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Por que os liberais acham que a sociedade merece ser estuprada? Imprimir E-mail
Escrito por Leonardo Soares   
Qui, 15 de Maio de 2014
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A única coisa que um liberal consegue enxergar à frente do nariz são as necessidades de expansão e incremento do Capital. Tudo que se refira ao bem estar da espécie humana, principalmente se a criatura for um simples trabalhador ou trabalhadora, lhe deixa fora de si.

 

A simples menção a direitos humanos dos trabalhadores – direito à vida, à justiça, ao trabalho digno e seguro, ao lazer, à felicidade, ao prazer, à liberdade – exaspera o liberal. Nada lhe causa tanto asco e revolta do que imaginar que um sistema social ou regime de governo possa pretender assegurar um mínimo de decência ou dignidade para um vivente, para algo que não seja a sanha do Capital em devorar salários e acúmulo indecente e vil de fortunas. Assim, o economista David Ibarra, em seu artigo intitulado “O neoliberalismo na América Latina”, define a questão:

 


A utopia neoliberal


quisera prescindir da ideia vertebral da liberdade humana: a capacidade individual e, sobretudo, coletiva de determinar, construir um melhor futuro para todos. De fato, o neoliberalismo substitui os dogmas do autoritarismo ou da religião por um dogma civil, mais grosseiro ou mais sutil, porém certamente desumanizado.

 

Para esse tipo de gente, com uma mentalidade tão doentia, qualquer ação ou pensamento que ouse criticar seus objetivos e pressupostos é tida como tentativa de homicídio. Para evitar qualquer crítica, mesmo que inofensiva, os liberais recorrem aos expedientes mais desqualificados, com bastante truculência. Sem nenhuma ética ou respeito às formas mais elementares do convívio democrático. Eles não discutem idéias ou teses. Só atacam pessoas. Depreciam e desmerecem seus interlocutores. São incapazes de contestar fatos e argumentos, de embasarem suas "ideias" com base em dados e empiria. Não, nunca e jamais.

 

Um exemplo bastante marcante atualmente tem sido o caso de Thomas Piketty, que com o seu Capital au 21 siécle tem desmentido categoricamente um bom número de mentiras e embustes do argumento neoliberal. E como os liberais o têm contestado? Sem consegui-lo, eles apelam para um sem número de insinuações, acusações sem sentido e comentários vulgares, eivados de ressentimento, do tipo "ah, ele pertence à bondosa esquerda francesa". Um tipo de comportamento tão sórdido que só mostra o quanto essa milícia é inteiramente despreparada para o debate intelectual.

 

Os asseclas da horda neoliberal são capazes de atacar até mesmo termos e conceitos que adoram arrotar, mas que não coadunam com sua prática de domínio e exploração do homem, toda ela fincada em elementos autoritários e de virulenta intolerância. Os liberais adoram falar de liberdade, democracia e Estado de direito. Tudo da boca para fora. Tais conceitos só lhe interessam na medida em que favoreçam suas políticas de massacre dos direitos do trabalhador. Diz Ibarra:

 

os grupos dominantes na América Latina e muitos de seus governos têm por hábito defender incondicionalmente Estados de direito projetados ad hoc ou em acordos cupulares excludentes. E ao mesmo tempo repudiam ou criticam como populismo inaceitável as garantias sociais modernas, como o seguro desemprego, o acesso generalizado aos serviços de saúde, a renda mínima garantida, por considerá-los inimigos da competitividade, da disciplina do trabalho ou mecanismos redutores dos recursos investíveis.


Não espanta o fato de os liberais terem sido os principais incentivadores dos golpes militares que sepultaram por anos a democracia nos países do continente. Não causa espécie, muito menos, que tenham incentivado e investido na organização de aparelhos de tortura. Alguns desses liberais chegavam a assistir às sessões, com indisfarçável gozo. Não deve abismar ninguém – mas ninguém mesmo – que é bastante compreensível o apoio de liberais a Esquadrões da Morte, Milícias, Justiçamentos e extermínio da população negra e pobre nas periferias desse país afora.

 

A frieza do liberal em programar e conceber a destruição de direitos é a mesma do psicopata que trucida suas vítimas; é a mesma do predador sexual quando investe contra a sua presa; é a mesma do genocida diante dos grupos que ele busca ceifar a vida.

 

Todo cuidado é pouco com essa máquina repressiva e totalitária. Como bem pontua Karl Polanyi, esses alucinados foram responsáveis por duas guerras mundiais. Por conta de seus dogmas e fanatismo o próprio planeta por pouco não foi dizimado. Mas o sonho em subjugar a sociedade ainda se mantém intacto. Diz Ibarra:

 

A utopia neoliberal representa a tentativa mais abarcadora e decisiva por voltar o “relógio político” para trás, suplantar o velho programa humanista do Iluminismo ou os impulsos progressistas nacionais, bem como deixar de lado as responsabilidades do Estado ou da democracia, aqui entendida em seu sentido republicano.

 

Não se trata de exagero – tais palavras retratam a mais pura verdade. Mentirosa, falsa, fraudulenta e farsante é a propaganda neoliberal, travestida de utopia  que – citando mais uma vez Ibarra - "exalta as virtudes abstratas dos mercados, dos prêmios aos mais aptos, da competitividade, da eficiência, das ganâncias, dos direitos de propriedade, e da liberdade de contratação", como se elas fossem reais. A questão é que em nenhum país tais virtudes se concretizaram.

 

No liberalismo decaído tudo que signifique espezinhar, humilhar, aviltar e desumanizar o trabalho é visto como a fina-flor do progresso, da gestão eficiente, da racionalidade econômica e da própria Razão. E ai de quem a isso tiver a audácia de questionar.

 

Mais uma vez: não é exagero. Querem ver?

 

O insuspeito O Globo noticiou no dia 14 de maio que uma importante rede de lojas de roupas foi condenada por "jornadas exaustivas". Na verdade, a loja mantinha empregados em condições análogas à de escravos:

 

“Segundo a decisão, entre outras irregularidades, a empresa obrigava o trabalho em feriados sem autorização em convenção coletiva, não homologava rescisões no sindicato, não concedia intervalo de 15 minutos quando a duração do trabalho ultrapassava quatro horas, impedia intervalo para repouso e alimentação em situações diversas, prorrogava a jornada de trabalho além do limite legal de duas horas diárias e não pagava horas extras no mês seguinte à prestação de serviços".

 

Se alguém pudesse perguntar a um liberal do século XIX (antes de 1888) o que ele acharia disso, certamente receberia como resposta: " - Que absurdo não podermos tratar a nossa escravaria como bem entendemos!”.

É pouco provável que tal raciocínio não inspire as propostas de flexibilização da legislação trabalhista. De modo a livrar o Capital de qualquer empecilho, os liberais são capazes de tudo destruir – inclusive a civilização, como bem dá a entender Karl Polanyi em seu A Grande Transformação.

 

Por essas e outras é que me parece mais do que razoável considerarmos o Liberalismo como uma organização criminosa em forma de propaganda (enganosa).

 

Leia também:

Por que Paulo Malhães foi o Herói da Direita brasileira?

 

Leonardo Soares é historiador.


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Última atualização em Segunda, 19 de Maio de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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