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‘Automobilização sindical e movimentos urbanos fortalecem ativismo social’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader, da Redação   
Terça, 03 de Junho de 2014
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Voltamos a junho, mês que novamente ficará para a história nacional, por marcar uma volta completa no calendário após as manifestações que chacoalharam o país, agora às portas de sediar a vigésima Copa do Mundo de futebol. Não faltarão manifestações e festejos populares, além de um bombardeio midiático em ambas as frentes, a fim de registrar, analisar e refletir o momento.

 

“Penso que aquele ‘estilo’ de manifestação não deve se repetir, levando em consideração que as pautas de hoje são mais focadas, específicas, e tendem a se desenvolver de forma mais orgânica do que em junho de 2013, quando, simplesmente, as pessoas desceram de seus apartamentos e foram às ruas reivindicar saúde, educação e transporte, mas também pautas diversificadas. Acho que esse espontaneísmo não se verificará em 2014”, disse o sociólogo do trabalho Ruy Braga, em entrevista ao Correio da Cidadania.

 

Como se nota na afirmação, ele enxerga uma mudança qualitativa nos atuais manifestos, menos massivos, porém, refletindo o que já vinha em gestação. “As reivindicações que estão sendo levantadas pelo movimento sindical e os trabalhadores em greve, em seu conjunto, conformam uma tendência que vem desde 2008. Desde então, os dados são muito claros, o número de horas paradas e greves tem crescido ano após ano. É importante, para além do contexto de Copa e eleições, pensar no que está acontecendo em termos de estrutura do mundo do trabalho de hoje no Brasil”, observou.

 

Braga vislumbra um novo ciclo de lutas, com enraizamento crescente, e que traz a novidade de movimentos sindicais descolados das velhas direções se cruzarem com os novos atores sociais urbanos. “Temos, de fato, um verdadeiro levante nos setores mais precarizados, terceirizados, com condições degradantes de trabalho e sub-remuneração... Um verdadeiro levante contra as direções sindicais e também contra o comodismo que tomou conta do sindicalismo oficial do Brasil no último período”, explicou.

 

A entrevista completa com Ruy Braga pode ser lida a seguir.

 

Correio da Cidadania: A alguns dias da Copa cercada de contestações, qual a sua opinião sobre o atual momento do país, com a gama imensa de trabalhadores e movimentos sociais na rua, com pautas tão diversificadas?

 

Ruy Braga: Em primeiro lugar, é importante destacar que, em termos de mobilização sindical, o atual momento que vivemos não é diretamente relacionado à Copa do Mundo. Evidentemente, existe o contexto da Copa, que estimula um nível maior de atividades reivindicativas. No entanto, as reivindicações que estão sendo levantadas pelo movimento sindical e os trabalhadores em greve, em seu conjunto, conformam uma tendência que vem desde 2008. Desde então, os dados são muito claros, o número de horas paradas tem crescido ano após ano no Brasil, assim como o número de greves.

 

Isso significa que há algo por trás desse movimento reivindicativo, que está além da atual conjuntura, seja a da Copa ou da eleição presidencial. O mais interessante é pensarmos, portanto, nas tendências subterrâneas que efetivamente nos permitam compreender o atual ciclo grevista. Porque, de fato, é um número alto de greves. Só temos os dados até 2012, mas o Dieese já ventila que 2013 foi superior em greves, um recorde histórico, e muito provavelmente 2014 será ainda maior.

 

Acho importante, para além do contexto de Copa e eleições, pensar no que está acontecendo em termos de estrutura do mundo do trabalho de hoje no Brasil.

 

Correio da Cidadania: Sendo assim, qual a sua avaliação sobre a organização sindical atual e as lutas que têm eclodido, especialmente quando se tem em mente que muitas das greves acontecem à revelia das direções?

 

Ruy Braga: Acho que esse é um ponto interessante para analisar. Até 2012, pelo menos, com algumas exceções importantes – como são os casos notórios das greves em Belo Monte e das usinas do Rio Madeira, do Complexo Petroquímico do RJ (Comperj) e do Complexo de Suape (PE), que foram greves também organizadas e realizadas até certo ponto à revelia dos sindicatos oficiais –, o movimento sindical, como um todo, ainda não havia perdido o controle sobre os trabalhadores. Não acho, ainda, que o movimento sindical tenha perdido tal controle. Entretanto, aquilo que antes era exceção (o processo de automobilização das bases que passa por cima do sindicato) está se tornando cada vez mais frequente, em especial naqueles grupos de trabalhadores que se encontram em situações mais precárias, tanto em suas condições de trabalho como nas condições contratuais.

 

Desse modo, tem-se uma situação em que está se tornando muito frequente tais trabalhadores atropelarem suas direções sindicais, a fim de obterem suas reivindicações. Por que? Porque, por um lado, o sindicalismo brasileiro está muito atrelado aos interesses do Estado e do governo brasileiro. Mesmo aqueles setores sindicais não tradicionalmente alinhados ao PT e à CUT, que estão em outras centrais, sempre estiveram muito alinhados, neste último período, ao governo federal. Ao lado dessa razão, o tal sindicalismo acabou se acostumando com formas de negociação pela cúpula. É o famoso cupulismo sindical.

 

Assim, acredita-se que um tipo de negociação direta com a empresa, ou mesmo com estados ou municípios, sem a participação da mobilização dos trabalhadores e sem amplos debates, é suficiente. E está se demonstrando que não é suficiente. Mostra-se insuficiente por duas razões: condições muito precárias de trabalho e salários baixos.

 

Portanto, temos, de fato, um verdadeiro levante nos setores mais precarizados, terceirizados, com condições degradantes de trabalho e sub-remuneração... Um verdadeiro levante contra as direções sindicais e também contra o comodismo que tomou conta do sindicalismo oficial do Brasil no último período.

 

Correio da Cidadania: Estamos quase completando um ano das grandes manifestações de 2013. Como você faria a correlação entre o atual momento com estas manifestações? Houve uma mudança qualitativa?

 

Ruy Braga: Sem dúvida nenhuma que junho de 2013 marca uma virada de página na história recente do país em termos de conjuntura política. Isso significa, entre outras coisas, que dezenas de milhares de pessoas, talvez milhões, descobriram o caminho das ruas, das mobilizações (e automobilizações), das reivindicações, o que naturalmente serve como espécie de estímulo ao movimento sindical. E a novidade do momento é o cruzamento do movimento sindical (ainda que mobilizado mais pelas bases) com os movimentos sociais urbanos, especialmente aqueles voltados à luta pela moradia.

 

Assim, temos, num patamar bastante elevado, o aumento do ativismo social de modo geral e o incremento da automobilização sindical, além do seu encontro com a revivificação do movimento social urbano. Isso tudo faz com que a conjuntura se torne bastante explosiva do ponto de vista da luta de classes. Ou seja, existe, de fato, uma sensação e um sentimento de inquietação, que está se transformando, a todo tempo, em indignação, greves, protestos e desafios aos governos e empresas.

 

Correio da Cidadania: Acha que há perspectivas de se repetir um movimento tão massivo quanto o de 2013?

 

Ruy Braga: Acho que não se repetirá o que houve em 2013, considerando-se que foi um movimento espontâneo. Acredito que teremos muitas manifestações durante a Copa do Mundo, existirá um incremento no nível de participação popular em termos de protestos e greves. Porém, não acredito que isso assumirá a forma de muitos milhares ou milhões de pessoas nas ruas.

 

Penso que esse “estilo” de manifestação não deve se repetir, levando em consideração que as pautas de hoje são mais focadas, específicas, e tendem a se desenvolver de forma mais orgânica do que em junho de 2013, quando, simplesmente, as pessoas desceram de seus apartamentos e foram às ruas reivindicar saúde, educação e transporte, mas também pautas diversificadas, motivadas por múltiplos interesses. Acredito que esse tipo de espontaneísmo não se verificará em 2014.

 

Correio da Cidadania: Como acredita que todo este cenário vá impactar as eleições, considerando as candidaturas majoritárias de Dilma, Aécio e Campos/Marina?

 

Ruy Braga: No âmbito federal, acredito que, talvez desde a primeira eleição de FHC, seja a eleição presidencial mais imprevisível. Porque, de fato, o país aprende a fazer política no sentido popular, desde baixo, reivindicativa. E ao fazê-lo rompe com aquela rotina burocrática de uma política decidida no gabinete, nos parlamentos, nos ministérios, no planalto, ou seja, desafia o mainstream político brasileiro, em seu todo. E, ao desafiá-lo, cria uma zona de incerteza, de imprevisibilidade, que tende a se ampliar.

 

Eu não arriscaria dizer que a Dilma se reelegerá, ou o Aécio ganhará, ou que o Eduardo Campos não será eleito. Acho que todas as previsões são arriscadas. É claro que as tendências ainda permanecem mais ou menos estáveis. Há uma acomodação no eleitorado da Dilma, um crescimento das oposições citadas de maneira geral, mas não vejo ainda como cravar um resultado. Temos de ser mais cautelosos. É bem provável que, num eventual turno, a Dilma seja reeleita. No entanto, não diria isso com 100% de certeza.

 

Correio da Cidadania: As forças mais progressistas, e à esquerda do espectro político, estão a seu ver sabendo aproveitar este momento de maior efervescência das lutas sociais para avançar o debate político, captando e dialogando com os anseios demonstrados pelas ruas?


Ruy Braga: Acredito que, do ponto de vista social, ou seja, daquele enraizado nos movimentos, no sindicalismo, nas periferias e assim por diante, existe certo consenso e acordo em torno da ideia de que é necessário construir alternativas à esquerda do PT. Construir instrumentos de luta, que passam necessariamente por um resgate, uma ressurreição do debate político no nível micro, isto é, em bairros, associações, sindicatos. Existe uma sensação muito difusa de que é necessário discutir política, e tal sensação é mais afinada com a militância da esquerda social, da alternativa socialista, enfim, com aquilo que o PT deixou de fazer nos últimos 10 anos, por estar mais preocupado em administrar o aparelho de Estado.

 

No entanto, esse consenso nas bases, de uma esquerda social que se consolida nos movimentos, um movimento sindical alternativo que se robustece, um enraizamento nas periferias, que também tem acontecido, não está se traduzindo em alternativas eleitorais. Há uma série de razões que explicam isso, mas sou mais otimista.

 

Esse acordo das bases, praticamente uma exigência para que se consolidem alternativas políticas socialistas, em especial ao PT, para romper com todo o burocratismo a que nos acostumamos e se traduzir eventualmente na formação de frentes de esquerda estaduais, em coalizões de partidos da “extrema” esquerda, no fortalecimento eleitoral de tais partidos, não me parece que deva ser “prioridade zero” da política de esquerda.

 

O eixo tem de ser a construção da unidade, a consolidação de alternativas de esquerda nos movimentos e sindicatos, um debate franco, aberto e claro entre os partidos, em termos de quais são as melhores vias e práticas afinadas com esse espírito. Esse eixo é mais importante do que forçar uma eventual candidatura, quando não há ainda as condições políticas e institucionais para tanto.

 

Valéria Nader, jornalista e economista, é editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito é jornalista.

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Última atualização em Segunda, 23 de Junho de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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