Só mais um feriado: nunca os trabalhadores viveram tão mal e inseguros

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Chicago, 1886: jornadas de protesto como esta estão na origem do Dia do Trabalho

O Dia do Trabalho passou a ser data importante no calendário político brasileiro durante o getulismo.

Era no 1º de maio que o ditador Vargas, seguindo as pegadas do fascista Mussolini, anunciava medidas benéficas aos trabalhadores, que tinham o efeito colateral de satelizar o sindicalismo ao governo e reduzir a influência comunista nas fábricas.

Medidas como a instituição do salário-mínimo, seu reajuste anual, a redução da jornada de trabalho para oito horas, a promulgação das leis que garantiram direito de férias e aposentadoria etc.

Um 1º de maio raivoso foi o de 1968, quando os opositores moderados da ditadura convenceram o governador paulista Abreu Sodré de que ele seria bem recebido na manifestação dos trabalhadores na Praça da Sé. Os sindicalistas do ABC e de Osasco não concordaram e, quando Sua Excelência começou a discursar, uma nuvem de pedras voou em sua direção.

Com um filete de sangue escorrendo pela testa, Sodré escafedeu-se para a Catedral da Sé, sem o mínimo respeito pela dignidade do cargo (o presidente francês Charles De Gaulle, quando caçado pelos terríveis terroristas da OAS, mantinha-se imperturbável enquanto os disparos zumbiam a seu lado, deixando a tarefa de salvá-lo inteiramente a cargo dos seguranças).

Veio o AI-5 e o terrorismo de Estado inviabilizou as manifestações de protesto de trabalhadores até 1978, quando mais de 3 mil metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP) fizeram do 1º de maio uma comemoração do renascimento do movimento sindical independente.