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Nestas eleições, o grande perdedor será o Iraque Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Terça, 06 de Maio de 2014
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No ano passado, o presidente Obama admitiu que a invasão do Iraque foi um erro. Mas, ponderou, o Iraque está muito melhor.

 

As eleições parlamentares, que acabam de se realizar, provariam o acerto desta conclusão.

 

Mas eleição não garante democracia, nem democracia é tudo na vida de um país.

 

Há cerca de um ano, o Iraque vive uma rotina de atentados diários que fizeram quase 8.000 vítimas (a maioria xiita) em 2013, e 2.400 em menos de quatro meses deste ano, obra de milícias radicais sunitas, principalmente o “Estado Islâmico do Iraque e Síria”, filhote da al-Qaeda.

 

Este movimento já controla a maior parte da província de Al-Anbar e sua capital, Falluja, com apoio dos moradores sunitas.

 

O crescente ódio entre a maioria xiita e a minoria sunita faz crescer a possibilidade de uma guerra sectária, como a que devastou o país no período 2006/2007. Antes da invasão norte-americana, as duas comunidades viviam em paz.

 

Com Saddam Hussein e o partido Baath, os sunitas eram favorecidos, nomeados para todos os setores do governo, enquanto os xiitas eram discriminados.

 

Durante a ocupação, os estadunidenses moveram uma verdadeira caça às bruxas contra os membros do Baath, expulsando-os de suas posições no exército, na polícia e na administração.

 

Reprimidos, os sunitas assumiram o papel principal na insurgência.

 

Parte dos xiitas, sob a liderança do clérigo al Sadr, também lutou, travando duas batalhas contra o exército norte-americano, na cidade de Najaf, e guerrilhas contra os ingleses, em Bassra.

 

A al-Qaeda, que fora banida pelo regime de Saddam, aproveitou o clima de ódio contra a ocupação para voltar a atuar no Iraque, aliando-se aos rebeldes sunitas.

 

A maioria dos xiitas preferiu confiar nas promessas norte-americanas, de que tornariam o Iraque um país democrático.

 

Afinal, sendo 60% dos habitantes, acabariam assumindo o poder com a retirada das forças dos EUA.

 

Quando os chefes estadunidenses concederam maior autonomia ao Iraque, permitindo eleições parlamentares, apoiaram para primeiro-ministro Maliki, o líder dos xiitas moderados.

 

Nas eleições seguintes, em 2010, novamente os norte-americanos viram Maliki com bons olhos. Ele teve boa votação, mas sem conquistar maioria.

 

Como Tio Sam gostaria de deixar um Iraque estável no interesse de suas empresas, ávidas para explorar a quinta maior reserva petrolífera do mundo, patrocinou um acordo entre xiitas, sunitas e curdos (formam uma nação semiautônoma no norte do Iraque).

 

Os três grupos, mais os xiitas rebeldes de al Sadr, dividiram os cargos do novo ministério.

 

Mas não deu certo.

 

Assombrado por um paranoico medo de traição, Maliki acabou destruindo o governo de coalizão. Ele brigou com todos os partidos aliados.

 

O vice-presidente e o ministro das Finanças (ambos sunitas) foram demitidos e condenados a pesadas penas, fugindo do país para salvar a pele.

 

A mesma sorte não tiveram vários dos seus assessores, assassinados presumivelmente por ordem das autoridades.

 

A polícia secreta prendeu e torturou muitos sunitas, acusados de conspiração, o que foi tolerado por uma justiça conivente.

 

O paradeiro de 16 mil oposicionistas, presos pela política secreta e milícias ligadas ao governo, é desconhecido.

 

Os sunitas promoveram grandes manifestações de protesto nos seus redutos do sul do país, violentamente atacados pelo exército (treinado pelos EUA).

 

Por sua vez, as milícias jihadistas sunitas multiplicaram seus atentados. E conquistaram quase toda a província de Anbar.

 

O “Exército Islâmico do Iraque e da Síria” tomou a capital provincial, Falluja, matando todos os soldados xiitas que prenderam.

 

Até agora, as forças do governo não conseguiram recuperar o controle da cidade. Esta situação, que configura uma pré-guerra sectária, foi aproveitada pela propaganda eleitoral de Maliki.

 

Na eleição de 2010, ele se apresentava como uma pomba da paz, defendendo a união de todos os iraquianos.

 

Nestas eleições, ele foi um falcão, em luta contra o extremismo sunita que domina Anbar e Falluja, ameaça Bagdá e pratica atentados diários contra os xiitas.

 

Ele acusa seus inimigos de sabotarem os ataques militares em Anbar, onde já morreram mais de 1.000 soldados xiitas.

 

Não há dúvida de que é um discurso que pega bem junto a muita gente, mas não na opinião pública de modo geral. Porque o Iraque está em crise.

 

Destruídos pelos bombardeios norte-americanos, as usinas elétricas, estações de tratamento de água, sistemas de irrigação e sistemas de telefonia ainda não estão totalmente recuperados.

 

Energia elétrica, por exemplo, é sujeita a racionamentos frequentes.

 

Divergências entre os deputados fazem com que reformas essenciais à economia estejam paradas no Parlamento, algumas há quatro anos.

 

Alto nível de corrupção, desemprego acima de 16% e burocracia asfixiante são detalhes de uma economia que, segundo o Banco Mundial, “sofre de fraqueza estrutural”.

 

Diz a Reuters: “a infraestrutura de saúde do Iraque e o sistema de educação, devastados pela guerra, continuam do mesmo jeito. Enquanto isso, os bilhões de dólares da reconstrução pouco ajudaram, sendo a maior parte do dinheiro gasta em segurança, desperdiçada ou mesmo perdida em fraudes”.

 

A sombra da guerra sectária preocupa os investidores. Relato do Christian Science Monitor afirma: “a vasta maioria dos fundos ou se retiraram do mercado (iraquiano) ou decidiram reduzir suas operações, porque não conseguem levantar capitais dos investidores”.

 

Apesar de tudo, Maliki é o favorito.

 

Os milhares de atentados diários e os combates em Anbar configuram praticamente uma guerra e, numa situação dessa, o povo costuma apoiar o chefe do governo, visto como comandante da nação.

 

No entanto, prevê-se uma grande divisão dos votos. Ficarão com a oposição os sunitas, os curdos e poderosos grupos xiitas, mesmo alguns que participavam do governo Maliki.

 

Cite-se entre eles al Sadr, líder do chamado Exército Mehdi, que considera Maliki um tirano corrupto, sectário e incompetente.

 

Sem o apoio de outros grupos, Maliki não terá maioria suficiente para governar. Nesse caso, os possíveis desdobramentos são perigosos.

 

Além de ser primeiro-ministro, Maliki acumula os cargos de ministro da Defesa e do Interior. Estão sob seu controle todas as forças militares e policiais.

 

No Iraque, acredita-se que ele não vacilará em usar esse poder para continuar governando. Não importa quem vai conseguir mais votos nestas eleições. Nada de bom aparece no horizonte do Iraque.

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

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Última atualização em Quarta, 07 de Maio de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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