altComo é possível, com a caracterização da “expansão do capitalismo” como “modelo de consumo restrito à classe média (no) processo de industrialização”, pretender acusar “os limites do economicismo marxista”?

altA Tolice da Inteligência Brasileira acerta em parte quando diz que a “procura de um modelo para a sociedade brasileira” tem que realizar uma “análise correta dos padrões culturais que se tornaram dominantes”. Mas erra quando afirma que tal análise “teria que se concentrar na escravidão”.

altO centro do ataque de A Tolice... contra a Inteligência Brasileira consiste em demonstrar que no Brasil não ocorreu qualquer tipo de “patrimonialismo”, uma das condições que teriam levado a Europa Ocidental e os Estados Unidos a ingressarem no capitalismo.

altJá vimos que “nossa” indústria está muito menos desenvolvida do que a dos capitalismos avançados. Além disso, a maior parte da indústria presente no terBrasil é propriedade de corporações estrangeiras. O mesmo acontece com grande parte do comércio e dos serviços.

altNão se pode aceitar que a colonização do Brasil foi realizada no “horizonte de expansão do capitalismo”, bem antes que o capitalismo houvesse surgido como modo de produção, circulação e distribuição. Mesmo porque isso impede que se examine a singularidade das relações de produção após a libertação dos escravos.

altApesar de tudo que já existe sobre o desenvolvimento capitalista no Brasil, o livro A Tolice da Inteligência Brasileira considera que o “núcleo da concepção do Brasil como uma sociedade moderna” permaneceria “não discutido”.

altO argumento de Jessé Souza contra a “análise patrimonialista”, aplicada “ao Brasil contemporâneo”, tem por base a suposição de que tal “patrimonialismo, ou a existência de um estado forte” não teria se contraposto “ao desenvolvimento norte-americano”.

altSe prestarmos atenção às discussões que continuam dividindo e embolando tanto os “marxistas” quanto “weberianos”, “keynesianos”, “shumpeterianos”, podemos sugerir que ainda há um vasto caminho a percorrer.

altO problema consiste em supor que o economicismo se resume a “imaginar que, para além da troca de mercadorias e do fluxo de capitais, não existe mais nada em comum entre as sociedades modernas capitalistas na dimensão simbólica e não econômica”. Como se “global” fosse somente isso.

altO crescimento da luta de classes pela reforma agrária e contra a desnacionalização da economia brasileira foi o acicate para a reação conservadora e reacionária e para o desencadeamento do golpe militar de 1964.

altWeber não soube distinguir as “singularidades” Ocidental e Oriental por haver utilizado o frágil “economicismo” da “economia monetária”. Incongruências que, apesar dos esforços de Jessé Souza, apontam que o problema não está na leitura incorreta de Weber, mas no próprio Weber.

altSe as convicções de policiais, procuradores e juízes se tornarem norma jurídica, da mesma forma que o domínio de fato, o Brasil realmente vai ingressar por um caminho ainda mais cavernoso.