Uma breve história política da Somália

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Raphael Sanz, da Redação

Bandeira da Somália

No último dia 14 de outubro aconteceram duas explosões na capital da Somália, Mogadíscio, que deixaram mais de 300 mortos e dezenas de feridos. O atentado, atribuído pelo governo somali ao grupo jihadista al-Shabaab, ainda não foi reivindicado pelo mesmo, nem por qualquer outro grupo militante dissidente, e ocorreu em dois atos: o primeiro caminhão-bomba explodiu nas imediações do Hotel Safari e o segundo no bairro Medina, algo como o centro antigo/histórico da cidade.

Na quarta-feira seguinte (18), milhares de pessoas tomaram as ruas de Mogadíscio em protesto contra tamanha brutalidade. Segundo os organizadores foi o maior protesto já visto no país. E também houve forte repressão. Os manifestantes queriam chegar ao local dos ataques, mas a polícia somali não permitiu, abrindo fogo contra a multidão que se aproximava.

No sábado seguinte (21), o presidente da Somália, Mohamed Abdullahi “Farmajo” convocou um ato no Estádio Mogadíscio – inaugurado em 1978 com capacidade para 65 mil pessoas. Segundo apuração do El País, Farmajo pediu à população que se alistasse ao exército para “libertar o país”.


Manifestação convocada pelo presidente Farmajo no Estádio Mogadíscio.
Créditos de Mohamed Abdiwahab (AFP)

Farmajo assumiu o cargo de presidente em fevereiro deste ano prometendo estabilidade a um país devastado por vinte anos de guerra civil e que tem de lidar com problemas estruturais graves como a fome, a seca, a malária, a cólera e a pirataria nos seus mares.

Já o grupo al-Shabaab, a quem Farmajo atribui os caminhões-bomba do último dia 14, é um movimento jihadista que atua no país desde 2007 e do qual se suspeita que haja forte ligação com grupos estrangeiros, em especial grupos wahabistas como a Al Qaeda (aqueles que o “democrático” Reino da Arábia Saudita nutre mundo afora com infraestrutura e dólares). E, como podemos observar na foto abaixo, ainda que não saibamos ler em árabe, há uma estética muito semelhante entre a bandeira da União das Cortes Islâmicas, adotada pelo al-Shabaab, e a do Estado Islâmico.