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Classes e luta de classes: o PT e a esquerda na berlinda Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Terça, 10 de Junho de 2014
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O coronel Boggo, tendo o PT como alvo, apresenta a mídia como outro obstáculo à ação desse partido. Os petistas não se cansariam de postular a criação de “controles sociais” sobre os jornais, tevês etc. Simplesmente porque, ao chegarem ao poder, descobriram-se na “posição de raposa guardando o galinheiro”. O dinheiro que teriam arriscado a vida “para subtrair no passado, agora existia em quantidade nas Caixas dos municípios, na Fazenda dos Estados e no Tesouro Nacional”.

 

Se a finalidade desse partido consiste em “financiar a derrota da burguesia e garantir longa vida” a seu “Reich”, conclui o coronel, não haveria “motivo mais nobre” do que se “apropriar desse dinheiro”. Numa linguagem de foca de imprensa marrom, o coronel conclui que “ninguém é de ferro”, e “os operadores das transferências... merecem recolher a justa remuneração por seu trabalho”. Dessa forma, o PT teria praticado “transferências” financeiras em “toda a parte em que... se implantou”.

 

Sem medo de ser processado por difamação, o coronel Boggo lista municípios nos quais teria havido “alguns incidentes de percurso”, com a eliminação de “alguns operadores”, e outros onde as coisas teriam corrido “muito bem”. No “âmbito da União” não haveria do que se queixar, a exemplo da “refinaria da Petrobras, em Pasadena”, e dos “Correios, ...Banco do Brasil, ...FAT, ...DNIT, ...VALEC, ...INCRA, ...FUNAI, ...Bolsa Família, ...transposição do São Francisco, ...obras do PAC, ...Minha Casa, Minha Vida e ...Copa do Mundo...”. E, com a certeza de um araponga, garante que os “tráficos de influência” teriam engordado substancialmente “cofres partidários e bolsos particulares”.

 

É lógico que o coronel, “conhecedor” de todas essas supostas maracutaias, deveria ser processado por omissão, ou por esconder provas substanciais que deveriam ter sido entregues à Justiça. O coronel também poderia e deveria ser chamado judicialmente a provar o que diz. Apesar disso, o que nos interessa agora é mostrar que essas mesmas acusações sobre “transferências financeiras” foram assacadas contra Jango, o PTB e o PCB, nos anos anteriores ao golpe de 1964.

 

Nos anos posteriores, os oficiais “revolucionários” descobriram que as “transferências” para os próprios bolsos eram praticadas por empresários e oportunistas que apoiaram o golpe desde o primeiro momento. O que lhes garantiu a impunidade. O número de corruptos julgados pela “revolução redentora” foi insignificante. Seja em comparação com o volume de denúncias que antes ocupava o noticiário, seja em comparação com o número de opositores políticos torturados e/ou assassinados.

 

Talvez por isso, a grande mídia se mantenha silenciosa a respeito da corrupção na ditadura militar. Da mesma forma que o coronel Boggo, ela confunde “controle social” com “censura”. Isto os torna aliados de fato. Uma parte dessa mídia reconheceu seu “erro” em apoiar o golpe de 1964 porque aquilo que clamava ser “objetivo comunista” de calar a imprensa tornou-se prática corrente da “revolução de 1964” para esconder seus desmandos, corrupção e atrocidades.

 

A grande mídia se esforça por trazer a público apenas a perseguição que a atingiu. Mas seus repórteres investigativos não são orientados a levantar os “grandes negócios” praticados por muitos dos condestáveis do regime, em associação com empresários nacionais e estrangeiros. Afinal, teriam que explicar como incêndios em algumas redes de televisão, incialmente dados como atos terroristas dos comunistas, permitiram que elas embolsassem recursos volumosos pagos pelo seguro, e ainda se beneficiassem de isenções de importação para se modernizarem.

 

Em termos políticos, tanto os “duros” das forças armadas, a exemplo do coronel Boggo, quanto a grande mídia, têm no PT e demais partidos de esquerda seus principais inimigos. Mas o recrudescimento dos ataques ao PT, paradoxalmente, não tem como objetivo central o que foi feito por esse partido no governo. Na verdade, a preocupação se concentra no fato de o modelo de convivência entre a economia monopolizada por grandes grupos estrangeiros e nacionais e uma redistribuição de renda mais efetiva ter alcançado seus limites.

 

Isto impõe que o Brasil seja reindustrializado, cresça economicamente, eleve o padrão de vida da população, solucione os problemas de mobilidade urbana, saneamento básico, educação, saúde e redução substancial da violência. E aumente a participação democrática dos brasileiros na vida do país. Em tais condições, a proposta de conselhos participativos aponta para o “perigo” de Dilma, se reeleita, se ver constrangida a empreender reformas mais profundas do que as reformas de base propostas nos anos 1960.

 

O ressurgimento das lutas de classe recolocou na ordem do dia esses desafios para o futuro. Por isso, o coronel Boggo tenta demonstrar que, “sob os governos do PT, o Brasil foi transformado em um grande Potemkin tropical”. Vagaria sem rumo, “tripulado por uma marujada desatenta ao leme, incompetente nas máquinas e focada somente no cofre de bordo”. Sem olhar para o próprio umbigo, nem para o passado de mazelas, deixadas tanto pelas décadas da ditadura militar quanto pela década neoliberal, ele afirma sem rebuços que é “inadiável desembarcar essa tripulação e desativar para sempre essa nau de insensatos”.

 

Não é difícil encontrar termos idênticos no pré-1964. Como será fácil encontrar afirmações de que uma “análise sobre o estado das coisas no país mostra que, na maior parte das atividades que constituem o governo de uma nação”, ocorreu uma atuação “funesta”. Agora, em relação ao PT, como em 1964 em relação a Jango e ao PTB e PCB. Nenhum deles teria “quadros suficientemente preparados para dirigir o país”. Como antes, o Estado teria sido aparelhado “com incompetentes”, cujas obrigações consistiriam em “repassar parte de seus rendimentos para o partido e servir como comissários políticos junto aos órgãos em que estão lotados”.

 

Assim, utilizando-se de argumentos típicos do período pré-1964, o coronel Boggo se aproxima rapidamente de sua conclusão máxima: o PT estaria, “na calada da noite, caminhando passo a passo no rumo de seus propósitos de 50 anos atrás: introduzir neste país um regime totalitário de inspiração cubana”. Pouco importa ao coronel que o PT tenha apenas 33 anos de fundado. Nem que esse partido seja acusado, inclusive por parte da esquerda, de estar fazendo justamente o contrário do que afirma o  coronel. Isto é, concessões demasiadas ao capitalismo.

 

O coronel Boggo sequer se incomoda em bancar o democrata. Poderia sugerir que, sendo veracidade o perfil que traçou do PT, bastaria apelar para a população repudiá-lo nas próximas eleições. Em qualquer país, mesmo apenas formalmente democrático, as eleições são a forma de destituir governos que não correspondem aos anseios populares. De certo modo, é isso que a grande mídia brasileira vem tentando fazer nos últimos anos, embora até agora tenha conseguido poucos resultados.

 

Mas o coronel Boggo não acredita nessa solução. Para ele, o PT é formado por comunistas. Portanto, o coronel toma o PT como pretexto, da mesma forma que Jango foi usado em 1964. Para “duros” como ele, o problema estava, e continua estando, nos “comunistas”. Que podem ser tomados como os que não concordam com as propostas reacionárias e ditatoriais, mesmo que se apresentem como liberais. Ou, como diz o coronel, os que “teimam em não aceitar que cada pessoa é um universo à parte e que não há como aplicar soluções iguais sobre indivíduos desiguais”.

 

Isto é, os comunistas cometeriam o absurdo de interpretar “a situação desfavorável dos mais pobres como sendo uma consequência das condições evidentemente mais confortáveis dos mais ricos, sem jamais se permitir imaginar que talvez isso seja consequência da diferença de habilidades, de talentos ou de perseverança no trabalho”. Bingo: a pobreza e a riqueza seriam inatas. Em vista disso, o coronel Boggo advoga que se apliquem soluções desiguais para indivíduos desiguais.

 

A ignorância do coronel não lhe permite aceitar que os comunistas advogam algo teoricamente idêntico. Eles preconizam exigir de cada um segundo sua capacidade e atender a cada um segundo suas necessidades. Isto é, o atendimento dos desiguais de acordo com suas necessidades conduz à igualdade, dividindo melhor a riqueza gerada pelo trabalho. Na prática comunista, não haveria ricos nem pobres.

 

Porém, o que em teoria parece idêntico, na prática se torna antagônico. O coronel Boggo considera os pobres e os ricos uma fatalidade de nascença, não uma consequência do sistema econômico e social que tem por base a propriedade privada. Para os pobres, pobreza. Numa concessão à realidade, o coronel admite que “existem situações em que ocorre uma exploração criminosa dos mais fracos”. Chega a aceitar que “a legislação tem avançado bastante no sentido de coibi-las”.

 

Mas não tem a hombridade de reconhecer que tal avanço, pelo menos nos últimos anos, se deveu a governos dirigidos pelo PT ou por outros partidos de esquerda. Governos compostos não só por petistas, mas também por comunistas e socialistas, muitas vezes aliados a democratas liberais e a conservadores. Prefere ficar com sua antropologia reacionária, que considera os ricos o resultado de “qualidades inatas”, “trabalho intenso”, “esforço continuado”, “estudo” e “mão na massa”.

 

Tais qualidades dariam “a certos indivíduos uma condição de relevo”, fazendo-os constituir a “elite de uma coletividade”. Queira ou não, o coronel retoma a questão das classes e da luta de classes pelo viés mais reacionário.

 

 

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Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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