A eminência parda

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O Brasil é governado por uma eminência parda chamada Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central no governo Lula e atual ministro da Fazenda do governo Temer. Antes de assumir cargos públicos, ele fez carreira no mercado financeiro, ocupando cargos executivos e chegando à presidência do BankBoston. No governo ele é justamente o representante do setor financeiro, o mais forte, aquele que dá as cartas no capitalismo contemporâneo.
   
A sua presença no governo é determinante. Sem ele, Michel Temer, provavelmente, já teria sido defenestrado. Os oligopólios econômicos e o imperialismo contam com Meirelles para verem aplicada a política econômica que retira os direitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores brasileiros, privatize o que interessar ao mercado e reduza drasticamente os investimentos sociais. Todas essas medidas fazem parte do receituário neoliberal para aumentar os lucros das megaempresas diante da crise crônica do capitalismo.
     
Em meio à crise política que se arrasta com o envolvimento do presidente Temer e dos seus ministros em diversos escândalos de corrupção, o fiel da balança é Meirelles. Mesmo tendo sido presidente do conselho consultivo da J&F de Joesley Batista, entre 2012 e 2016, Meirelles não sofreu qualquer abalo quando seu ex-sócio detonou o presidente com as gravações das conversas mantidas na residência presidencial. Enquanto Temer, cada dia mais patético e desgastado, é refém da sua base política fisiológica no Congresso, nada parece afetar o poder e a influência do seu homem forte da economia.
     
Recordemos um episódio nebuloso ocorrido no governo Lula, o único que, de forma muito estranha, não foi objeto de qualquer investigação: a compra, pelo Banco do Brasil, de metade das ações do banco Votorantim, um banco praticamente falido e que durante anos deu enormes prejuízos ao BB. Esse negócio, altamente lucrativo para uma das famílias mais tradicionais da burguesia paulistana, foi chancelado por Lula e Meirelles, tendo como executor o ex-presidente do BB, Aldemir Bendine.
     
Apesar de a economia brasileira viver um período de estagnação, com o desemprego e o subemprego alcançando mais de vinte milhões de trabalhadores, serviços públicos essenciais em colapso, pequenas e médias empresas sucumbindo todos os dias, ainda assim, o oligopólio midiático não se cansa de propagar que sob a liderança do ministro da Fazenda a economia está em franca recuperação. Os números são torcidos e distorcidos na tentativa de convencer os brasileiros de que o receituário neoliberal vai retirar o país da crise e nos levar a uma era de prosperidade.
     
Em repúblicas como a nossa, figuras como Henrique Meirelles são mais comuns do que parece, afinal, a democracia burguesa serve justamente para isso, dar a impressão que a sociedade como um todo decide seus rumos políticos e econômicos, quando na verdade são os donos do capital que, nas sombras, decidem e governam de acordo com seus próprios interesses.

Ney Nunes é membro do PCB.    

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