Democracia é quando eu mando

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Resultado de imagem para governo  arabia saudita
A realidade venezuelana coloca em pauta uma discussão sobre democracia, no continente e no mundo. Porque é patente a flexibilidade de critérios usados pela mídia conservadora para definir regime político no planeta.

Termina prevalecendo, por imposição ideológica da hegemonia conservadora na mídia mundial, o conceito de democrata para os governos que se filiem de forma incondicional ao jogo especulativo dos ditos “mercados”. Os de economia “aberta”, desregulamentada, com reduzido controle de leis trabalhistas, essas “atrasadas".

Ou seja, toda intenção planificadora com perspectiva de atendimento das demandas que atenuem as desigualdades sociais crescentes, como é o caso dos programas ensaiados pelos projetos bolivarianos, passa a ser ponto de partida de um “autoritarismo populista”.

Não assusta os neoliberais dominantes nas “consultorias”, “análises" ou “colunas especializadas", que um governo seja corrupto, medieval, pró-nazista, se tal governo estimular a libertinagem manipulada das mesas operativas dos diversos “livres mercados” que permitem a maganos de todo o planeta darem as cartas sobre governos e instituições internacionais 24 horas por dia.

O que assusta é a existência de governos que pretendam medidas mais severamente controladoras dessa manipulação; governos voltados para investimentos que se estabelecem a partir de recursos obtidos por receitas tributárias progressistas e democráticas - onde quem ganha mais não tenha direito a isenções e pague mais -, pois esses serão os que porão em risco os privilégios do grande capital. Como se, do sucesso deste, dependesse a geração de empregos, e não o contrário, como se dá na vida real.

É o caso da Venezuela, como já foi o de Cuba, diante da reação brutal da mídia reacionária contra os resultados expressivamente favoráveis ao chavismo, no recente processo eleitoral, a despeito de pesquisas anteriores que garantiam possibilidade de avanços a uma oposição que essa mesma mídia reconhecia estar sem eixo dirigente ou aglutinador.

Mas dane-se a realidade. A vontade tem que se impor à verdade. Não valem os votos nas urnas, pois o que determinaria a validade do processo seria a confirmação de pesquisas por institutos privados, quase todos ligados e dependentes dos grandes capitais interessados na liquidação do chavismo. Essas, sim, seriam as informações válidas, contra a “fraude” dos votos nas urnas - materiais, conferíveis.

Constata-se a distorção criminosa nas páginas da seção internacional do boletim da direita mais reacionária do Brasil; o mesmo boletim que abre página semanal para um artigo em amplo espaço onde um jornalista saudita canta loas aos “avanços" na medieval, corretora e repressiva monarquia do seu país, por ter permitido enfim que as mulheres também pudessem dirigir automóveis (não sem alguns condicionantes patriarcais).

Encantam-se com o novo primeiro-ministro da Áustria, um nazista redivivo, por conta do charme pessoal e do penteado refinado.

Dobram-se aos abusos do governo racista, religioso e opressor do sionista Netanyahu, e jogam para baixo do tapete as denúncias de corrupção ativa que assolam tanto a diretora do FMI quanto o reacionário Macri, pois afinal este conseguiu sacar Cristina Kirchner da chefia de governo na Argentina.

São parciais e fraudulentos na manipulação da informação que usam e distorcem como lhes apraz; tudo em nome da liberdade de expressão. Uma “liberdade" que só é garantida aos que rezam pela sua própria cartilha.

Milton Temer é jornalista e ex-deputado federal.

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