24 de outubro: marcha pelos direitos da classe trabalhadora

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No próximo dia 24 de outubro milhares de trabalhadores, trabalhadoras, estudantes e militantes de movimentos sociais estarão em Brasília para realizar uma grande marcha de protesto.

 

Motivos não faltam.

 

Por trás dos números do crescimento econômico, cantados em verso e prosa pelo governo Lula, esconde-se uma brutal ofensiva sobre os direitos sociais e trabalhistas, um aumento da superexploração do trabalho e da precarização do emprego, amparados em um crescente processo de repressão e criminalização dos movimentos sociais das classes trabalhadoras.

 

Também será uma oportunidade de protestarmos contra a corrupção sistêmica nos podres poderes da república, com especial relevância na conjuntura atual para o alastramento da corrupção no Senado, não apenas restrita ao governista Renan Calheiros, mas agora com fortes evidências de que o “valerioduto” começou com o “tucanoduto”, na figura do senador Eduardo Azeredo.

 

Aliados na corrupção, aliados na ofensiva contra os direitos dos trabalhadores.

 

Um projeto que visa limitar o direito de greve foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais do Senado (isso mesmo, do Senado, que não deveria ter mais legitimidade para aprovar nada, menos ainda em se tratando de direitos sociais).

 

Vale destacar que esse projeto anti-direito de greve vem sendo costurado pelo governo Lula desde o primeiro semestre e contou, nessa primeira fase do Senado, com o apoio entusiasmado, entre outros, de Eduardo Azeredo...

 

O segundo objetivo deste projeto contra as greves é facilitar a implantação de reformas neoliberais, especialmente a (terceira) da Previdência Social, que está no forno e que vem para tentar acabar com o direito da aposentadoria e com o aumento da idade mínima para homens e mulheres, entre outras medidas.

 

Enquanto isso, o governo tucano de José Serra em São Paulo incrementa a criminalização e a repressão. Foram 66 metroviários afastados ou demitidos desde o final do primeiro semestre; nesse momento, há 100 militantes do MST indiciados em inquérito policial após a jornada de lutas pela educação e a violenta desocupação pela tropa de choque da PM na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Há sete estudantes da Unicamp indiciados após a greve e ocupação nesta Universidade.

 

E sobre as condições de trabalho no governo Lula?

 

Para este assunto, ficamos em apenas em um exemplo: o devastador estudo feito pela socióloga da Unesp Maria Aparecida de Moraes e Silva*, sobre a condição de trabalho dos cortadores de cana no estado de São Paulo.

 

Segundo essa pesquisa, o tempo de vida útil de um cortador de cana na região de Ribeirão Preto não chega a 15 anos de trabalho, comprovadamente inferior, segundo a socióloga, ao tempo de vida útil dos negros em alguns períodos da escravidão no Brasil!

 

Este padrão de exploração do trabalho é o mesmo padrão que o capitalismo busca implantar em todo o planeta. Para conseguir impor esse “modelo asiático” de exploração será necessária a combinação de repressão com limitação do direito de greve, embora seja parte do arsenal do governo e do capital a cooptação de setores do movimento para legitimar ou esconder essa situação.

 

Portanto, o próximo dia 24 em Brasília é uma nova oportunidade para denunciar ampla e claramente ao país a sórdida unidade, sob o manto da manutenção da política econômica neoliberal, entre governo Lula e tucanos quando se trata de afrontar os direitos dos trabalhadores.

 

Será nova oportunidade para potencializar a necessária unidade de todos os setores e segmentos combativos da classe trabalhadora, que não se limitam em lutar contra os governos tucanos e esconder ou proteger o governo Lula.

 

Na defesa dos direitos da classe trabalhadora, contra a reforma da Previdência, contra a criminalização dos movimentos sociais e na defesa do direito de greve, contra a corrupção e todos os corruptos, o movimento social e estudantil combativos têm um encontro marcado dia 24 de outubro em Brasília.

 

*Atrás das cortinas no teatro do etanol, publicado na Folha de S.Paulo em 02/10/2007

 

 

Fernando Silva é jornalista, membro do Diretório Nacional do PSOL e do conselho editorial da revista Debate Socialista.

 

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