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A direita quer a copa Imprimir E-mail
Escrito por Renato Nucci Jr   
Terça, 10 de Junho de 2014
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A esquerda governista repete como um mantra que toda a crítica à realização da Copa do Mundo provém toda ela da direita política. As manifestações populares contra a realização do evento seriam, portanto, obra de setores conservadores que torcem pelo fracasso da Copa. Tais objetivos escusos serviriam para desgastar o governo Dilma e, assim, pavimentar o caminho para uma vitória eleitoral dos candidatos dessa mesma direita em outubro. Alguns chegam ao ponto de enxergar, nas manifestações, as digitais da CIA. No caso das forças políticas e sociais que organizam os protestos contra a realização da Copa, a esquerda governista os acusa de estarem ingenuamente servindo aos interesses da direita.

 

Para demonstrar a falsidade dessas acusações, torna-se necessário definir com mais precisão o emprego do conceito de direita. A aplicação do termo na atual cena política brasileira abusa da falta de claridade e da vaguidão. Associa-se a direita exclusivamente aos interesses de frações burguesas, representadas pela frente partidária e institucional capitaneada pela trinca PSDB-DEM-PPS. O resultado lógico dessa operação leva a definir o mandato petista como sendo de esquerda, esquecendo-se convenientemente que em seu interior existem forças políticas igualmente de direita. Desse modo, se a atual edição da Copa do Mundo foi trazida para o Brasil por um governo de esquerda, logo, a oposição que lhe é feita só pode ser da direita. Assim, qualquer crítica ou é ingênua, pois ignora as vantagens que o evento trará ao país, ou é mal intencionada, pois torce e age para ele ser um fiasco.

 

Buscando encontrar uma definição que fuja dessa oposição simplista, estar contra ou estar a favor do governo de turno, toda a caracterização em torno de direita e esquerda deve ter como parâmetro básico uma posição frente à luta de classe. A direita expressa no plano político e ideológico a posição de classe daqueles que visam manter a exploração e a dominação capitalistas. Por esse motivo, a burguesia e suas classes aliadas, como parcelas da pequena-burguesia proprietária e assalariada, representam a base do pensamento de direita e conservador, construindo organizações políticas e sociais que expressem seus interesses.

 

Obviamente que essa definição é um tanto estreita, pois a direita, em seu interior, compõe-se de um amplo espectro de posições políticas e ideológicas, dentre as quais se destacam liberais, conservadores, reacionários, fascistas, ultranacionalistas, católicos etc. À burguesia, porém, interessa fundamentalmente fazer com que o Estado capitalista garanta o processo de acumulação e reprodução ampliada do capital, bem como o apassivamento das classes dominadas, utilizando para isso recursos materiais, políticos, repressivos e ideológicos. A burguesia também pode se posicionar em relação ao espaço nacional, podendo algumas de suas frações se tornarem sócias junto ao imperialismo na espoliação do espaço nacional, ou guardando para si certos espaços econômicos de seu território para a sua exploração, tornando-a concorrente do imperialismo.

 

Nesse sentido, a burguesia se dividirá em torno do modo como, em uma conjuntura concreta, o Estado será gerido, quais frações burguesas serão mais beneficiadas, mas, principalmente, pela posição que assumem frente à luta de classe; pela maneira como se fará o apassivamento das classes dominadas. E para isso ela recorrerá às forças políticas próprias, optando, de acordo com a conjuntura concreta, por uma das expressões políticas e ideológicas surgidas em seu seio. Em suma, seu apoio será sempre aos partidos colocados de alguma forma à direita no espectro político. Porém, em certa conjuntura da luta de classe, algumas de suas frações e representações partidárias podem compor uma frente eleitoral com partido operário de cunho socialdemocrata, para disputar o controle dos vértices dos aparelhos de Estado.

 

Na atual conjuntura brasileira, a burguesia, em relação ao governo federal, encontra-se, através de suas expressões partidárias, tanto na oposição como na situação. A razão para isso foge ao objetivo desse texto. Pretendemos apenas demonstrar que a burguesia brasileira, movida por seus interesses, apresenta-se dividida. Parte dela se alinha às expressões partidárias autenticamente burguesas, representadas principalmente pelo PSDB e DEM, assim como outra participa do arco de alianças hegemonizado pelo PT.

Neste caso, basta lembrar que a base de sustentação do governo inclui o PMDB dos oligarcas José Sarney e Renan Calheiros, bem como do lobista Eduardo Cunha; o PP de Paulo Maluf, corrupto notório e prefeito biônico de São Paulo na ditadura militar; o PR do latifundiário Blairo Maggi, maior produtor individual de soja do mundo; o PSD do ex-malufista Gilberto Kassab e da latifundiária Kátia Abreu; o PRB do senador Marcelo Crivella; o PTB do também senador Fernando Collor de Melo, cassado pelo Congresso após intensa mobilização popular; e até mesmo aliados tucanos, como o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, que se tornou ministro-chefe da Secretaria da Micro-Pequena Empresa do governo Dilma.

 

Pelos motivos acima, tratar as críticas feitas à Copa do Mundo como sendo de direita, deixa a impressão de que esta se une contra a esquerda, por causa da frente partidária que governa o país ser dirigida por um partido de extração operária e popular. Todavia, a burguesia e a direita, esta entendida aqui como a expressão política e social daquela, esteja na situação ou na oposição, não está contra a Copa. Muito pelo contrário, visando faturar alto, apoia o evento e faz de tudo para que ele seja um sucesso. A melhor prova disso está na opinião emitida por seus porta-vozes. Vejamos alguns.

 

A ruralista Kátia Abreu, senadora pelo PSD, em artigo publicado na Folha de São Paulo,  afirmou que “está em curso uma campanha nacional contra sua realização [da Copa], o que, além de equívoco do ponto de vista econômico, é uma leviandade política e social. Busca-se, por essa via, atingir o governo. Mas a Copa não é do governo: é do país – e é ele o atingido” (1).

 

Não apenas a direita que está com o governo é a favor da Copa. A que está contra também a deseja. Um exemplo é Demétrio Magnoli, expoente do pensamento conservador e ligado à oposição. Apesar das duras críticas à realização do evento, conclui que “a Copa é legítima: dois governos eleitos, o de Lula e o de Dilma, decidiram sobre a candidatura brasileira, a legislação do evento e a mobilização de recursos para a sua realização”. Por esse motivo, por mais que o evento esteja sendo apropriado pelos mandatos petistas para, de acordo com o articulista, “ludibriar o país inteiro, embriagando-o num verde-amarelismo reminiscente da ditadura militar”, os que protestam e resistem contra a realização da Copa são piores. O dístico “#NãoVaiTerCopa” seria “a bandeira de grupúsculos políticos que não reconhecem as regras do jogo da democracia”. Nesse sentido, os movimentos sociais que protestam contra a realização do evento, misturam “delírios revolucionários, iracundas acusações contra a ‘mídia’ e líricos elogios ao regime militar. Depois do ‘#NãoVaiTerCopa’, emergirá o ‘#NãoVaiTerEleições’, prometem esses depredadores da política, enquanto acumulam arsenais de rojões e varas” (2).

 

Em Campinas/SP, o principal diário local, o conservador e provinciano Correio Popular, como todo meio de comunicação grande adversário dos movimentos populares, em seu editorial de 16 de maio, criticou duramente os protestos contra a realização da Copa ocorridos no dia anterior. Constatando a existência de uma difusa indignação, que se expressa em manifestações às vésperas da abertura do mundial, aponta para os riscos de surgir no Brasil o cenário de uma grave convulsão social. Identificando a dificuldade do governo em contê-las, aponta qual o melhor caminho para garantir a realização do evento: “O uso da Força de Segurança Nacional parece ser a única saída para tentar garantir a ordem pública, o que sugere momentos de sobressalto para a população, aquela que economizou o seu suado dinheiro para ver pelo menos um dos jogos do Mundial em seu país ou aquela que simplesmente estará nos seus deslocamentos rotineiros, sobretudo nas metrópoles” (3).

 

Uma das opiniões mais reveladoras foi publicada na Folha de São Paulo de 17 de maio. Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas, expôs claramente a preocupação da grande burguesia com os prejuízos causados pelos protestos: “Nos bastidores, as empresas pressionam o governo para procurar coibir as manifestações. Trata-se de um evento bilionário e os protestos podem causar prejuízos. Não interessa nem ao governo nem às empresas, muitas das quais financiadoras de campanhas eleitorais, ter manifestação durante a Copa” (4).

 

Diferente, portanto, do que propaga a esquerda governista, a direita e a burguesia, tanto a que está com o governo como aquela que está contra o governo, querem a Copa. Anseiam pelo sucesso do evento, pois querem ganhar muito dinheiro com o mundial. Para eles, sim, a Copa deixará um legado: o de aumentar os seus lucros. Para tanto, auxiliados pela esquerda governista, empreendem uma virulenta campanha para deslegitimar os protestos e as críticas feitas por setores do movimento popular e novos atores políticos que se descolaram da influência do governo. Por outro lado, apelam para medidas repressivas como forma de garantir que o evento seja, de seu ponto de vista, um grande sucesso.

 

Não há dúvida de que vai ter Copa, para alegria da direita e satisfação da esquerda governista. Mas na Copa, apesar da repressão, vai ter luta.

 

1) Em defesa da Copa do Mundo, Folha de São Paulo, 17 de fevereiro de 2014.

2) #VaiTerCopa, Folha de São Paulo, 15/02/2014.

3) O grande risco de convulsão social no Brasil, Correio Popular, 16 de maio de 2014.

4) Perda de popularidade da Copa faz empresas “fugirem” do evento, diz especialista. Folha de São Paulo, 17/05/2014.

 

Renato Nucci Jr. é membro da Organização Comunista Arma da Crítica.

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Última atualização em Quarta, 11 de Junho de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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