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Rússia está abandonando a Ucrânia? Imprimir E-mail
Escrito por Ramez Philippe Maalouf   
Sexta, 18 de Julho de 2014
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Enquanto a Copa do Mundo do Brasil serve de “cortina de fumaça” para o genocídio na Faixa de Gaza promovido por Israel (tal como as da Espanha em 1982 e da Alemanha em 2006, com as duas invasões israelenses do Líbano), a Ucrânia segue sendo devastada pela ocupação militar dos EUA, por meio das centenas de agentes do FBI e da CIA em solo ucraniano, além dos mercenários contratados por Washington D.C., por intermédio das milícias nazistas do governo fantoche e liberal de Kiev. Estes grupos armados promovem massacres contra as populações russófilas, as comunidades judias, os não falantes do ucraniano, além de caçarem os comunistas e demais descontes com a política ultraliberal imposta pelos acordos com a União Europeia e pela pressão dos EUA. As estes grupos armados, se somaram as Forças Armadas e a Guarda Nacional, que são assessoradas pela CIA.

 

Em fevereiro de 2014, uma revolta supostamente popular derrubou o governo constitucional de Victor Yanukovich, considerado pró-Rússia pelo único fato de não ter assinado um acordo econômico com a União Europeia (UE). Não demorou muito para que se identificasse a decisiva participação dos EUA na “revolta” que levou ao golpe de Estado, impondo um governo ultradireitista formado por uma coalizão de liberais e nazistas. O governo golpista acusou Moscou de intervir nos assuntos internos da Ucrânia e passou a reprimir os opositores ao novo regime pró-EUA. A coalizão liberal-nazista é também apoiada pela Igreja greco-melquita de Kiev, feministas, “trotskistas” e o movimento “gay”. Ironicamente, a coalizão golpista, ao tomar o poder, proibiu o aborto no país.

 

Em maio de 2014, sob ocupação militar ianque, realizaram-se eleições presidenciais, onde apenas 60% dos eleitores compareceram. O empresário Petro Poroshenko, liberal pró-Ocidente, venceu com 54,7% dos votos. Ao assumir, não tardou a manter os compromissos assumidos pelo governo golpista interino com o FMI (Fundo Monetário Internacional) em março de 2014. O plano de austeridade imposto pelo fundo exige o corte de gastos com serviços públicos (saúde, educação, sobretudo), demissão de funcionários públicos, desvalorização da moeda (aumentando o preço das importações de gás da Rússia e de eletricidade), achatamento dos salários e pensões de aposentados e desnacionalização da economia, entre outras medidas de “austeridade” (1).

 

Com as eleições de Poroshenko, as forças de segurança ucranianas retomaram a ofensiva visando “caçar os terroristas” (isto é, os opositores do regime, geralmente simpáticos à Rússia) no leste do país, o que fez crescer o clamor popular naquela região pedindo a ruptura com o governo nazista-liberal ucraniano e a adesão à Rússia. Lugansk e Donetsk, as duas principais cidades da região, declararam independência num plebiscito com ampla participação popular. O racismo, o segregacionismo e os massacres contra os russófilos e demais etnias não ucranianas “puras” estimularam os movimentos separatistas, que levaram a incorporação da Península da Crimeia à Federação Russa, em 18 de março de 2014. Outras cidades do leste ucraniano também pediram a incorporação ao Estado russo, mas não receberam uma resposta positiva de Moscou.

 

Neste momento, há uma limpeza étnica em curso na Ucrânia. Mais de 500 mil russos-ucranianos se refugiaram na Rússia (2), segundo a Agência para Refugiados da ONU, dos quais mais de 100 mil pediram asilo político (3). A esta ofensiva militar, soma-se a caça aos opositores internos do regime nazista-liberal apoiado pelos EUA. O ministro da Justiça ucraniano já pediu à Corte Administrativa do Distrito de Kiev a cassação nacional do Partido Comunista da Ucrânia (4), duro opositor do regime.

 

O ataque é dos EUA, mas, pelo visto, a rendição é da Rússia

 

O presidente russo Vladimir Putin afirmou que não aceitaria ataques aos ucranianos russófilos, pois seriam passíveis de uma resposta militar. No entanto, até agora, não houve qualquer reação do governo russo que impedisse a limpeza étnica em curso no leste ucraniano. A passividade de Moscou já causa rachaduras no círculo íntimo de poder de Putin. O professor e neoconservador russo Aleksander Dugin, que visitará brevemente o Brasil, em setembro de 2014, para uma palestra na Universidade de São Paulo, tido como mentor da geopolítica do governo Putin, foi demitido da Universidade de Moscou no início de julho de 2014 (5). Dugin é um defensor da incorporação da Novarússia (região oriental da Ucrânia) à Federação Russa, uma proposta que não encontrou eco até o presente momento no Kremlin. Pelo visto, o professor russo neoconservador rompeu com o governo russo.

 

A moderação de Putin está estimulando cada vez mais a oposição ao ditador (no sentido romano do termo) Barack Obama nos EUA, que critica duramente a condução política externa. A oposição do Partido Republicano percebe a hesitação e a cautela de Putin como sinais de fraqueza e que é preciso endurecer mais com a Rússia, a China e o Irã, os três países que têm representado uma barreira à expansão insaciável do poder global dos EUA.

 

Obama, no entanto, acredita que, com as sanções econômicas impostas ao Kremlin, tenha isolado a Rússia (6). Nenhuma destas declarações oficiais do ditador Obama tem convencido a oposição, cada vez mais enfurecida pela “acomodação” dos EUA com os governos do Irã e da Síria, ainda que ele tenha feito um pedido de verba de meio bilhão de dólares para financiar os “opositores” (leia-se terroristas) ao governo do Ba’ath em Damasco. Crescem, nos EUA, os pedidos de impedimento do mandato de Obama.

 

Na verdade, a casta racial/classe dos proprietários anglo-saxões protestantes e pós-protestantes é liberal, por isso, defende o a supremacia racial branca anglo-saxã sobre a Humanidade, além da escravidão, autoritarismo, elitismo, segregacionismo racial, étnico e religioso, individualismo e utilitarismo. Naturalmente, esta casta racial/classe social jamais aceitará dividir o poder global com potências asiáticas. Por isto, não teme em levar o mundo a uma III Guerra Mundial aberta e nuclear, se for necessário, para defender esta supremacia e, na verdade, até aparenta buscar tal objetivo. Talvez resida aí um dos motivos da cautela de Putin, mas até quando e a que preço o presidente russo aceitará esta quase chantagem atômica?

 

Notas:

1) Disponível em: http://www.globalresearch.ca/how-the-ukrainian-civil-war-started/5383982

2) Disponível em: http://rbth.com/international/2014/07/09/un_confirms_flight_of_500000_ukrainian_refugees_to_russia_38063.html

3) Disponível em: http://rbth.com/news/2014/07/04/kozak_100000_ukrainians_seeks_asylum_in_russia_37947.html

4) Disponível em: http://www.themoscowtimes.com/article/503166.html

5) Disponível em: http://paginatransversal.wordpress.com/2014/07/04/despiden-a-dugin-de-la-universidad-de-moscu-estos-son-mis-honorarios-por-novorossiya-un-exito-de-la-quinta-columna/

6) Disponível em: http://br.rbth.com/internacional/2014/05/30/obama_acredita_ter_isolado_a_russia_25891.html

 

Ramez Philippe Maalouf é mestre e doutorando em Geografia Humana (USP)

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Última atualização em Segunda, 21 de Julho de 2014
 

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