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Argentina: crise econômica, luta com os “abutres” e greve geral proforma Imprimir E-mail
Escrito por Roberto Ramírez, de Buenos Aires para o Correio da Cidadania   
Terça, 26 de Agosto de 2014
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Nos últimos dias, a crise econômica se aprofundou na Argentina e, ao mesmo tempo, as tensões políticas e sociais. Nessas tensões, foram apontados como fator importante alguns duros conflitos trabalhistas, em que a esquerda vem desempenhando um papel importante. Tais como têm sido os casos das fábricas de autopeças Gestamp (com o Novo MAS) e Lear (com o PTS), e também outros estabelecimentos. Nesta situação, um setor opositor da burocracia sindical (liderado pelo burocrata de Caminhoneiros, Hugo Moyano) chama para uma greve nacional de 24 horas, para a próxima quinta, 28.

 

“Arbritragem” do governo, em meio ao agravamento da crise econômica

 

A crise avança conforme vai se consolidando o default seletivo da dívida externa e os “atores econômicos” percebem que não conseguirão financiamento externo, tudo isso no meio de uma situação de extrema escassez de divisas.

 

E é aí onde se instala o enésimo capítulo da luta com os “fundos abutres”. A nova iniciativa do governo de tentar uma abertura das trocas para que entrem novos redutos (uns 7% do total de credores) e uma mudança na jurisdição dos bônus da dívida, para que o juiz Griesa, em Nova York, não possa inibi-los: buscaria efetuar pagamentos à Argentina. Não se sabe ainda que resultado esta jogada poderá ter. Tampouco, se os distintos titulares da dívida aceitam esta mudança de jurisdição.

 

Em todo caso, uma coisa está clara. Além da vontade do governo de pagar os abutres (mas em suas condições), conforme passam os dias cresce o nervosismo entre o empresariado por um arranjo que não chega e que atua deteriorando ainda mais o entorno econômico.

 

Atrás da escalada da cotação do dólar “paralelo”, ocorre um salto na inflação. A questão de uma nova grande desvalorização se abre antes do final do ano. Paralelamente, a recessão se aprofunda. Seu impacto foi sentido na crise industrial (também reforçada pela queda da indústria automotiva do Brasil). As montadoras anunciam suspensões massivas; o mesmo acontece com as fábricas de autopeças e de pneus. Crescem também as demissões e algumas fábricas anunciam o seu fechamento.

 

O enfrentamento com os “fundos abutres”, quanto às condições de pagamento da dívida que reclamam, fortaleceu politicamente o governo e calou, momentaneamente, a oposição de direita, que também não tem um programa alternativo que não seja ficar de joelhos.

 

Graças a esse relativo fortalecimento e renovada popularidade, Cristina tenta recuperar o poder de “arbitragem” dos conflitos econômicos e sociais. Assim, tem tentado contemporizar à esquerda e à direita.

 

Por um lado, diretamente ou por meio de seus governadores, jogou todo seu peso para esmagar os conflitos trabalhistas mais “perigosos” – Gestamp e Lear, principalmente - , que  tocam o coração da indústria argentina no ramo de automóveis.  Incentivou uma frente única patronal, burocratas sindicais e autoridades, e não tomou nenhuma medida legal, ilegal ou repressiva. Não só tratou de acabar com esses conflitos, como também impôs um regime de terror dentro dessas fábricas, como não se via desde a ditadura militar. Essas e outras fábricas se encheram de agentes, policiais e burocratas, para varrer não só os ativistas e delegados independentes ou de esquerda, mas também os setores de base que os tivesse apoiado, e intimidando o resto.

 

Ao mesmo tempo, quando a administração de uma empresa de certa importância – Donnelley – anunciou seu fechamento por falência, Cristina saiu anunciando que “castigaria” aplicando a “Lei Antiterrorista”, por realizar “terrorismo econômico”. Isto serviu para se apresentar como “defensora dos trabalhadores e do emprego”... simultaneamente ao avassalamento dos trabalhadores da Gestamp e Lear. Claro que, ao final, nenhum executivo da Donnelley foi indiciado.

 

Perspectivas de polarização da direita e esquerda

 

Mas levar adiante tais arbitragens em época de vacas magras não é nada fácil. O mais provável é que, finalmente, a arbitragem fracasse e se imponha um cenário de certa polarização com desordens – ou “rebeldias” – à direita e esquerda.

 

Assim, vemos, por um lado, as dificuldades renovadas do governo para impor seus projetos de leis no Congresso e, por outro, a emergência de duros conflitos trabalhistas, com protagonismo da esquerda entre eles.

 

Esta enésima tentativa de arbitragem do kirchnerismo pode gerar uma nova conjuntura crítica, na medida em que a situação econômica não se alivie. Isto poderia prejudicar os cálculos dos atores políticos que apostam que “não vai acontecer nada” até as eleições presidenciais de 2015. Ou seja, que o cenário que se abre será exclusivamente eleitoral. A esta perspectiva puramente eleitoreira não só aponta a direita, mas também setores da esquerda, como é o caso do PO (Partido Obrero) que dirige a FIT (Frente da Esquerda e dos Trabalhadores).

 

Por nossa parte, vemos uma perspectiva diferente: a possibilidade de um agravamento da crise econômica, social e política, assim como da conflitividade na classe trabalhadora e outros setores sociais.

 

Nova greve geral de 24 horas

 

Outro dos fatos que esboçam um cenário distinto ao do cumprimento sem sobressaltos do calendário eleitoral é a nova greve geral convocada para quinta-feira, 28. Esta convocação foi feita – como dissemos – por  setores opositores da dividida burocracia sindical argentina, em primeiro lugar a associação de caminhoneiros, liderada por Hugo Moyano.

 

Esta convocação reflete todas as contradições entre as quais se  debatem os burocratas sindicais, sejam “opositores”, governistas ou aqueles com um pé em cada canoa (como ocorre com grande parte deles).

 

Moyano, que se apresenta como o principal opositor burocrático ao governo K, não moveu um dedo em apoio à onda de lutas trabalhistas que se desenvolveram nos últimos meses na Grande Buenos Aires, em Córdoba, Neuquén e outras províncias. E nestes momentos, no pico dessas lutas, uma greve geral teria sido um apoio inestimável, incentivando no geral a resistência às suspensões e demissões. Além disso, teria significado um duro golpe político ao governo.

 

Traiçoeiramente, Moyano esperou a derrota dos principais conflitos, em primeiro lugar da Gestamp e Lear, para depois convocar uma medida de força.

 

Greve “domingueira” ou greve ativa?

 

No entanto, além dessas manobras, Moyano e a burocracia opositora não estão em situação cômoda. A realidade é que Moyano se encontra, de certo modo, no fogo cruzado. Por um lado, está pressionado pela oposição política patronal para não haver nenhuma “loucura”. Não tomar medidas de força que incentivem mais lutas de conjunto, que ponham em risco a “paz social” e, sobretudo, o encaminhamento “normal” até as eleições de 2015. Por isso, Moyano abandonou o tema da greve geral, com pretextos como a Copa do Mundo, para não convocar nada.

 

Mas, ao mesmo tempo, Moyano deve cuidar de sua imagem de “sindicalista combativo”. Para isso, não pode deixar ao ativismo independente e, em especial, à esquerda a exclusividade de conduzir as lutas. Isto se agrava pela pressão que vem debaixo, do grande descontentamento dos trabalhadores pelas demissões e a inflação que está corroendo os salários aceleradamente.

 

Conciliar ambas determinações não é fácil nem para Moyano, nem para o resto dos burocratas, que, apesar de tudo, conservam o controle dos grandes aparatos sindicais e, por seu intermédio, das massas trabalhadoras.

 

Moyano recorre à manobra tradicional dos burocratas nestas situações: convocar o que na Argentina se chama uma greve “domingueira”. Ou seja, uma greve geral que seja como um dia de domingo. Uma greve absolutamente passiva, sem piquetes, marchas ou outras mobilizações. E que também não tenha continuidade alguma, como primeiro passo de um plano de luta gradual.

 

Jogar por uma greve ativa

 

Nesta situação, a perspectiva da esquerda é a de intervir no sentido oposto. Ou seja, jogar-se inteiramente para transformar a greve de 28 de agosto em uma jornada ativa, com presença dos conflitos em curso e, também, com forte protagonismo político da militância nos piquetes. Trata-se de repetir, corrigindo-a e aumentando-a, a experiência da greve geral anterior, de 10 de abril passado.

 

Junto com os companheiros da Gestamp, Lear, Fate, Donnelley, Honda, Firestone e tantas outras fábricas importantes, é necessário que a esquerda e o ativismo independente da burocracia sindical se lancem o tempo todo para impor uma greve ativa, com piquetes, marchas e outras ações. Transformar a greve de 28 de agosto em uma jornada ativa não só responderá à passividade que os burocratas querem impor aos trabalhadores. Também será o mais efetivo para conseguir que tenha continuidade.

 

 

Roberto Ramirez é editor da revista argentina Socialismo o Barbarie.

Traduzido por Daniela Mouro, do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Terça, 02 de Setembro de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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