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Como eleger um presidente Imprimir E-mail
Escrito por Paulo Metri   
Sexta, 30 de Maio de 2014
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No presente artigo, tento mostrar a trama de dominação da sociedade brasileira por grupos políticos e econômicos em um período eleitoral. Como, no nosso sistema de governo, o presidente da República concentra enorme poder, é primordial para qualquer grupo político que queira usufruir da riqueza da nossa sociedade ter um dos seus membros exercendo o cargo.

 

Primeiramente, é necessário buscar definir quais são os grupos de interesse da política nacional. Sem a preocupação de colocá-los em ordem de importância, podem ser listados o capital financeiro (estrangeiro e nacional), o capital industrial (estrangeiro e nacional), grandes construtoras nacionais, empresários agrícolas (estrangeiros e nacionais), empresários do comércio e da prestação de serviços (estrangeiros e nacionais), sindicatos e centrais sindicais, associações de classe, organizações do movimento social, congregações religiosas, entidades ambientalistas, grupos da elite intelectual e outros.

 

Um ponto importante para entendimento da manipulação que ocorre é que a expressiva maioria dos partidos políticos acolhe basicamente os grupos de interesse citados e muito poucos partidos têm compromisso real com a sociedade como um todo. Os programas dos partidos políticos, excetuando os dos partidos ideológicos, são peças de retórica, e só são cumpridos se não atrapalharem os interesses dos referidos grupos. Um dado revelador é que, quando um partido é dependente de grupos de interesse, as doações para suas campanhas estarão concentradas em empresas e pessoas físicas milionárias.

 

Estes grupos, obviamente, querem ver seus candidatos eleitos pela sociedade. Como estes candidatos representam só os grupos que os apoiam, são obrigados a mentir muito para a população durante a campanha. Assim, os políticos fisiológicos, eleitos pelos financiadores de campanhas, serão fiéis unicamente a seus financiadores. É por esta razão que temos, no nosso Congresso, as bancadas do capital estrangeiro, ruralista, da saúde privada, do ensino privado e por aí vai.

 

Os que embarcam nesta enganação ao povo não têm a mínima consciência social. Pensam que este é composto de otários, que não precisam ser atendidos. Pelo contrário, basta serem manipulados. Eles se julgam merecedores do cargo eletivo por saberem manipular muito bem a população. Nenhum deles irá nunca confessar, mas são, na realidade, grandes atores. Para estes, não há um só discurso, nem uma só resposta em entrevistas, na qual eles se expõem livremente. Há somente representações.

 

Para trazer a análise mais próxima do mundo real, lembro que o governo da presidente Dilma, assim como os governos do presidente Lula, apesar de terem se submetido, em alguns momentos, aos interesses do capital estrangeiro ou de banqueiros, promoveram uma fantástica inclusão social. Eu já tinha, em 2003, três refeições por dia, então, não tenho representatividade para falar. Contudo, ouso dizer, em nome dos mais de 30 milhões de brasileiros que passaram a comer mais depois dos mandatos de Lula e Dilma, que estes presidentes serão lembrados pelos mais pobres por muito tempo, para desespero da direita.

 

As forças conservadoras são contrárias às conquistas sociais, porque, de alguma forma, estas conquistas representam a perda de lucro e poder para elas. Para a dominação da sociedade pelas forças conservadoras é imprescindível que elas tenham controle total das informações que chegam à sociedade. A bem da verdade, existe uma pequena parcela da mídia comercial que é mais livre. O início da trama inclui pesquisas frequentes de opinião da sociedade para saber, por exemplo, a visão do povo sobre as questões cruciais do momento presente e os anseios desta população. Os resultados obtidos ajudarão na formação do discurso do candidato de oposição, na esperança de que ele seja bem acolhido pela sociedade. Logo depois, a mídia comercial mancomunada usa estas pesquisas para incutir versões de fatos que desmerecem o governo. Desta forma, os candidatos de oposição chegam com a crítica certeira, apoiados mais uma vez pela mídia comercial. Assim, os grandes jornais, revistas, canais de TV e de rádio transmitem basicamente a mesma mensagem.

 

Uma arma das forças conservadoras são as pesquisas de opinião sobre a intenção de voto para presidente. Uma observação válida para qualquer pesquisa de opinião, não importando quem seja o demandante, é a metodologia, os dados de entrada e as conclusões serem auditadas pelo Superior Tribunal Eleitoral, com possibilidade de questionamento por qualquer entidade técnica. Isto porque são pesquisas questionáveis, onde há a possibilidade de manipulação dos entrevistados, antes de eles darem a resposta principal.

 

Dou a seguir um exemplo só para mostrar o que estou querendo transmitir. A sequência de perguntas poderia ser: “O que o senhor acha do escândalo do ‘mensalão’?”; “Como o senhor avalia os partidos cujos integrantes participaram do ‘mensalão’?”; “O senhor votaria em um ‘mensaleiro’?”; e “O senhor votaria em um candidato a presidente, lançado pelo partido que gerou mais ‘mensaleiros’?”.

 

Não preciso explicar como o entrevistado, neste caso, fica encurralado, inclusive através de afirmações não verdadeiras, mas bastante repetidas pela mídia, a escolher o que o pesquisador desonesto induz a ser escolhido. Eu posso gerar também uma sequência de perguntas que levaria o entrevistado a declarar, por espontânea vontade, que não votaria no Aécio e outra para o Eduardo Campos ser rejeitado. E é importante, para conquistar alguns eleitores da grande massa ainda virgem, que sejam divulgadas pesquisas com o candidato da mídia sendo bem aceito.

 

Porém, o voto que será depositado na urna poderá ser bem diferente daquele que lhe foi arrancado pelo pesquisador de opinião, pois o eleitor terá tempo suficiente para digerir as informações que lhe chegam. O problema é que, até o dia da eleição, podem continuar chegando só informações tendenciosas. Nesta hora, o horário eleitoral gratuito tem papel primordial para a democracia brasileira, pois, muitas vezes, é o único local onde há algum debate relevante. Nos dias próximos da eleição, as empresas de pesquisa de opinião têm que parar com a manipulação dos resultados, pois a credibilidade delas estará em jogo.

 

Esta manobra poderia ser chamada de “convergência para o real”. “Real” este que é diferente do “real” que existiria, se não tivessem ocorrido manipulações.

 

A trama continua com a direita divulgando maciçamente a opinião de seus artistas, do mundo do capital, de seus economistas e intelectuais, de duvidosos especialistas, frequentemente divulgadas só por ela própria, em geral pessoas vendidas, armando um mundo virtual em que o candidato popular é demonizado e seu candidato santificado.

 

Tudo que o demônio fez foi assistencialismo, corporativismo e roubalheira. Em resumo, ele não presta. Contudo, só um candidato popular é mostrado, porque outros, também da quota popular, não são nem divulgados. A população fica sem saber das suas existências e teses. Enfim, por mais um motivo, trata-se de uma cobertura de eleição não democrática.

 

Concedo o benefício da dúvida às pessoas que pensam que todos devem ter igualdade de oportunidades ao nascer e, depois, eles se diferenciariam por suas atitudes. Neste pensamento está embutido que a esperteza é uma qualidade humana, geradora de acúmulo de riquezas, que devem ser respeitadas, pois foram geradas com trabalho supostamente honesto. Algumas das pessoas que assim pensam agem com honestidade. Para eles, os que ficam na faixa da pobreza são preguiçosos e o governo é o culpado por não fornecer a igualdade de oportunidades, provando que é cômodo colocar a culpa em uma figura distante, cuja investidura é de responsabilidade difusa. Suponha que tudo isto seja correto, mas, mesmo assim, por que não estender a mão para quem está desesperado? O Bolsa Família era a corda lançada ao afogado e, no início do programa, as forças de direita o reprovavam categoricamente. Hoje, tem candidato desta tendência garantindo que irá expandi-lo, contando com a memória curta da população.

 

O próximo capítulo da trama da direita para eleger seu candidato consiste em corromper funcionários públicos de órgãos de fiscalização e investigação para obter informações privilegiadas sobre os oponentes. Dossiês, verdadeiros ou não, são criados sobre os adversários para alimentar denúncias na sua mídia. Existe também toda uma máquina de advogados para tratar das diversas questões de uma campanha, mas, principalmente, para limitar o opositor ao mínimo tempo nas televisões e rádios. Mais uma vez, é constatado o grande avanço dado para a democracia brasileira pelo horário eleitoral gratuito. Este espaço beneficia mais as forças de esquerda que não têm o domínio da mídia. Até hoje, não entendo como ocorreu este avanço em um Congresso dominado por conservadores.

 

Outra estratégia é o fechamento de acordos políticos, tanto com os acima de qualquer suspeita como com aqueles cheios de suspeitas. Nesta hora, os políticos éticos ficam acuados. Como nosso povo é pouco politizado, verdadeiros bandidos têm influência política em comunidades, agremiações, partidos, igrejas, enfim, eles têm seus seguidores. Estes proxenetas vendem suas capacidades de indução do voto ou querem participar do novo governo, se eleito, com seus prepostos ocupando cargos da administração. Outros bandidos são os doadores de campanha através de caixa 2.

 

Novamente, como a sociedade tem baixo grau de politização, as campanhas eleitorais são muito caras, porque há a necessidade de contratar os ludibriadores marqueteiros, comprar pesquisas eleitorais, pagar os intermediários do povo, imprimir material de campanha, dar mimos aos eleitores etc. Todos estes gastos explicam a dependência fatal dos candidatos aos doadores de campanha, que são também corruptores, pois exigem compensações.

 

Infelizmente, nosso povo ainda não expulsou estas mazelas do quadro político. As tradicionais reivindicações dos grupos de interesse são, em primeiro lugar, aquelas relacionadas às indicações para os cargos de ministros e secretários dos diversos Ministérios, as direções das agências reguladoras, do Banco Central, da Petrobras, da Eletrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, do BNDES, enfim, de locais onde os prepostos irão gerar muita transferência de recursos do Estado para seus mentores.

 

Em segundo lugar, a garantia da continuação de benefícios fiscais e creditícios a setores, o compromisso de apoiar iniciativas existentes no Congresso, como, por exemplo, a atual Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de término do monopólio estatal do setor nuclear, o atendimento da eterna reivindicação dos ruralistas, que é a concessão de perdão das suas dívidas junto ao Banco do Brasil, além de outras reivindicações.

 

As multinacionais fazem suas pressões específicas. Por exemplo, as petrolíferas estrangeiras querem que o governo leiloe, entre outros, o petróleo acima de 5 bilhões de barris de Franco, pois, segundo elas, a Petrobras só teria direito a esta quantidade. Nas telecomunicações, há empresa estrangeira divergindo de outra, mas, para a exploração de um mercado com 200 milhões de habitantes, elas sempre entram em acordo. O governo dos Estados Unidos tem seus candidatos preferenciais, contudo, não há vetos para os três mais incentivados pela mídia.

 

É óbvio que o eleito irá receber as “diretrizes” deste governo, logo no início do seu mandato, o que aconteceu com Dilma em 2011, ao receber Obama no Brasil, como pode ser lido na publicação do governo norte-americano, intitulada “Blueprint for a Secure Energy Future”, que diz, na sua página 16: “Durante sua visita ao Brasil em março de 2011, os presidentes Obama e Rouseff (sic) concordaram em trabalhar como parceiros energéticos estratégicos para o benefício de ambos países, incluindo o desenvolvimento seguro dos vastos recursos de petróleo e gás na camada do Pré-Sal na plataforma continental do Brasil”. Registre-se que a presidente Dilma promoveu, depois de março de 2011, três rodadas de leilões de áreas de petróleo, inclusive a do campo de Libra com 10 bilhões de barris. Todos estes leilões em situações prejudiciais para a sociedade brasileira.

 

Durante a campanha, alguns sindicatos, centrais sindicais e entidades do movimento social também exigem compromissos com nomeações, além de outras reivindicações. Neste caso, existe uma linha tênue separando o certo e o errado. Se as nomeações representarem titulares de órgãos que irão promover excelentes administrações, não há problema algum. Contudo, infelizmente existe a esquerda fisiológica, que, na verdade, não seria mais esquerda, pois é movida pelos mesmos anseios dos representantes da direita.

 

Com relação aos governos do PT, apesar das minhas críticas à falta de uma visão soberana e à submissão às forças neoliberais, como, por exemplo, na nomeação de Henrique Meirelles para o Banco Central, muito de positivo pode ser citado. A explosão de universidades públicas, com o consequente aumento de vagas universitárias, a queda substancial do desemprego, a melhoria do salário médio dos trabalhadores, a melhoria do atendimento médico, principalmente no campo, são feitos nunca realizados por nenhum outro presidente. Assim, o governo Dilma, sob o ponto de vista de soberania, é muito ruim e, sob o ponto de vista social, é muito bom.

 

Outra questão importante para a direita é esconder os temas em que ela seria obrigada a mostrar sua própria cara e buscar trazer temas amorfos. Temas como o aborto, a homossexualidade e o uso da maconha são extremamente importantes, mas eles não mostram o pensamento podre da direita. Ela foge de participar de debates sobre, por exemplo, remessa de lucros, imposto progressivo, reforma agrária, empresa genuinamente nacional, monopólios estatais, oligopólios estrangeiros, educação para a vida em contraposição à educação para o mercado, modelo liberal falido das agências reguladoras. Ela tergiversa e se cala, quando não mente.

 

Um bom exemplo da busca por confundir a população foi dado, há poucos dias, pelo candidato Aécio Neves. Falava-se sobre o alvissareiro compromisso da presidente Dilma em remeter uma proposta, que visaria a democratização da comunicação de massas, para o Congresso em um eventual segundo mandato seu. Assim, o candidato Aécio afirmou algo como: “Eu sou contra, pois eles (o PT) querem cercear a liberdade de imprensa”. Só um incauto pode concordar que existe hoje uma mídia democrática e, muito menos, que ainda existe espaço para um cerceamento maior do que o atual. Os próximos meses prometem grandes atuações de cinismo, desfaçatez e mau caratismo.

 

Neste texto, busco somente identificar caminhos melhores para a nossa sociedade. Assim, o Aécio, se eleito, será a reedição do péssimo governo de FHC. O Eduardo Campos é um vira-casaca, como o Ronaldo Fenômeno. Sobre a presidente Dilma, não esqueci o que ela fez com os setores de petróleo e elétrico. A entrega do campo de Libra, já citada, está até hoje engasgada na minha garganta. Desta forma, vou esperar o horário eleitoral para decidir. Vou analisar as posições de Randolfe Rodrigues, Mauro Iasi, José Maria de Almeida e outros, já que a mídia do capital não cumpre seu papel informativo e não mostra estes candidatos. Entretanto, se ocorrer segundo turno, pelo qual a mídia vive torcendo, Dilma versus Aécio ou Dilma versus Eduardo, votarei com muita convicção na presidente Dilma.

 

Paulo Metri é conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania. Blog do autor: http://www.paulometri.blogspot.com.br/

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Última atualização em Terça, 03 de Junho de 2014
 

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