Eleições: romper as bolhas virtuais e reais

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No dia 16 de agosto começa oficialmente a campanha eleitoral. Uma eleição cheia de vícios e, sem dúvida, a mais antidemocrática após a queda da ditadura militar. Baseada numa lei eleitoral votada por este Congresso dominado pelas bancadas da bala, do boi e da Bíblia. Com regras feitas para facilitar suas reeleições e dificultar a ascensão de lideranças do movimento popular e da juventude.

O primeiro debate entre os candidatos a presidente da República foi a máxima expressão de uma eleição adulterada. A exclusão do ex-presidente Lula do debate da Band, sem que causasse um grande questionamento na sociedade, e a confissão dos desembargadores do TRF-4 de que burlaram a lei para manter o ex-presidente preso demonstram que o “mercado” deu mais um passo em direção à legitimação do golpe por meio da eleição.

Como se tudo estivesse normal, tentam naturalizar a ausência do ex-presidente da disputa eleitoral para facilitar o caminho dos “50 tons de Temer”, a fim de continuar a jogar todo o peso da crise sobre as costas da classe trabalhadora e do povo pobre.

A revogação de todas as medidas adotadas pelo impopular governo Temer é uma batalha crucial de todo o povo brasileiro para salvar nosso país da barbárie. Só alcançaremos este objetivo com muita unidade de ação, mobilização de ruas, greves, ocupações, atos públicos e manifestações culturais, ou seja, na luta direta.

Mas isto não significa que devemos nos abster ou fazer “corpo mole” na campanha eleitoral. Negar a importância da disputa de opinião, valores e princípios nestes cerca de 50 dias em que a população mais debate política, mesmo em um terreno adverso e controlado pelo poder econômico, deixa o campo livre para que as ideias mais retrógradas, antipopulares, preconceituosas, racistas, machistas e homofóbicas dominem o cenário eleitoral e se consolidem na sociedade.

Basta imaginar o debate da Band sem a presença do Guilherme Boulos. Neste domingo, 12 de agosto, a Folha publicou que “o presidente Michel Temer pediu a auxiliares que coloquem a reforma da Previdência como item prioritário da pauta da transição de governo. O emedebista disse ainda ter esperança de, a depender de quem for eleito, voltar a discutir o tema logo depois do pleito de outubro”.

Mais claro impossível. O próprio Temer admite que a vitória de um dos seus “tons” é fundamental para a retomada da votação da reforma da Previdência, que a classe trabalhadora impediu de ser aprovada graças à greve geral que realizamos em 2017.

Mãos à obra!

Neste período de pré-campanha, as atividades com Guilherme Boulos e Sonia Guajajara, com candidaturas majoritárias e proporcionais do PSOL e PCB em todo o Brasil, empolgaram muita gente, demonstrando que é possível uma política que rompa com a lógica deste sistema cruel e absolutamente desigual.

Uma política que não admite alianças com os partidos golpistas, como o Centrão do Eduardo Cunha, Valdemar Costa Neto, Rodrigo Maia e com MDB de Temer, Renan e Eunício, como estão fazendo PT, PCdoB e PDT em vários estados.

A única aliança que pode mudar a realidade brasileira, enfrentar os interesses do capital, defender transformações estruturais, é com o povo que batalha para sobreviver.

É uma campanha eleitoral de poucos dias. É preciso arregaçar as mangas e OCUPAR os espaços políticos como o PSOL e PCB com Boulos e Sônia vem fazendo, sair da zona de conforto das polêmicas à esquerda, romper as bolhas virtuais e reais, para falar de política com o conjunto do povo pobre, que são os mais atingidos pela avalanche midiática. Sem medo de enfrentar temas que são tabus, dialogando com os que estão desiludidos, com toda razão, com esse sistema político.

A radicalidade da candidatura de um jovem líder do movimento de moradia e de uma mulher indígena, com um programa de esquerda, elaborado de baixo pra cima, a partir de milhares de contribuições, sintetiza uma ideia que transcende a disputa do voto. Por isso, tem gerado tanta esperança, em especial na juventude.

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Paulo Pasin é metroviário e colunista do site Esquerda Online.

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