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Plínio, combatente socialista e democrata Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Qui, 10 de Julho de 2014
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Ouvi falar de Plínio de Arruda Sampaio pela primeira vez no início de 1976, quando meu pai me informou que tivera contato com um ex-deputado federal pelo Partido Democrata Cristão. Ele fora cassado pelo regime militar, estivera exilado e retornara ao Brasil disposto a se engajar fortemente na luta contra a ditadura. Meu pai ficara muito impressionado com sua atitude combativa e com sua mente aberta para dialogar e se unir com todos que estivessem empenhados em mudar o regime econômico, social e político que infelicitava o povo brasileiro. E teve a impressão de que, de democrata-cristão, Plínio evoluíra para cristão-socialista-democrata-popular, muito próximo de se tornar um cristão-comunista.

 

Nos anos posteriores, seja durante minha prisão política, seja após minha liberdade condicional, acompanhei de longe a participação de Plínio nas lutas pela Anistia, pela Reforma Agrária e pela formação de um partido socialista. E tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, após a fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980, quando ambos passamos a participar do grupo de discussão sobre a reforma do sistema latifundiário brasileiro. Em várias ocasiões, participei das atividades da Associação Brasileira de Reforma Agrária, da qual ele era presidente.

 

Em 1989, durante a disputa da primeira eleição presidencial direta após o regime militar, tive inúmeros contatos com Plínio, tendo em vista sua participação na campanha. Especialmente no segundo turno, Plínio desempenhou papel importante na conquista do apoio público do PSDB à candidatura Lula, apesar da resistência de algumas das figuras de proa daquele partido.

 

No processo posterior de disputa interna no Partido dos Trabalhadores, mantivemos contatos esparsos, embora ambos participássemos da mesma corrente geral que se opunha às tendências de direita que começavam a predominar no partido. Em particular, apoiei seu projeto de publicar um jornal que contribuísse não só para aprofundar o debate de ideias sobre o futuro do país, mas também para aumentar os vínculos com os movimentos sociais. Projeto que se concretizou no Correio da Cidadania, e para o qual fui convidado a participar desde quase o seu início.

 

No final de 2005, Plínio decidiu desligar-se do Partido dos Trabalhadores e ingressar no Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), logo após 1º turno do Processo de Eleições Diretas (PED) que elegeu um novo Diretório Nacional. Nessa ocasião, concordava com ele em muitas das críticas que fazia ao PT e à maioria de sua direção, mas expressei a ele minha discordância com sua saída. Para mim, as questões referentes ao socialismo ainda não estavam suficientemente maduras para criar rompimentos.

 

Expressei a ele que os debates sobre o socialismo dentro do PT e da esquerda eram, como ainda são, debates teóricos e, em grande medida, literários. O caminho para o socialismo, embora deva ser assunto estratégico de debate e de estudo e pesquisa teórica, só poderá ser realmente esclarecido quando a luta de classes alcançar um nível elevado e impuser decisões práticas irrecusáveis. Apenas nesse momento a necessidade de rompimentos pode se tornar inadiável.

 

De qualquer modo, sua decisão estava tomada e a respeitei. E, mesmo considerando que nossa amizade fraternal não seria abalada por causa disso, expus a ele que compreenderia perfeitamente se quisesse dispensar meus serviços de comentarista semanal do Correio. Eu não iria modificar minha postura em relação ao PT se continuasse escrevendo para o jornal, e iria parecer um estranho no ninho. Plínio, no entanto, reiterou que, da parte dele, não só nossa amizade e respeito mútuo continuariam inalterados, como gostaria que eu continuasse colaborando com o Correio, com independência para escrever o que quisesse.

 

Por tudo isso, Plínio pode ser tomado como um exemplo para o comportamento que os combatentes socialistas e democráticos deveriam adotar diante de suas divergências. Espírito democrático e abertura para o debate; combatividade, a mesma que o levou às ruas, aos 82 anos, para protestar contra o aumento das passagens de transporte urbano; e busca tenaz por um programa que possibilite ao povo brasileiro descobrir o caminho para o socialismo. Essas são algumas das qualidades que podem levar as diversas correntes socialistas e comunistas a distinguirem os inimigos principais e a unificarem esforços quando a luta de classes as colocar ante o caminho prático da transformação política, social e econômica.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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Última atualização em Qui, 10 de Julho de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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