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O “jeito petista” de ser ditador Imprimir E-mail
Escrito por Frei Marcos Sassatelli   
Qui, 03 de Julho de 2014
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Estamos acostumados, há muito tempo, com práticas políticas ditatoriais de partidos, como o PSDB de Marconi Perillo. Basta lembrar, por exemplo, o caso do Parque Oeste Industrial, a pior barbárie de toda a história de Goiânia, até hoje impune.

 

Como se isso não bastasse, o Partido dos Trabalhadores (PT) tornou-se (com raríssimas exceções) o Partido dos Traidores. Em suas práticas políticas ditatoriais, ele inova sempre e nos surpreende a todos. Talvez seja o “jeito petista” de ser ditador!

 

O comportamento arrogante, ressentido e vingativo do prefeito Paulo Garcia (PT), do secretário de Governo, Osmar Magalhães, e da secretária da Educação, Neide Aparecida (PT e ex-sindicalistas), em relação aos Trabalhadores da Educação do município de Goiânia, é simplesmente repugnante e nojento. Faz muito tempo que não se via tanto autoritarismo.

 

Acompanho o Movimento de greve dos Trabalhadores da Educação do município de Goiânia, sou solidário com ele e posso testemunhar que se trata de um Movimento sério, que luta por uma Educação Pública de qualidade e que é coordenado por pessoas dedicadas e de muita responsabilidade.

 

Só para citar um fato concreto, uma Trabalhadora Administrativa da Educação, em seu depoimento, afirma: “ao longo dos anos, os Trabalhadores Administrativos da Educação e de outros órgãos da Prefeitura de Goiânia vêm sofrendo uma grande desvalorização em relação aos seus direitos adquiridos. A defasagem é tão grande que, há dez anos, ganhávamos um salário mínimo e meio e, hoje, menos de um salário mínimo. E assim esses Trabalhadores tomaram consciência de sua importância e resolveram lutar por seus direitos. Hoje estamos reivindicando em relação a: perda salarial, plano de carreira, data base em janeiro, auxílio locomoção e 50% de gratificação dos secretários e secretárias. Portanto, não estamos pedindo aumento, mas só direitos que já existiam. Esperamos que esses direitos voltem a ser uma realidade no nosso contra-cheque”.

 

Conversando com outra Trabalhadora Administrativa da Educação, ela me dizia que trabalha como merendeira há 21 anos, que está com graves problemas de saúde por ter carregado panelas pesadas por muito tempo e que ganha menos de um salário mínimo. Que desumanidade!

 

Mesmo diante da realidade de caos total na Educação Pública, que clama por justiça diante de Deus, os Trabalhadores da Educação são humilhados, caluniados e tratados como “bandidos” pelo governo municipal de Goiânia, pelo PT e pelo Sintego, que é um Sindicato pelego e covardemente submisso aos interesses oportunistas do PT. É preferível alguém que sempre foi ditador do que um traidor que se tornou ditador. O traidor é o ser humano mais mesquinho e mais repugnante que existe sobre a face da terra.

 

Finalmente, depois de mais de um mês de greve, o prefeito Paulo Garcia, o secretário de Governo, Osmar Magalhães, e a secretária da Educação, Neide Aparecida, dignaram-se a receber uma pequena comissão dos Trabalhadores da Educação, mas não permitiram que levassem, para dentro da sala de reunião, suas bolsas e seus celulares. Que atitude fascista! Que absurdo!

 

Com desprezo e sem nenhuma intenção de dialogar, despejaram sobre os membros da comissão todo seu ressentimento e toda sua arrogância vingativa. Que vergonha!

 

Como mostram claramente as imagens dos vídeos divulgados na mídia, os Trabalhadores da Educação do Município - que chegaram à convenção do PT para fazer sua manifestação (a manifestação é um direito dos Trabalhadores) - foram tratados com violência verbal e física por participantes da convenção (entre os quais, sindicalistas do Sintego), provocando ferimentos e lesões corporais em alguns manifestantes. Depois de brutalmente agredidos, foram expulsos, gritando palavras de ordem como: “essa greve quem comprou foi o Marconi”! “Fora Marconi”!.

 

É o método da ditadura! As cenas de violência, que aparecem nos vídeos da convenção do PT, são parecidas com as cenas de violência, que aparecem nos vídeos do Parque Oeste Industrial. Isso mostra claramente que Marconi Perillo e Paulo Garcia são farinha do mesmo saco. PT e PSDB são uma corja só.

 

E tem mais: o Partido dos Trabalhadores (estava esquecendo: o Partido dos Traidores), com a maior desfaçatez, corta o ponto dos Trabalhadores em greve, deixando-os passar necessidades. É o máximo da covardia! Gritam com razão os Trabalhadores da Educação: “partido traidor, corta ponto do trabalhador”.

 

Não foi Marconi que comprou a greve dos Trabalhadores da Educação do Município de Goiânia, mas foi o sistema capitalista neoliberal (com seus partidos políticos) que comprou o PT. Essa é a verdade!

 

Basta ver as alianças que os partidos - com o PT na frente - fazem em nível nacional e regional. Em Goiás, o PT - como, desta vez, não conseguiu fazer nenhuma aliança de peso (bem que tentou!), devido a conflitos entre interesses oportunistas de alguns políticos - vem com essa hipocrisia de dizer que formou uma chapa pura e que só faz aliança com o povo. Ainda bem que o povo não é bobo! O PT já deixou de fazer aliança com o povo há muito tempo.

 

No Pará, por exemplo, o PT - a fim de ganhar votos para reeleição da presidenta Dilma - aprovou a aliança até com o DEM. As alianças nacionais e regionais feitas pelo PT, os partidos aliados e os partidos chamados de oposição - que na realidade são farinha do mesmo saco - mostram um quadro esquizofrênico da realidade eleitoral. Vivemos - como diz o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) - um clima de “bacanal eleitoral”. Na formação das alianças para disputar, tanto a presidência da República, quanto o governo dos estados, vale tudo. É a total falta de ética. É a total falta de vergonha! É um quadro político que dá vômito ou - como bem diz Janio de Freitas - “revira o estômago”.

 

Depois que se vendeu, o PT aliou-se com partidos e com políticos (como Sarney, Maluf e companhia) que foram os esteios da ditadura civil e militar. O oportunismo político é tão desavergonhado que hoje o PT, para ganhar votos, é capaz de fazer aliança até com o capeta. Chega de hipocrisia! Gritemos, sim, “fora Marconi”, mas gritemos também “fora os traidores”.

 

O PT e todos os partidos oportunistas lembrem que - com suas maracutaias despudoradas - podem até enganar o povo, mas não enganam a Deus. A justiça de Deus tarda, mas não falha! Aguardem!

 

Enfim, como é bom e gratificante não ter o rabo preso com nada e com ninguém, se sentir livre e poder falar (anunciando e denunciando) só por amor à verdade e à justiça!

 

Vamos banir para sempre da vida pública todos os partidos que são contra os Trabalhadores e todos os políticos corruptos, oportunistas, mentirosos, covardes, que costumam ficar em cima do muro e que defendem os direitos humanos só quando lhes convém, mesmo que - para enganar o povo - se digam “católicos” ou “evangélicos”.

 

Uma outra política é possível e necessária! Lutemos por ela! Viva os Trabalhadores da Educação do Município de Goiânia, que - com garra e heroísmo - continuam em greve, ocupando o plenário da Câmara Municipal e lutando por uma Educação Pública de qualidade! Viva todos os Trabalhadores e Trabalhadoras! Viva o Projeto Popular!

 

Marcos Sassatelli, frade dominicano, é doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP) e professor aposentado de Filosofia da UFG.

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