A repressão da Polícia Militar na zona leste no dia da abertura da Copa do Mundo

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A repressão deu o tom das manifestações ocorridas na estreia do Brasil como sede da Copa do Mundo. Enquanto Neymar e companhia ainda se preparavam para não decepcionar diante da Croácia, às 17 horas no Itaquerão, a Polícia Militar já começava a reprimir qualquer tentativa de manifestação. O aparato de violência do Estado foi apresentado logo no início do primeiro ato, em frente à estação de metrô Carrão, por voltas das 10h da manhã.

 

A violência policial tomou conta do ambiente. Com bombas e tiros de bala de borracha, os militares dispersaram a manifestação, intitulada Não Vai Ter Copa, antes mesmo que ela começasse a se organizar. Essa prática foi a mesma adotada na repressão ao ato dos metroviários na Estação Ana Rosa, na última segunda-feira (9).

 

Após o fechamento arbitrário da estação, os manifestantes seguiram em direção ao metrô Tatuapé, para iniciar nova concentração junto ao ato organizado por diversos movimentos sociais contra as injustiças da Copa. O ato foi também em solidariedade ao Sindicato dos Metroviários e pedia a readmissão de 42 funcionários grevistas demitidos pelo Estado.

 

Quando os manifestantes começaram a se organizar em frente ao Sindicato, o clima já era de tensão, com o aviso dos policiais de que haveria repressão caso os manifestantes decidissem tomar as ruas. Os organizadores do ato tentavam articular com a PM a possibilidade de realizar a manifestação, mas, sem acordo, anunciavam no alto-falante que não aconteceria mobilização nas ruas.

 

Enquanto isso, alguns manifestantes que estavam concentrados no Carrão se juntaram ao ato no Tatuapé. Com a união, a polícia começou a jogar bombas de efeito moral e atirar balas de borracha. Com isso, o Sindicato dos Metroviários abriu as portas para que todos entrassem dentro de sua quadra em refúgio à repressão policial. No entanto, alguns manifestantes continuaram na rua e enfrentaram a Tropa de Choque.

 

O grupo permaneceu em confronto formando barricadas para atrasar os policiais, mas era fortemente reprimido por avanços da Tropa de Choque, que, com muitas bombas de gás, de efeito moral e balas de borracha, sufocavam qualquer tentativa de resistência que se estendesse pelas ruas. Enquanto isso, torcedores uniformizados entoavam das sacadas de seus prédios, a plenos pulmões, como em uma arquibancada, uma ode à repressão policial.

 

Dentro do sindicato, os movimentos prosseguiam o ato e logo uma pequena assembleia aconteceu. A Polícia impedia a saída de todos. Intimou que os sindicalistas permanecessem na quadra, onde se organizavam, enquanto a equipe de apoio ajudava pessoas que estavam feridas ou haviam passado mal por conta do gás lacrimogêneo. Depois de uma hora concentrados no sindicato, a polícia ordenou a dispersão dos manifestantes, orientando uma fila que deslocava, de maneira autoritária, todos para uma praça próxima ao metrô Tatuapé.

 

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino dos Prazeres Junior, a repressão policial no ato de foi muito forte. “Na verdade, criou quase um estado de sítio, o Sindicato ficou ilhado, cercado. Foi pior do que na Ana Rosa, tinha mais tropa de choque”, argumenta, ao enfatizar que o sindicato não quer confronto com a polícia.

 

Terminado o ato dos metroviários, a polícia encurralou o resto dos manifestantes. Um pequeno grupo continuou no local tentando prosseguir com o ato, que então se dirigiu para o metrô Tatuapé, a poucos metros dali.

 

A PM fechou o metrô e a CPTM, encurralando mais de cem pessoas, entre elas, muitos jornalistas, e até malabares, que exibiam sua arte como manifesto. Mas, com o ataque dos policiais, quem não estava na manifestação se assustou, alguns chegaram até a passar mal com o forte cheiro do gás lacrimogêneo. Após muito confronto, a repressão aos poucos foi dispersando todos os manifestantes.

 

Na zona leste de São Paulo, os preparativos para a inauguração do mundial do futebol se desenrolavam como uma grande festa. Enquanto isso, o direito básico de se manifestar foi impedido pelo Estado, através de exagerada repressão a qualquer tentativa de se manifestar. A Copa do Mundo não é para o povo.

 

Por Patrícia Iglecio, Thiago Gabriel e Vinícius Costa Martins, da Revista Vaidapé.

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