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Para sobreviver, sair do dólar Imprimir E-mail
Escrito por Adriano Benayon   
Terça, 03 de Junho de 2014
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1. O sistema monetário internacional, que prevalece desde 1971, é ainda pior que o criado pelos Acordos de Bretton Woods, em 1944, meses antes de acabar a 2ª Guerra Mundial.

 

2. Esses acordos – que instituíram o Banco Mundial e o FMI – deram primazia ao dólar como moeda de reserva mundial, mas estabeleciam limite à tirania financeira anglo-americana, porquanto os EUA se comprometiam a vender ouro em troca de dólares, à taxa fixa de US$ 35 por onça-troy (31 gramas).

 

3. Entretanto, em agosto de 1971, os EUA romperam oficialmente os acordos de Bretton Woods, que já descumpriam na prática, desde, pelo menos, 1968, ao dificultar, a entrega do ouro.

 

4. Não lhes foi difícil virar a mesa, a seu talante, uma vez que eram satélites dos EUA os países que acumulavam maiores saldos de transações correntes em dólares – como Japão, Alemanha e Itália, ocupados militarmente desde o final da Guerra.

 

5. A exceção foi a França, cujo presidente, general De Gaulle, praticava política independente. Exigia a conversão em ouro dos saldos de seu país, pois colocava os interesses nacionais acima da ideologia, inclusive em seu posicionamento em face da Guerra Fria.

 

6. A oligarquia financeira anglo-americana visa exclusivamente ao poder mundial ilimitado e tampouco acredita em ideologias. Usa qualquer uma, em qualquer lugar, que a ajude, conforme o momento, a avançar naquele objetivo.

 

7. Assim, os serviços secretos dos EUA e do Reino Unido, juntamente com as máquinas de corrupção de instituições públicas e privadas desses países, fomentaram, na França, lideranças estudantis esquerdistas, com apoio da grande mídia e até de partidos e organizações de esquerda.

 

8. Assim, mobilizaram massas no movimento de maio de 1968, que espalhou a desordem e o caos pela França, e até hoje é considerado libertário pela opinião majoritária.

 

9. Apesar de alvo das manobras anglo-americanas de desestabilização, De Gaulle manteve-se no governo até 1969, renunciando, ao ser derrotado em um referendo, pela primeira vez.

 

10. Esse tratamento, dado pela tirania imperial a De Gaulle, foi menos brutal que o dispensado a Saddam Hussein em 2003 e a Muamar Kadafi em 2011. Afinal, a França era potência nuclear e aliada, ademais de fonte das tão traídas ideias democráticas, formalmente adotadas nos EUA.

 

11. Pela mesma tentativa, de livrar seus países da extorsão pelo dólar, Hussein e Kadafi foram assassinados, com seus filhos e famílias, e seus países destruídos por agressões militares genocidas.

 

12. Daí se infere a importância para o império de continuar obrigando suas vítimas a custear até as armas com que são trucidadas ou chantageadas.

 

13. Pode-se estimar o que está em jogo pela proliferação dos ativos financeiros em dólares. Os derivativos nessa denominação passam de US$ 500 trilhões.

 

14. Vê-se, ainda, a inflação do dólar comparando a taxa de conversão do ouro até os anos 60, e sua ascensão posterior no mercado: de US$ 35 por onça-troy ele foi para os atuais US$ 1.300.

 

15. Chegou a US$ 1.800 em 2011, e só caiu por meio de manipulações dos grandes bancos, que fazem o que querem nos “mercados financeiros”, como vender quantidades enormes de certificados de ouro que não existe em cofre algum.

 

16. Esses certificados não passam de papel pintado, como o dólar foi descrito pelo general De Gaulle, nos anos 60. Hoje, nem isso, pois basta um click nos computadores dos bancos do sistema do FED para passar o conto do paco no mundo inteiro.

 

17. A situação de um país em relação aos EUA é semelhante à de um particular ou de uma empresa em relação ao banco com que opera. Quando o banco faz empréstimos, cria dinheiro: abre, do nada, créditos na conta do tomador, e este fica obrigado a pagar amortizações e juros com dinheiro de seu salário ou de outra receita do trabalho individual ou empresarial.

 

18. Sob “governos” traidores, que começaram a entregar o mercado às empresas transnacionais após o golpe de agosto de 1954, o Brasil ficou fadado a ter déficits crônicos no comércio de bens e serviços (transações correntes) com o exterior, a origem das dívidas externa e interna.

 

19. O déficit de conta corrente tem crescido aceleradamente e somou US$ 81,4 bilhões em 2013. No primeiro quadrimestre, já atingiu US$ 33,5 bilhões, projetando mais de US$ 100 bilhões em 2014 (quase 5% do PIB).

 

20. De 2008 a 2012, totalizou US$ 204,1 bilhões, devendo, pois, ao final de 2014, acumular mais de US$ 400 bilhões, salvo se a crise econômica desabar sobre o país antes de o ano terminar.

 

21. O rombo é mal tapado pela entrada de investimentos estrangeiros, porquanto estes implicam intensificar a causa do mal, pois o grosso dos déficits externos decorreu dos lucros, inclusive disfarçados em despesas, remetidos ao exterior, relacionados também com o desequilíbrio inerente ao comércio entre países que se desenvolveram e os que patinam no atraso tecnológico, proveniente da desnacionalização da economia.

 

22. A moral, ou antes, a imoralidade da história é que, para “investir”, as transnacionais só precisam de dólares que seus bancos criam à vontade, enquanto as dívidas que o Brasil acumula têm de ser pagas com bens, patrimônios e trabalho nacionais.

 

23. Com efeito, valendo-se do privilégio dado ao dólar como divisa internacional, os emissores dessa moeda e as empresas a eles ligadas não têm dificuldade alguma para comprar patrimônios, empresas e consciências em qualquer país que não restrinja essas aquisições.

 

24. Instituído no final de 1913, em trama na qual o Congresso cedeu seus poderes à oligarquia, o FED, banco central dos EUA, cria dólares e os fornece aos bancos anglo-americanos que formam o cartel controlador do próprio FED.

 

25. Sair do dólar gerará represálias das potências anglo-americanas e satélites, também dominadas pelos manipuladores dos mercados financeiros. Entretanto, é medida de sobrevivência para quem não quiser continuar sendo satélite ou colônia da oligarquia mundial.

 

26. A alternativa é ser subjugado através da ilimitada criação de moeda, que permite a essa oligarquia adquirir praticamente tudo, em qualquer lugar do mundo, além de financiar sua máquina de guerra.

 

27. Os EUA, de há muito, investem em armas mais que o dobro que o resto do mundo, e são as armas que, por exemplo, obrigam países exportadores de petróleo a vendê-lo por dólares.

 

28. A questão está na ordem do dia. Haverá reunião em julho deste ano, em Fortaleza, na qual se espera que os chefes de Estado dos BRICS formalizem a criação de Banco de Desenvolvimento e assinem Acordo Contingente de Reservas.

 

29. Mais promissora, por ora, é a realização, nas moedas da Rússia e da China, dos pagamentos referentes ao novo e expressivo acordo de fornecimentos de gás russo e às exportações chinesas relacionadas.

 

30. Essas potências já realizam, em suas moedas, algumas transações com terceiros países, principalmente asiáticos, e a amplificação disso é fundamental para o ainda distante fim do domínio mundial do dólar.

 

31. Para contribuir nessa direção, o Brasil precisa, desde logo, revogar o art. 164 da Constituição e nacionalizar o Banco Central.

 

32. De fato, entre outros atos lesivos aos interesses nacionais, o BACEN rejeita operações pelo Convênio de Créditos Recíprocos, firmado, em 1968, com países latino-americanos, e através do qual as operações de comércio exterior podem ser liquidadas nas moedas dos países membros, e os saldos, financiados pelas autoridades financeiras respectivas.

 

 

Leia também:

China, EUA e Brasil

Finanças e (sub)desenvolvimento

“Eleições” no modelo dependente

 

 

Adriano Benayon é doutor em Economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

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