Catalunha: o “sim” já não é independentista, agora é antifascista

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A Espanha deu hoje os passos definitivos para se tornar uma ditadura. A sede do partido de esquerda e independentista CUP foi invadida pela Guarda Civil ao mesmo tempo em que a sede do governo catalão (a sede do Departamento de Vicepresidencia, Economía y Hacienda) foi invadida e funcionários foram presos por levar adiante o referendo aprovado com votos da maioria do Parlament Catalão e apoiado pela maioria absoluta da população da região e futuro país.

Foram, até o momento da finalização deste artigo, 12 detidos. 12 políticos e funcionários públicos agindo dentro da lei catalã e contra a ditadura Espanhola. Uma funcionária da vice-presidência foi detida enquanto levava seus filhos à escola. A Guarda Civil, chamada de "Forças de Ocupação" pela população local, confiscou milhares de panfletos convocando a população para votar no referendo pela independência da Catalunha em uma das sedes da CUP - em uma invasão sem sequer ordem judicial, segundo informou o fotojornalista Jordi Borràs no Twitter.

O President da Generalitat (governo) Catalã, Carles Puigdemont declarou em coletiva de imprensa que a autonomia catalã foi suspensa de facto em uma "atitude totalitária" do governo e da justiça espanhola. Ele acrescentou que não irá aceitar "o retorno aos tempos escuros (da Ditadura Franco). O governo catalão apoia a liberdade e a democracia".

O referendo pela independência da Catalunha está marcado para 1 de outubro e foi aprovado por ampla maioria no parlamento local apesar das ameaças (agora tornadas realidade) vindas da Espanha, que considera tal decisão ilegal - pese o apoio absoluto da população catalã (mais de 70%, mesmo entre os que votarão "não") e inclusive o alto apoio (acima dos 40%) da população da própria Espanha.

Na semana passada mais de 700 prefeitos da maior parte das cidades da Catalunha foram intimados a comparecer à justiça para declarar sobre o documento que assinaram apoiando o referendo, considerado ilegal pela Espanha, e garantindo que organizem a votação em suas cidades. Os primeiros a declararem optaram por permanecer em silêncio e à população reafirmaram sua vontade de respeitar a vontade da maioria.

Milhares de pessoas se mobilizaram diante das sedes invadidas pela Guarda Civil espanhola tentando impedir as prisões e ações claramente antidemocráticas e contrárias à maioria da cidadania, assim como manifestações por toda região foram convocadas em repúdio contra a possibilidade da imposição sem disfarces de uma ditadura que irá silenciar, violentar e mesmo brutalizar a Catalunha.

A prefeita de Barcelona, que até o momento se mantinha reticente sobre apoiar ou não a realização do referendo na capital e maior cidade do país, demonstrou preocupação e revolta em sua conta do Twitter contra o que chamou de "escândalo democrático".

Mesmo a presidente das Ilhas Baleares, a socialista Francina Armengol, que pertence ao PSOE, partido que se opõe ao referendo, declarou que as ações de hoje "ultrapassam uma linha vermelha" e que o caminho é o diálogo e não o uso de forças policiais. São esperadas mais declarações de lideranças políticas nesta quarta.
Hoje mais que nunca a defesa do referendo catalão e do voto no SIM é uma questão, para além da soberania, antifascista

É contra a ditadura. E diversas lideranças catalãs já deixaram claro que irão seguir adiante com o referendo e na defesa do direito de autodeterminação do povo catalão independentemente da pressão, reação e violência espanhola.

Tradução de tuíte do estudante de ciências políticas @vergesito

Raphael Tsavkko é jornalista brasileiro radicado no País Basco.

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