidente da Federação Nacional dos Metroviários.
 

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