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‘O Hamas é o pretexto da vez para a limpeza étnica e expansão territorial iniciadas em 1948’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito e Paulo Silva Junior, da Redação   
Terça, 19 de Agosto de 2014
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“Os acordos de Oslo já fracassaram, Israel não aceita negociar com os palestinos fora das limitações de oferecer somente 12% do território. Portanto, não acreditamos mais nesse tipo de negociação, principalmente intermediadas pelos EUA. A única solução de paz é o Estado único dentro da Palestina histórica”, argumentou Hasan Zarif, do Movimento Palestina Para Todos (MOPAT), em entrevista ao Correio, no momento em que Israel ataca a Faixa de Gaza pela quarta vez desde 2006.

 

Diante da situação, que segundo Hasan significa apenas uma escalada na constante violência de Israel contra o povo palestino, as acusações de terrorismo do Hamas (a partir da morte de três colonos israelenses) são apenas a cortina de fumaça para levar adiante o mundialmente denunciado projeto de “limpeza étnica e expansão territorial”, iniciado em 1948.

“A resistência não se dá pelo Hamas, mas por todo o povo palestino em Gaza. Portanto, Israel usa esse argumento apenas para justificar o massacre. De tempo em tempo, Israel ataca Gaza, acaba com toda a infraestrutura possível e tenta tornar a sobrevivência insuportável. O cessar fogo não basta. Tem de vir com a abertura da fronteira em Rafah, abertura do porto e o mínimo de condições para o povo palestino reestruturar Gaza”, explica.

 

Indo mais a fundo, Hasan Zarif desacredita a ideia de “dois Estados para dois povos”, hegemônica nas negociações de paz, conduzidas por uma comunidade internacional não menos desacreditada em tal missão. “O que defendemos como Estado único é que independentemente da crença todos possam viver nas mesmas condições. A única forma de consertar o que foi feito com os 5 milhões de refugiados é dar a eles o direito de retorno aos seus lares e propriedades”.

 

A entrevista completa, realizada em conjunto com a webrádio Central3, pode ser lida a seguir.

 

Correio da Cidadania: Como você define o atual contexto estratégico e geopolítico da ofensiva israelense contra Gaza e os pretextos utilizados por esse país?

 

Hasan Zarif: Essa última ofensiva que vemos é uma escalada de violência, pois a ofensiva contra o território e povo palestino é constante. Agora, apenas foi agravada com o argumento da morte dos três israelenses dentro do território palestino ocupado. Para contextualizar, eram colonos que viviam na cidade de Hebron, onde existem 200 mil palestinos e cujo centro é controlado por colonos israelenses, que o consideram lugar sagrado. Em função disso, tem uma guarda de 5 mil soldados israelenses, que pratica toda forma de massacre, expulsões e tentativas de expandir seu centro. Os três jovens mortos faziam parte do grupo, treinado através de milícia e que anda armado em Hebron. A ocupação existe desde os anos 80 e agora se agravou com os três assassinatos. Enquanto isso, Israel matou seis palestinos e prendeu mais de 580. Culparam o Hamas e vitimam toda a população de Gaza.

 

Correio da Cidadania: O que você comentaria a respeito das alegações de Israel, que diz se defender do “terrorismo” do Hamas?

 

Hasan Zarif: Primeiramente, não consideramos o Hamas um grupo terrorista. É um movimento de libertação nacional. Temos discordâncias no campo politico, mas como resistência o apoiamos. Não é uma ofensiva contra o Hamas, é uma ofensiva contra a população palestina de Gaza. E quem resiste em Gaza não é o Hamas, mas é o povo e os movimentos palestinos. Israel sempre coloca que são grupos terroristas e os ataques são para contê-los. Os ataques a Gaza são parte do processo que começou em 1948, de limpeza étnica e expansão territorial dentro da Palestina. O Hamas é usado como pretexto.

 

O que temos hoje na Palestina é um ataque à população civil e destruição total da infraestrutura de Gaza. A resistência não se dá pelo Hamas, mas por todo o povo palestino em Gaza. Portanto, Israel usa esse argumento apenas para justificar o massacre.

 

Correio da Cidadania: As informações sobre ataques contra repartições públicas, escolas, hospitais na Faixa de Gaza, confirmam que o objetivo é outro? Dentro disso, como entende os seguidos cessar-fogo que se negociam?

 

Hasan Zarif: Essa é quarta escalada de violência de Israel contra Gaza. Tivemos em 2006, 2008, 2012 e agora. De tempo em tempo, Israel ataca Gaza, acaba com toda a infraestrutura possível e tenta tornar a sobrevivência no local insuportável. Agora esperamos o cessar-fogo, pois Israel já não tem muito respaldo para jogar bombas e matar civis através de aviões. Está sendo condenado pelo mundo inteiro. E a ofensiva terrestre foi uma derrota para eles.

 

Mas o cessar fogo não basta. Ainda mais pela maneira como vem sendo mediado, simplesmente como um pacto de não agressão. O cessar fogo tem de vir com a abertura da fronteira em Rafah, abertura do porto e o mínimo de condições para o povo palestino reestruturar Gaza. Depois do que Israel fez em Gaza, com toda a destruição, não basta apenas um cessar fogo onde simplesmente não haja ataques, como propõem. Agora é necessária uma abertura de fronteira para que as pessoas possam adquirir o mínimo de suprimentos pela sua sobrevivência.

 

Correio da Cidadania: A estratégia de Israel, sem meias palavras, seria acabar com a possibilidade dos “dois Estados para dois povos” e, mesmo que no longo prazo, anexar de vez toda a Palestina, inclusive a Cisjordânia?

Hasan Zarif: Acredito que Israel não conseguiu domesticar a população palestina como imaginava que poderia, após a ocupação de 1967. Tentou instalar colônias em Gaza e Cisjordânia, tirando as de Gaza por gerarem alto custo financeiro e militar. Cabe a Israel decidir se aceita ou não o processo de dois Estados.

 

De minha parte, sou contrário aos dois Estados como solução final. Temos 5 milhões de refugiados palestinos nos países árabes. Esses 5 milhões têm de voltar aos seus lares e propriedades, e não como um Estado criado. Israel, com intervenção da ONU, tinha 22% da Palestina histórica. O que defendemos é um Estado único, laico e democrático, onde todos possam viver os mesmos direitos civis.

 

Porém, essa tentativa de Israel de expandir seu território e oferecer apenas 12% do espaço aos palestinos, dentro de um Estado inviável, não vai levar a lugar nenhum.

 

Correio da Cidadania: Quanto à ONU e à chamada comunidade internacional, como as avalia? E qual é a sua visão quanto ao posicionamento dos países árabes nesse momento de nova ofensiva?

 

Hasan Zarif: Dessa comunidade internacional, da ONU e, principalmente, da Liga Árabe, não esperamos mais nada. Esperamos dos povos e movimentos sociais que vão às ruas, que se manifestem, pressionem governos para forçar Israel a deter sua ofensiva. Uma das coisas em que acreditamos muito é na campanha de boicote, no caso, o chamado BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções).

 

Aqui no Brasil a campanha precisa tomar uma proporção forte, porque o Brasil é o oitavo maior comprador de armas de Israel. Depois da assinatura de um Tratado de Livre Comércio, há cinco anos, tem contratos em várias áreas, há fábricas israelenses de armas aqui, acordos militares, inclusive com a polícia militar de SP, sobre formas de repressão...

 

Portanto, esperamos pressão no campo dos boicotes. Mas nos países árabes, ONU etc., não temos esperança. O massacre acontece há muitos anos, os EUA vetam as sanções na ONU e a expectativa de que tais órgãos resolvam a situação não se concretiza pelo veto dos EUA e mais um ou outro país que apoia Israel. Esperamos que os povos livres se mobilizem, denunciem o que ocorre na Palestina e apoiem a campanha de boicote.

 

Correio da Cidadania: Para nós que estamos longe e não conhecemos de perto relações e contextos históricos entre os países da região, como explicar essa inoperância dos países árabes, em tese irmanados e solidários ao povo palestino?

 

Hasan Zarif: Os países árabes têm essa postura porque a maioria são reinados ditatoriais apoiados pelo imperialismo dos EUA. Ficam nessa neutralidade para manter o poder. Em algum momento, contribuem com ajuda assistencialista, mas não basta. O que esperamos é ver um dia os povos árabes derrubarem seus ditadores e instaurarem governos populares. Depois, teremos a esperança de contar com o apoio dos países árabes. Mas com tais regimes não há esperança nenhuma. São sionistas, pró-imperialismo e não têm nenhum objetivo de ver a Palestina livre.

 

Correio da Cidadania: Como imagina que devem caminhar, nesse contexto, negociações de paz?

 

Hasan Zarif: Não temos perspectivas com os acordos de paz. Os acordos de Oslo já fracassaram, Israel não aceita negociar com os palestinos fora das limitações de oferecer somente 12% do território. Portanto, não acreditamos mais nesse tipo de negociação, principalmente intermediadas pelos EUA. A única solução de paz é o Estado único dentro da Palestina histórica.

 

Correio da Cidadania: E como será a vida em Gaza depois dessa ofensiva, ou escalada de violência?

 

Hasan Zarif: A vida em Gaza vai continuar da forma que era antes da escalada de violência. Pessoas fazendo o máximo possível pra sobreviver, recebendo ajuda externa e lutando pelo fim do cerco. A abertura das fronteiras seria uma forma de Gaza ter um pouco mais de desenvolvimento, menos sufocada do que é agora.

 

Gaza tem 370 km², 1,8 milhão de palestinos dentro e é a maior prisão a céu aberto do mundo. É a isso que volta a vida. Por isso que no acordo de cessar fogo Israel tem de liberar a fronteira de Rafah, com o Egito.

 

Correio da Cidadania: Para finalizar, como é exatamente sua visão de Estado único e a definição de “Palestina histórica”?

 

Hasan Zarif: Histórica é a Palestina que existiu até 1948, na qual os habitantes eram todos palestinos, independentemente da crença religiosa. Havia judeus, que eram minoria, mas viviam com os mesmos direitos dos muçulmanos, cristão, ateus etc. A definição do Estado único é nessas bases. Israel, hoje, tem um caráter de Estado judaico, religioso. Se você é cidadão não judaico dentro de Israel, é um cidadão de segunda classe, como são os casos dos palestinos e até de alguns judeus. Entre os judeus também existem diferenças de classe, como aqueles que vieram da África como mão de obra barata, de países como Etiópia, por exemplo.

 

O que defendemos como Estado único é que independentemente da crença todos possam viver nas mesmas condições. E o principal ponto da questão palestina é o direito de retorno dos refugiados. A única forma de consertar historicamente o que foi feito com os refugiados é dar a eles o direito de retorno aos seus lares e propriedades.

 

Ouça o áudio da entrevista


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Gabriel Brito e Paulo Silva Junior são jornalistas.

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Última atualização em Sexta, 29 de Agosto de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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