Lula, Dilma, Temer e Aécio: "encalacrados unidos jamais serão vencidos!"

0
0
0
s2sdefault

Os advogados de Lula, Dilma, Temer e Aécio articulam o lançamento de um manifesto conjunto para questionar as ilegalidades cometidas pelo Judiciário e o Ministério Público no combate à corrupção.

Dramatizando um pouco, pleitearão o fim do Estado de exceção. Mas têm toda razão ao denunciarem que não podem cumprir plenamente seu papel de defensores quando vários dispositivos legais que protegem os réus estão sendo atropelados pela cruzada moralista em curso.

Como era facílimo de prever, foram o fracasso e a desmoralização do complô para derrubar o presidente da República, encabeçado pelo perturbador-geral da República e pelas Organizações Globo, que deram o impulso final na articulação.

Cantei esta bola. A Operação Lava Jato parecia ao cidadão comum uma iniciativa não conspurcada pela sórdida politicalha ambiente, daí o apoio entusiástico que recebia, principalmente da classe média. Mas ao instrumentalizá-la, cometendo um sem-número de arbitrariedades para viabilizar uma delação premiada flagrantemente direcionada para uma finalidade política (e golpista, ainda por cima!), Rodrigo Janot colocou um ponto de interrogação na cabeça de todos que são capazes de somar 2+2 e encontrar 4.
 


Pergunta que não quer calar: o que a Globo almeja com o golpe?

Como sempre, a Globo superestimou o poder de persuasão de suas manipulações da opinião pública, que só funcionam bem com os videotas, conforme a irônica designação do escritor Jerzy Kosinski.

A coisa deu tanto na vista que o Supremo Tribunal Federal já pisou no freio, ao impedir que o senador Aécio Neves continuasse sendo arbitrariamente impedido de exercer o seu mandato, pois tal medida só poderia ser tomada pelo próprio Senado, jamais por um ministro do STF em decisão monocrática.

O resultado da lambança foi o ministro Edson Fachin receber uma verdadeira aula do seu colega Marco Aurélio Mello sobre as prerrogativas dos Poderes numa democracia burguesa. E, para completar o estrago, o procurador Deltan Dallagnol deitou falação sobre a fantasiosa possibilidade de o Super-Aécio, com liberdade de ação, "articular o fim da Lava Jato", tendo recebido um merecido cala boca do advogado do senador, que o acusou de praticar "terrorismo" para intimidar o STF.

Também não há dúvida de que as denúncias da família do homem da mala, segundo as quais Rodrigo Rocha Loures estava sendo mantido em condições carcerárias típicas de masmorras medievais como uma forma de coagi-lo à delação premiada, foram o motivo do recuo de Fachin.

Aliás, sua decisão de libertá-lo sugere que, após ser publicamente desagravado pelos outros ministros conforme o figurino corporativista, ele pode muito bem ter sofrido um enquadramento nos bastidores, para não continuar servindo de despachante para o Janot.

 
Não se deve confiar em presente de grego nem em afago do Janot

O certo é que a Operação Lava Jato marcha para o desfecho costumeiro das tentativas de erradicar-se a corrupção sob o capitalismo com medidas policialescas: a onda passa e o statu quo ante é, pouco a pouco, restabelecido, até que a roubalheira se torna ostensiva demais e novo ciclo começa. É uma versão na vida real da História Sem Fim ficcional...

Mas, a ilusão serve para conservar os contingentes mais amplos da população entretidos demais com miragens para perceberem o oásis que existe por trás delas: a corrupção pode, sim, ser extirpada, desde que se lance toda a artilharia contra o verdadeiro inimigo, o capitalismo.

Pois, enquanto os seres humanos forem tangidos a buscarem, acima de tudo, enriquecimento pessoal, poder, status e privilégios, sempre haverá mais espertos ou mais ousados encontrando atalhos para atingirem o objetivo à margem das leis vigentes.

Mas, se a prioridade máxima passar a ser o bem comum e incentivar-se, acima de tudo, a cooperação de todos para a felicidade de todos, aí a corrupção perderá sua razão de existir.

Leia também:

Brasil está atado pela ilegitimidade das instituições e inércia de uma esquerda antidemocrática

“Pezão não tem a menor condição de continuar no governo do RJ”

“Diretas Já são muito pouco diante das nossas necessidades”

“Ao aprofundar seu programa, classes dominantes aprofundam a própria ingovernabilidade do Brasil” - entrevista com o economista José Antônio Martins

"É preciso anular todos os atos do governo Temer"

Para além da corrupção: “os próximos tempos serão de intensificação da política e das disputas ideológicas” - entrevista com o sociólogo Léo Lince

Resistências às propostas do governo Temer terão de derrubar os muros da esquerda

Lei da Terceirização: “vai ser normal trabalhar e não receber”

“As bases impuseram a greve às centrais sindicais, não o contrário”

Depois da greve geral, uma terça-feira para cair na real

"O atual arranjo dos poderes brasileiros está altamente refratário à democracia"

‘Se houvesse debate no país, não sobraria argumento a favor dessa Reforma da Previdência’

Celso Lungaretti é jornalista.

Blog: Náufrago da Utopia.

Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.

Relacionados