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Ronaldinho, Joaninha e a Ingratidão Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito   
Terça, 03 de Junho de 2014
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Estamos às portas de um momento histórico do país, que num espaço de poucos meses celebrará uma Copa do Mundo e eleições gerais, enquanto que por fora do mundo oficial, e seus achegados, movimentos e sindicatos estão em polvorosa.

 

Fazer previsões do que virá nos próximos dias é mais do que imprudente. Não sabemos, ainda que tenhamos indícios, se os protestos populares a respeito dos desmandos praticados em nome de uma “redentora” Copa do Mundo, conjugados com a falência generalizada dos serviços e direitos essenciais, atingirão os mesmos patamares de junho de 2013.

 

Tampouco podemos cravar os grandes favoritos dentro de campo. Seleções que vinham bem cotadas há poucos meses apresentam, cada uma a seu modo, problemas na montagem da equipe, defeitos em um ou outro setor ou ainda más condições físicas de alguns dos principais jogadores.

 

Assim, começa-se a sentir no ar um certo favoritismo brasileiro, que, além do fator casa, evidenciado na Copa das Confederações, já tem seu selecionado inteiramente reunido e, ao que consta, em excelentes condições físicas. Será de bom grado os políticos, agora mais apaixonados do que nunca pelo futebol, evitarem comportamentos semelhantes aos de seus antecessores de 1950.

 

De toda forma, mistério é uma boa palavra pra definir o momento, o que na verdade é um dos grandes ingredientes da vida.

 

Para ficar claro, esta coluna entende que, de certa forma, a Copa do Mundo já tem definidos seus vencedores e vencidos. Os donos do poder, seus grandes financiadores, além dos velhos parasitas do futebol brasileiro, já ganharam seu jogo. Os historicamente desassistidos já perderam, o que em alguns casos inclui o próprio teto.

 

Entendo que teremos uma Copa nos campos e outra nas ruas. Dá pra desfrutar de ambas, sem contradições. Afinal, continuamos amando o futebol e, para quem não protesta por modismo, as disputas políticas continuarão no futuro. De modo que aquele que abrir uma gelada para assistir aos jogos não precisa sentir peso na consciência. É possível conciliar as duas frentes.

 

Posto isso, não parece aceitável o “protesto”, a “indignação”, de quem já ganhou. Esses devem seguir a indicação de Pelé: “esqueçam essa confusão”. Como dito no início, sobram mistérios em torno do que serão as próximas semanas. O que não guarda suspense é a definição das grandes caras de pau da história.

 

“Podemos fazer o maior de todos os protestos no dia 5 de outubro”, disse Ronaldo, promovido a ‘senhor de tudo’ no país desde sua aposentadoria dos campos e novo cabo eleitoral de Aécio Neves. “O que tinha de ser roubado já foi, meu protesto contra a Copa será nas eleições”, ponderou Joana Havelange, herdeira dos dois principais responsáveis pela decadência do nosso futebol doméstico.

 

Vou economizar adjetivos que expressem indignação. Até porque a dupla merece muitos. Ronaldo já mostrou ser da linha “topa tudo por dinheiro” – e prestígio. Está em todas as frentes. É membro do comitê organizador (apesar de aparentemente ter esquecido disso), agencia a carreira de jogadores, continua cheio de contratos publicitários, comenta jogos na TV e ainda pode dar uma palha na concentração da seleção, como herói de outras jornadas.

 

Em resumo, ganhou muito com a Copa e, dizem, pode ser um dos beneficiários do chamado “legado”, uma vez que já há quem diga que possui investimentos imobiliários em Itaquera, entre outros pulos. Joana, por sua vez, recebeu altíssimo salário pra “organizar” a festa e angariou prestígio nos bastidores políticos.

 

A pergunta para os dois é uma só: “querem protestar contra o que?”. O que lhes cabe é agradecer e abrir champanhe. Estão no andar mais alto de nossa iníqua pirâmide social. Para ambos, foi ganho sobre ganho. Simples assim.

 

Mas parece que a fome é grande. Apesar de o atual governo ter lhes permitido tudo, querem mais. Querem pautar uma população em favor do projeto de poder de um partido que já mandou no país por oito anos e nada de bom trouxe. Pelo menos em relação aos setores da população que agora estão nas ruas.

 

E parece que ainda contam com a suposta “inépcia” (cada vez mais desmistificada) do povo brasileiro em compreender quem são seus exploradores e/ou opressores. Fiquem tranquilos. Protestaremos. Mas não do jeito que vocês desejam. Até porque, Ronaldo, você já disse que somos “vândalos”, que a polícia que mata e tortura todo dia, e ainda guarda carinho pela “revolução de 1964”, precisa baixar o cacete em nós.

 

Não somos do mesmo mundo. Num país tão marcado pela desigualdade em todos os setores, sabemos bem, cada vez melhor, quem está de cada lado. Quem ganha e quem perde. Não estamos com humor para seguir conselhos de um ex-pobre que nunca mais deu bola para sua vila de origem. Ou da cria de um sujeito que, de tão querido pelos torcedores brasileiros, sequer dava as caras nos estádios, em mais de duas décadas de triste reinado, além de neta daquele que deu o impulso fatal para a transformação do futebol em negócio corporativo.

 

Talvez não saibam, mas tratar a população indignada como massa de manobra eleitoral só serve para potencializar a revolta. Em tempos em que velhas fórmulas de organização partidária e sindical estão sendo atropeladas pelas próprias bases e novos movimentos, não cai bem os grandes vencedores do atual processo tratarem as pessoas como imbecis – ainda por cima pedindo pau da polícia. Fica a dica.

 

No mais, é de corar a ingratidão de vocês dois. Ganharam tudo dos donos da festa, tiraram fotos, brindaram e viajaram muito. E no fim pedem para que se “proteste” nas urnas, obviamente, votando no PSDB. A ingratidão é uma das maiores misérias humanas.

 

Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania. Escreve semanalmente e apresenta os programas Central Autônoma e Conexão Sudaca na Central - http://central3.com.br/author/gabriel/#sthash.T293CQA4.dpuf, onde este texto foi também publicado.

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Última atualização em Segunda, 16 de Junho de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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