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‘Nós, do sindicato dos rodoviários, tentamos negociar, mas tem hora que não dá pra segurar’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito e Paulo Silva Junior, da Redação   
Sexta, 23 de Maio de 2014
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A cidade de São Paulo teve uma semana marcada por diversas manifestações populares, entre as quais chamou atenção, até por sua raridade, a greve de dois dias deflagrada por motoristas e cobradores de ônibus. Se no ano passado foi o Movimento Passe Livre e toda a onda popular contra o reajuste de 20 centavos na tarifa que roubaram a cena, desta vez foram os trabalhadores do setor quem fizeram suas reivindicações.

 

“As dificuldades são inúmeras, como os baixos salários e a tal de ‘fominha’ aplicada pelos empresários, que é uma hora-extra paga por fora. É difícil, porque em geral o único mecanismo que o trabalhador tem é a greve. Não tem pra onde correr. Tentamos negociar, mas tem hora que não dá pra evitar os protestos e manifestos”, afirmou Marco Antônio Coutinho, em entrevista ao Correio da Cidadania, na qual também explicou a polêmica de uma greve promovida sem aprovação em assembleia sindical.

 

Nesse sentido, Coutinho lamentou o fato de os grevistas terem feito a paralisação sem acordo total da categoria, mas esteve longe de condená-los, mostrando compreensão com a revolta, uma vez que, como motorista de ônibus, elencou diversos problemas enfrentados pelos trabalhadores no dia a dia. Além disso, explicou que no atual momento a categoria tenta se organizar em moldes diferentes daqueles registrados em passado recente.

 

“Espero que essa direção não vá parar nas páginas policiais, como aconteceu em administrações passadas. Trabalho pela unidade da direção e para que possamos transformar as nossas reivindicações em vitórias, porque também sou trabalhador”, explicou Marco, que é dirigente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de São Paulo.

 

A entrevista completa, novamente realizada em conjunto com a webrádio Central 3, pode ser lida a seguir.

 

Correio da Cidadania: Quais motivos que levaram a essa greve dos rodoviários, mesmo sem aprovação do sindicato, e quais as principais demandas dos trabalhadores?

 

Marco Antônio Coutinho: O fato é que ainda estamos em campanha salarial. Fizemos uma assembleia onde mais de 4200 trabalhadores aprovaram a proposta dos empresários. Mas não é possível a toda a categoria participar da assembleia, senão a cidade para. Convocamos os trabalhadores, a assembleia era por número de comparecimento e temos uma listagem de assinaturas dos presentes. Os mais de 4 mil aprovaram a proposta por aclamação, isto é, reajuste de 10%, tíquete de R$ 16,50, adicional de insalubridade para motoristas, cobradores e funcionários da administração (o que reflete na aposentadoria), além de uma PLR (Participação em Lucros e Resultados) de R$ 850 para todos.

 

Esse grupo, descontente por não participar da assembleia, achou que deveria paralisar o transporte, mesmo sem chamar a direção para conversar e ter um acordo de pauta, ainda que seja um direito deles e de todo trabalhador reivindicar mais e almejar condições melhores.

 

Lamento o ato de quem queria reivindicar, mas não consultou o sindicato. Não falo no sentido pejorativo, mas era uma minoria e com certeza havia alguém por trás. A greve começou pela Santa Brígida e a Gato Preto, o que me causa estranhamento, pois são duas garagens que não têm tradição de paralisação.

 

Mas o munícipe não precisa se preocupar, porque o condutor não é marginal, um bicho, nenhum monstro. É um pai de família como outro qualquer e luta pelos seus direitos e também pelos de seus familiares e dos próprios usuários. De antemão, agradeço pelo espaço e abertura, porque é a primeira vez que vejo a imprensa dar um espaço desse tamanho para os condutores.

 

Correio da Cidadania: Mas você acha que a categoria acabará entrando em acordo definitivo com a proposta aprovada? Em caso contrário, uma greve ainda maior pode voltar a ser deflagrada?

 

Marco Antônio Coutinho: Na verdade, não temos como prever um movimento que emana do povo. Todo trabalhador, e a sociedade em geral, tem direito de greve, dentro da lei. Mas para fazer uma greve desse porte precisa comunicar com 72 horas de antecipação. Isso não foi feito e agora o caso vai a julgamento. E acredito que não terá resultado tão favorável à categoria.

 

Acho que permanece o acordo feito entre patrões e o sindicato da categoria, e acho que tem de valer isso, pois não se pode desrespeitar uma decisão de assembleia. Não foram os diretores do sindicato que o aprovaram sozinhos, foram a categoria e seus associados.

 

Com relação a uma nova greve, pode acontecer a qualquer momento. Todos os trabalhadores, de todos os segmentos, estão apostando muito nos protestos por conta da aproximação da Copa do Mundo.

 

Correio da Cidadania: Qual a rotina de trabalho de vocês, que dificuldades você poderia contar sobre o dia a dia de quem trabalha no setor?

 

Marco Antônio Coutinho: A nossa maior dificuldade é a questão da segurança. Na semana retrasada, participei de audiência pública sobre os ataques aos coletivos. Além de levantarmos muito cedo, termos baixos salários e condições de vida limitadas, nossa categoria mora toda na periferia, em comunidades, tem de pagar aluguel, absorver o estresse do usuário, da segurança, da polícia, da CET, da fiscalização da SPTrans, enfim, tudo isso é descarregado em cima do motorista e do cobrador. Também nos estressamos, mas tentamos atender a população da melhor maneira possível.

 

Ainda por cima, algumas empresas, quando recebem multa da SPTrans, que é de responsabilidade delas, descontam-na do condutor. E às vezes não aguentamos, temos vários trabalhadores afastados, com problemas psicológicos, por conta desses ataques e riscos iminentes que corremos a todo tempo.

 

As dificuldades são inúmeras, como os baixos salários e a tal de ‘fominha’ aplicada pelos empresários, que é uma hora-extra paga por fora. É difícil, porque em geral o único mecanismo que o trabalhador tem é a greve. Não tem pra onde correr. Tentamos negociar, mas tem hora que não dá pra evitar os protestos e manifestos, como nos últimos dias, em que o protesto foi dos trabalhadores, não exatamente do sindicato.

 

Correio da Cidadania: Mas o que levou a esse rompimento de parte da categoria com o sindicato? E o que você poderia nos contar a respeito do histórico político deste sindicato, com registro de disputas que já descambaram para formas agudas de violência?

 

Marco Antônio Coutinho: Violência interna existe nessa e em outras categorias. Na polícia militar, andaram se matando no ano passado, como no caso de um coronel na zona norte, por obra de uma ‘banda podre’, como a imprensa diz. Na saúde temos maus exemplos e assim por diante. Os sindicatos também têm seus maus representantes. A disputa é muito intensa, tem sindicato com receitas muito altas.

 

Falo pelo sindicato do qual sou diretor e responsável por uma parte de manutenção. Antigamente, tinha uma disputa muito grande, a entidade movimenta valores altos e todo mundo quer administrar. É como uma cidade, com 40 mil trabalhadores diretos e outras milhares de pessoas, familiares etc., envolvidas indiretamente.

 

Espero que essa direção não vá parar nas páginas policiais, como aconteceu em administrações passadas. Trabalho pela unidade da direção e para que possamos transformar as nossas reivindicações em vitórias, porque também sou trabalhador, sou condutor.

 

Agora, temos um problema com um âncora de TV, que saiu falando que, aqui, quem ganha menos recebe 30 mil reais por mês. Vamos processá-lo. Não sabe o quanto ganhamos e fica falando asneira na televisão. É inadmissível, o cara não pode falar sem conhecimento de causa. Ele não tinha nenhuma informação, não sabe da minha renda e das minhas condições financeiras. Não poderia atacar a direção do sindicato dessa maneira, me incluindo nesse pacote de maus representantes, que ganhariam 30 mil reais. Não é assim.

 

Correio da Cidadania: Sobre a prefeitura e o secretário dos Transportes, o que você poderia dizer sobre suas posturas?

 

Marco Antônio Coutinho: É inadmissível que o gestor da cidade, o Fernando Haddad, não tenha recebido a comissão de greve. Pois foram os trabalhadores descontentes que fizeram a greve. Ainda mais depois do boato que saiu na mídia, de que o prefeito deu reajuste de 19%, não de 10%, o que é uma inverdade desmentida pelo próprio secretário dos Transportes.

 

Acho que o prefeito tinha de receber a pauta dos trabalhadores, até porque transporte público é uma concessão do Estado e do município. Ele é gestor do sistema. E tem cláusulas da nossa convenção que são de responsabilidade da prefeitura. Por exemplo: quem paga nosso convênio médico é a prefeitura. Paga 60 reais por mês, e esse dinheiro vai para os empresários, que pagam 50 reais aos convênios médicos. Também reivindicamos aumentar tal valor para que tenhamos um convênio melhor, pois o atual não atende bem nossa necessidade.

 

Não estou fazendo uma crítica ao governo do PT, apenas acho que o prefeito veio da base, chegou a ter 3% de intenções de voto, nossa categoria ajudou a elegê-lo e ele hoje não retribuiu da forma que esperamos.

 

Correio da Cidadania: Você acredita que alguns representantes deste governo têm ligações e interesses excessivos compartilhados com os empresários do setor?

 

Marco Antônio Coutinho: Interesse tem de todos os lados, tanto da Secretaria dos Transportes como dos empresários. O sistema de transporte gira milhões de reais através de subsídios, tarifas de transporte... O secretário não administra só o transporte coletivo. É também responsável pelos táxis, pois mesmo que não seja concessão pública é de interesse público. É claro que os empresários fazem de tudo para que lhes concedam mais receita, para que a prefeitura os ajude a ter mais lucro. Mas também é claro que os empresários de transporte público, especificamente dos ônibus, têm ganhado um verdadeiro absurdo. É uma tarifa alta, não se presta a um serviço de qualidade ao usuário e quem fica com o ônus são os motoristas e cobradores, que estão todo dia com a população.

 

Temos, por exemplo, a questão do aumento dos corredores, uma proposta nossa que foi absorvida. O Jilmar Tatto, junto ao prefeito, expandiu várias faixas exclusivas de ônibus, mas nossos ônibus de hoje são maiores, alguns têm mais de 28, 30 metros. Alguns corredores não têm capacidade de recebê-los e, quando chegam no ponto final, não temos nem condição de manobrá-los. Perde-se hora de almoço, tempo de ir ao banheiro... É complicado.

 

Para se ter ideia, temos hoje mais de 6000 mulheres condutoras. E se é difícil para um homem ir ao banheiro, ou numa árvore, imagine para uma mulher. É lamentável. O prefeito e o secretário têm de ser mais atuantes, precisam ver a questão dos pontos finais de linhas e readequá-los, além de construir banheiros neles, para nos darem melhores condições de trabalho e vida.

 

Correio da Cidadania: Pra finalizar, até diante da cobertura da mídia, insistente a respeito do sofrimento do cidadão comum, que mensagem vocês têm a passar para a população que depende do transporte coletivo?

 

Marco Antônio Coutinho: O que tenho a dizer à população em geral e aos usuários de transporte é que todos nós temos o direito de conseguir alguma coisa melhor em termos de salários e condições de vida. Também lamentamos por eles, mas nossas lutas são pela melhora do transporte coletivo, em favor de todos. O empresário não está preocupado com a qualidade, só com a receita dele. E hoje, tanto no município como país afora, estamos preocupados com esses ataques que sofremos no dia a dia. Qualquer um pode perder sua vida. Motoristas e cobradores correm risco sempre, pois estão todo dia lá.

 

Pedimos desculpa à população. Não vai resolver ou justificar o problema, mas pedimos a compreensão de todos os usuários, para no futuro, quem sabe, isso não ter de se repetir. Porém, quando entramos em greve também pedimos melhoria nos transportes coletivos sobre rodas, como, por exemplo, mais sinalização, veículos de piso baixo... Queremos melhores condições em geral, coisas favoráveis à sociedade.

 

Gabriel Brito e Paulo Silva Junior são jornalistas.

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Última atualização em Terça, 03 de Junho de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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