Para além das eleições

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O que vimos até agora na propaganda eleitoral na TV já foi suficiente. É o mais do mesmo, não só dos marqueteiros. Vou me juntar a milhões de pessoas que irão se abster ou votar nulo ou branco. As próximas eleições são mesmo uma farsa, mas votarei nos candidatos comunistas, revolucionários, no primeiro turno. E voto nulo no segundo turno, se houver. Espero eleger pelo menos um deputado comunista e sei do risco de não conseguir.

 

Em hipótese alguma faço voto útil no PT, nos comunistas de logotipo e nos seus aliados de direita, tipo Paulo Maluf. Ou voto no “menos pior”.

 

Até a lendária Maria da Conceição Tavares vota nessa gente, com o argumento de que chegamos ao “fim do desenvolvimentismo e início da democracia social”. Está com a mesma certeza com que apoiou o Plano Cruzado e depois o Plano Collor.

 

E pau nas costas dos trabalhadores.

 

Não podemos esquecer a repressão do governo tucano contra as manifestações populares em São Paulo e também em outros estados brasileiros, incluindo naqueles administrados por petistas, comunistas de logotipo e outros mais, com influência do governo federal. Suas polícias continuam matando pobres e negros nas periferias das cidades.

 

Já estou velho, avariado, me bato para prolongar o tempo que me foi concedido nesta terra e sei que sou apenas espectador, não tenho qualquer peso político no mundo real e na conjuntura eleitoral. Tenho consciência também de que as forças da esquerda revolucionária pouco influenciam a realidade brasileira e quase nada nas atuais eleições.

 

Não conseguiram sequer se unificar para lançar um candidato único a presidente da República a partir de uma proposta socialista revolucionária, inclusive porque o socialismo ainda não conseguiu se configurar como um mundo novo e muito mais humano, mas também superior econômica e tecnologicamente ao capitalismo.

 

Ainda há certa confusão entre o que dizia Rosa Luxemburgo – a nossa rosa vermelha – no escrito Reforma ou Revolução e as reformas revolucionárias, a exemplo da desapropriação de terras urbanas de banqueiros e outros capitalistas, como quer o MTST.

 

Sou apenas um repórter, de olhar vermelho, mas não voto nessa gente, pois lhes falta fibra revolucionária e implica em perpetuar a barbárie capitalista neste outro lado do equador. Afinal, o capitalismo não dá certo, ele mesmo provoca as crises, sempre de superprodução, avilta e explora mulheres e homens. E provoca guerras e genocídios pelo mundo para manter os privilégios de poucos e a sua dominação.

 

Votarei nulo no segundo turno, se houver, por convicção e não tem nada a ver com o meu livro, pois a história que narro termina em 1986. Mas quem se der ao trabalho de ler a narrativa dos dois volumes vai entender os motivos da trolha que temos hoje. Um deles a transição conservadora, entre outros.

 

No entanto, se amig@s decidirem ainda assim voltar na Dilma, não vou brigar, muito menos romper com eles. Insistirei para que votem nos candidatos comunistas, revolucionários, no primeiro turno e nulo no segundo turno, se houver. Não me deixo chantagear. Mas, para não ser apenas virtual, é prudente dizer também vote nulo e nenhum voto na defensora do capitalismo verde, a evangélica com discurso de freira e de ambientalista, mas coladinha no diabo do agronegócio, ou no candidato neoliberal, uma “autoridade pública”, acusado pelos conterrâneos, os torcedores presentes a uma partida de futebol no Mineirão, de não se conter em seus vícios mundanos.


Ateu, não acredito nem em deus nem no diabo na terra do sol. Minhas conclusões e convicções são resultados da observação atenta da realidade e do meu trabalho profissional, o jornalismo popular, operário, democrático e socialista.

 

 

Otto Filgueiras é jornalista e está lançando o livro Revolucionários sem rosto: uma história da Ação Popular, em dois volumes: Primeiros Tempos e Bom Combate.


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