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Análise da corrupção Imprimir E-mail
Escrito por Paulo Metri   
Terça, 10 de Junho de 2014
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Do Aurélio, obtém-se que “corrupção” significa “1. Ato ou efeito de corromper, decomposição, putrefação; 2. Devassidão, depravação, perversão; 3. Suborno, peita”. No entanto, como era de se esperar, o dicionário não define os atos que caracterizam a corrupção, que creio serem muitos. Passa-se a citar situações, visando mostrar a dificuldade de se conceituar a corrupção.

 

Um dos casos mais compreendidos como sendo de corrupção consiste em um corruptor pagar a um agente do Estado suborno para obtenção de benefícios, que irão significar dano à coisa pública. Lembro que, para este caso, quando descoberto, há em geral a penalização do corrompido e o esquecimento do corruptor, apesar de este ser tão culpado quanto o outro.

 

Os impostos no país não são progressivos, ou seja, o que a classe média paga de imposto, em percentagem da renda, é muito superior à contribuição da classe rica. Assim, a classe média é penalizada no pagamento de impostos. Os legisladores, assim como os demais envolvidos na elaboração dos instrumentos legais que permitem este ato injusto, podem também ser chamados de corruptos, pois eles legalizaram transferências injustas de recursos na sociedade.

 

A mídia comercial é um instrumento de dominação da grande massa, utilizado pelo capital, pois aliena a população para poder controlar suas preferências, inclusive, tendenciar eleições a favor dos candidatos do capital. Isto também é corrupção. Quem disse algo no mesmo sentido, desde a primeira metade do século passado, foi Edward Bernays, considerado o “pai das relações públicas”. Nos dias atuais, Noam Chomsky tem análises detalhadas sobre o poder da mídia, corroborando a afirmação acima.

 

Parte do empresariado paga salários de mercado para seus empregados, os quais, no entanto, são valores baixos, levando-os a ter uma vida em nível de escassez. Estes empresários teriam que abrir mão de parte dos seus lucros para poder entregar aos trabalhadores salários para uma vida menos indigna. Antes que alguém argumente que os empresários não têm culpa se o salário de mercado é baixo, lembro que, por outro lado, não faz sentido o mercado ser o definidor da justiça social.

 

Desta forma, o mundo em que vivemos premia diversas formas de esperteza, por exemplo, a da retirada da mais-valia alheia, a da formação de cartéis para a imposição do preço de produtos e a da corrupção de políticos para a criação de um sistema que favoreça os agentes da esperteza. Em todas estas safadezas, o único prejudicado é a população, e elas resultam no acúmulo de riqueza e poder para os espertos. Pode-se dizer que o trabalho duro também ajuda, mas só o trabalho duro não produz tanta riqueza e poder. Finalmente, o acúmulo de riqueza por alguns está relacionado com a aparição de pobreza em outros.

 

Apesar de ter opinião, não é o caso de se entrar na discussão se o senso comum sobre a justiça permite o acúmulo de riqueza pelos mais espertos. Nem tampouco se a esperteza é uma qualidade cujo detentor merece receber compensações devido ao seu dom. Gostaria somente de transmitir que o cidadão comum, que não acumulou riqueza e tem uma vida dura, pode identificar o mundo existente como injusto e os que acumularam riqueza como corruptos, pois usaram a esperteza sobre outros humanos para este acúmulo ocorrer.

 

Imagine o cidadão que sente o cheiro da falta de saneamento da sua comunidade, graças à corrupção, encontra seus filhos esquálidos dentro de um barraco infecto, graças à mesma corrupção, sobe a escadaria, que seu corpo cansado reluta em vencer, pois este é o local em que a corrupção o jogou, além de outras mazelas originadas na corrupção. Este cidadão, assim impactado, irá acreditar que a grande corrupção existente é aquela propalada pela televisão que, há tempos, ele desconfia que “só serve aos ricos”?

 

Uma empresa estadunidense foi contratada para fazer pesquisa de opinião no Brasil recentemente, e ela chegou à conclusão que o brasileiro está mais preocupado com a inflação do que com a corrupção. Não acredito que o brasileiro esteja muito preocupado com a inflação, mas concordo que ele não dá tanto valor às denúncias de corrupção, porque o mundo que o cerca, composto de legisladores, agentes do Estado, empresários, a mídia, os ricos e outros, é corrupto.

 

Um amigo escreveu para mim que não irá votar neste governo, pois é “o governo mais corrupto que já existiu”. É claro que ele utilizou só força de expressão, porque não existe nenhuma metodologia de levantamento do grau de corrupção de governos. Ele está provavelmente muito contaminado pelo vírus atualmente disseminado pela mídia. Aliás, de tempos em tempos, este discurso moralista aparece na mídia, sempre para derrubar um governo que está fazendo algo pelo povo.

 

É preciso deixar claro que não estou buscando banalizar a corrupção recém divulgada. Sempre que uma suspeita de corrupção vier ao conhecimento público, ela deve ser pesquisada pelos órgãos competentes e, se comprovada, os acusados devem ter processos remetidos para a justiça. É pena que a denúncia do ex-deputado Ronivon Santiago, réu confesso, nunca foi nem sequer apurada.

 

Por não ser filiado ao Partido dos Trabalhadores, me sinto livre para dizer que, ao contrário do meu amigo, os governos deste partido foram os menos corruptos que já existiram. Governos que tiram 30 milhões de almas do inferno da miséria só podem ter sido governos que cancelaram corrupções pesadas.

 

Por outro lado, se forem analisados os governos neoliberais, concentradores de renda, indutores de exclusão social e, assim, geradores ou perpetuadores da miséria, e se for utilizado o conceito abrangente de corrupção, eles são grandes governos corruptos. Nossa sociedade deveria criar a “Comissão da Verdade Neoliberal”, pois tenho a desconfiança que o neoliberalismo matou e torturou mais brasileiros que o período da ditadura.

 

Paulo Metri é conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania. Blog do autor: http://www.paulometri.blogspot.com.br/

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Última atualização em Terça, 10 de Junho de 2014
 

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