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Homenagem no aniversário de 80 anos de Plínio Imprimir E-mail
Escrito por Vicente Arruda Sampaio   
Segunda, 14 de Julho de 2014
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Boa noite a todos.

 

Apresento-me àqueles que não me conhecem. Sou Vicente, apelido Viça. Filho do Plínio.

Eu começo esta fala ousando afirmar algo que apenas o próprio Plínio poderia dizer:

aqui e agora encontra-se o sentido de sua aventura pela vida.

 

Sim, aqui e agora. Não porque ele é um político pela mais íntima vocação e comemora hoje sua candidatura à presidência da República juntamente com seu aniversário. Aqui e agora, não só pelo fato de que este é um evento político, que faz o homem de ação se sentir no seu elemento. Tampouco porque aqui e agora, de certo modo, também se homenageia e se reconhece sua trajetória, seu nome, sua coerência, seu ... o que quer que seja. Não, por mais sinceros e afetuosos que sejam a homenagem e o reconhecimento da parte de quem dá, por maior que seja o júbilo de quem os recebe, não, não é isso que faz este aqui e agora ter um sentido.

 

Aqui e agora se resume e se reassume o sentido de uma existência, porque aqui e agora acontece uma transcendência. Neste exato momento-e-lugar expressa-se o esforço de um ir além que não é só dele, Plínio de Arruda Sampaio, mas de todos que estão aqui e agora. E de muitos que não estão aqui e agora, mas que nos aguardam, em muitos lugares, no presente, no passado e no futuro.

 

Mas, então, o que quer dizer, aqui e agora, “transcendência”? Qual é a direção desse “ir além”?

 

Esse “ir além” é claro e, ao mesmo tempo, enigmático. É a rosa de um claro enigma. Quantos aqui crêem em Deus? Quantos não crêem em Deus, mas em Deuses? Africanos, brasileiros, humanos... Quantos absolutamente não crêem em Deus? E quantos alegam que Deus morreu? Será mesmo uma transcendência o que nos une aqui e agora?

 

Ora, não é bastante suspeito que haja unidade entre nós poucos até mesmo do ponto vista político? Digamos: não é suspeito que haja unidade entre nós até mesmo na mera imanência das ideias e da ação política?

 

Sim, mas estamos todos aqui e agora. Não há nada mais claro do que isso. E quem tem clareza de que está realmente aqui e agora é tão partícipe do “ir além” de Plínio quanto ele próprio.

 

Sim, mas ir além para onde?

 

Com certeza, para o lugar que reúne todos que estão aqui e agora. Um lugar que pode receber a designação de “terra prometida”, entre as aspas irônicas da racionalidade política imediatista, que posterga ao infinito a realização da justiça. Um não-lugar, uma utopia, um equívoco démodé et naïf, para não dizer até mesmo retrógrado, que une melancolicamente a nostalgia de veteranos ultrapassados à exaltação de jovens despreparados.

No entanto, se esse lugar nos reúne aqui e agora, é porque esse lugar existe. Isso é muito claro.

 

Mas não é enigmático que, a caminho desse lugar, muitos caminhos diferentes se cruzem? Aqui e agora há pessoas muito diferentes: de lugares diferentes, de povos diferentes, de classes diferentes, de idéias diferentes, de idades diferentes, de raças diferentes, de sexos diferentes, de gêneros diferentes. Quanto o próprio acaso não contribui para estarmos aqui e agora? Aqui e agora estão cristãos, comunistas, socialistas e muitos que, como eu, não saberiam se autodefinir com grande precisão do ponto de vista ideológico. Mas estamos aqui e agora, algo quixotescamente, participando de um “ir além”.

 

E, portanto, um outro lugar nos lança a este lugar aqui e agora. E aqui e agora estamos lançados para esse outro lugar. A transcendência remete à imanência e vice-versa. E, por isso, o lugar ao qual nos esforçamos por transcender não é um ponto final de encontro. Não. Transcendemos a um lugar cuja busca é, aqui e agora, um movimento de encontro.

 

É nesse movimento, nesse rio de correntes improváveis, que cada um pode vislumbrar, aqui e agora, aquele lugar incerto, livre da racionalidade absurda e violentíssima que faz, no mundo de hoje, um homem escravizar outro homem, e uma sociedade escravizar todos os homens, e um animal presunçoso ameaçar tudo que é vivo. Entrevemos aqui e agora um lugar plenamente humano e, como tal, necessariamente imperfeito, tolerante, solidário, sempre mais potência do que ato. Um lugar onde o trabalho pode ser mais criação que alienação. Um lugar onde a arte e a ciência são atividades tão naturais quanto pescar e tirar um bicho do pé. Um lugar onde a beleza humana tem espaço para se expressar tão livremente, que talvez possa até mesmo atrair os Deuses (Isso não se pode saber, não se pode nem mesmo pensar; mas quiçá se possa imaginar?). Um lugar, enfim, que tem a força das águas do rio que nos reúne, e que dá mais vida a vida aqui e agora.

 

Seja em virtude da inspiração do Cristo, seja, paradoxalmente, em virtude do esclarecimento e da crítica da razão ao dogmatismo, seja em virtude da crítica à crítica racional, seja em virtude de outras convicções ou apenas e sobretudo em virtude de urgências bastante concretas e prementes, quem busca esse outro lugar do homem como homem entre os homens participa aqui e agora do mesmo esforço por ir além que resume o sentido da existência do Plínio, a aventura do seu dia luminoso, cujo sol prodigiosamente está a pino aos 80 anos de idade.

 

É assim que se justifica o que ousei afirmar no início: participando todos nós do mesmo esforço, nadando todos nós no mesmo rio de águas improváveis, encontra-se aqui e agora o sentido da aventura do Plínio pela vida.

 

Antes de terminar, eu peço a chance de dar um depoimento pessoal. Como filho do Plínio, preciso dizer que, acima da própria vida e do amor pessoal por mim, o maior presente de meu pai, para mim, foi ensinar-me, por seu exemplo, a nadar nesse rio de águas improváveis orientando-me pela terceira margem, que espelha o céu, guarda o fundo do rio e corre unindo horizontes.

 

Por vezes, é difícil pertencer a uma família que cresce à volta da figura nuclear de um homem público (na melhor acepção do termo). Creio que mãe, irmãos, cunhadas e sobrinhos concordam em maior ou menor medida com isso. Mas eu estou certo de que eles também, como eu, estão gratos ao Plínio – eu diria ao “pai” – por nos ter jogado, inadvertidamente, no imenso rio, no maior dos rios, que o é rio das águas improváveis.

 

Bem, encerrando, gostaria de desejar ao Plínio e a todos os militantes uma campanha corajosa e vitoriosa, lembrando que o fogo da brasa que não se apaga é o mesmo fogo da chama que incendeia. Ao pai, com sincero amor, desejo ainda um feliz aniversário de 80 anos. Expresso, por fim, minha alegria e meu agradecimento pela presença de cada um de vocês, companheiros de travessia, nesta festa, aqui e agora.

 

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