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‘Eleição está marcada por um centrão de posições’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader, da Redação   
Segunda, 21 de Abril de 2014
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As eleições ainda estão um tanto fora do radar do grande público e, apesar da tradição brasileira de vê-las tomar corpo na reta final, os grandes interessados nos cargos de nossa democracia representativa já se mexem fortemente, como se nota no noticiário da mídia, que tampouco disfarça seus interesses político-partidários. Às mídias alternativas, novamente caberá acompanhar e dar algum holofote ao lado marginalizado, especialmente no sentido econômico.

 

“O cenário está muito nebuloso, até porque essas pré-candidaturas mais visíveis e fortes não têm ainda um perfil claro. Não há uma nitidez de projetos, uma clareza quanto à visão do processo brasileiro, de passado, futuro, nossos gargalos...”, disse o deputado federal do PSOL Chico Alencar, em entrevista ao Correio da Cidadania.

 

Como todos podem supor, e Alencar também afirma, é muito difícil prever cenários, especialmente pela excepcionalidade conferida pela Copa do Mundo, a ser realizada entre junho e julho. Mas parece claro que a grande festa da FIFA e das corporações amigas dos donos do esporte também pautará as eleições, especialmente se o grau de contestação atingir patamares parecidos com os de junho passado, quando se realizou a Copa das Confederações. “Seria muito desejável, mas é tão desejável quanto imprevisível”, afirmou Chico Alencar.

 

De toda forma, o parlamentar destaca que caberá aos setores progressistas colocar alguns debates cada vez mais apagados das discussões dos grandes partidos. “Os candidatos da oposição conservadora não empolgam. A Dilma caiu, mas eles não cresceram. O segundo elemento forte será o desencanto, o espírito de ‘ninguém presta’. E será aí que teremos de incidir. Outra coisa que pode chacoalhar o cenário, e seria ótimo se acontecesse, é a redução do investimento das grandes empresas nas campanhas. É bom lembrar que o STF ainda não concluiu o julgamento, mas já tem uma maioria formada de votos contra o financiamento privado”, enumera o deputado, que também comentou as possibilidades de Lula “sair do banco de reservas”.

 

A entrevista completa com Chico Alencar pode ser lida a seguir.

 

Correio da Cidadania: Como enxerga o cenário eleitoral, com as movimentações que já se fazem presentes entre os partidos da ordem, inclusos aqui especialmente PT, PSDB e o PSB, de Campos e Marina?

 

Chico Alencar: O cenário está muito nebuloso, até porque essas pré-candidaturas mais visíveis e fortes não têm ainda um perfil claro. Não há uma nitidez de projetos, uma clareza quanto à visão do processo brasileiro, de passado, futuro, nossos gargalos... São ainda movimentações muito preliminares, inconsistentes.

 

O que dá pra dizer é que o cenário está bem aberto, temos problemas econômicos, que mostram as debilidades do modelo brasileiro. Por outro lado, há uma gama de partidos, da qual o PMDB é a maior expressão, que são como biruta de aeroporto, ou seja, vão para onde o vento bate.

 

Portanto, mesmo a formação das alianças ainda está muito indefinida. Acho que esse é o quadro. Só teremos clareza depois de junho e julho, ao final da Copa e no próprio início da campanha eleitoral. Eu diria que há no Brasil de hoje uma espécie de “centrão” de posições. Não tem, como ultimamente em países europeus, uma candidatura de direita, até meio fascista, a exemplo das eleições francesas de agora, e as candidaturas de esquerda ainda estão se organizando, inclusive a nossa, representada pelo Randolfe. Mas o meio de campo mais forte da política brasileira está bem embolado.

 

Correio da Cidadania: A movimentação social que se abriu no país desde as grandes manifestações de 2013 pode vir a efervescer novamente este ano, por ocasião da Copa, antes, portanto, das eleições, inclusive de forma a influenciá-las?

 

Chico Alencar: Seria muito desejável, mas é tão desejável quanto imprevisível. Vivemos um momento, em junho e julho passados, com algumas manifestações extremamente massivas e expressivas, durante um período condensado em um mês e pouco mais.

 

De lá pra cá, em quase um ano, não tivemos mais manifestações muito expressivas quantitativamente, mas houve uma impressionante multiplicação de pequenas manifestações. Em vez de manifestações de 200 mil, 500 mil ou até 1 milhão, como o Rio chegou a ter, temos 200 manifestações diferentes, a toda hora, porém, reunindo muito menos gente, em torno de todo tipo de reivindicação. O povo reaprendeu a cobrar seus direitos, com vigor e energia. Por outro lado, o aparato de Estado, de repressão, para a Copa do Mundo, até de acordo com a Lei Geral da Copa e os interesses da FIFA, vai ser muito grande também.

 

Mas é evidente que os gastos abusivos com a Copa do Mundo, além da percepção crescente de que o legado na vida cotidiana das cidades-sedes terá sido pequeno, serão tema de campanha, sem dúvidas.

 

Correio da Cidadania: Um tal cenário abriria perspectivas maiores para o avanço das forças progressistas, aquelas mais marginalizadas da disputa eleitoral?

 

Chico Alencar: Sim, tenho certeza que aquelas candidaturas que tiverem mais identificação com os movimentos sociais e a tradição das ruas e das lutas populares tendem a crescer. Haverá uma ampliação desses setores, imagino. Tanto no âmbito estadual quanto no Congresso Nacional. Isso tem acontecido, novamente exemplifico, na Europa. Partidos novos, mesmo incipientes, como a Esquerda Unida da Espanha, cresceram. Não impediram que a direita chegasse ao poder, mas os partidos mais à esquerda também cresceram por lá.

 

Correio da Cidadania: Como enxerga a discussão sobre o atual nível de militarismo em nossa sociedade no meio de tudo isso? O endurecimento de leis e punições, também pelos interesses da Copa do Mundo, pode influenciar e tomar um grande espaço nos debates?

 

Chico Alencar: Nós temos uma herança cultural da ditadura que ainda pensa mais em lei e ordem do que na superação das injustiças e desigualdades. Não temos o costume de ir à raiz de nossa violência. E a vida urbana, sobretudo nos grandes centros (80% da população se concentra em 9 regiões metropolitanas), tem ficado muito insuportável, o que traz uma carga de agressividade muito grande. O senso comum tende a pensar que tudo se resolve com mais controle e militarização, inclusive das organizações sociais.

 

Essa tendência pode existir, mas a melhor maneira de responder é ter movimentos sociais mais organizados, com pauta e objetivos políticos capazes de mobilizarem mais pessoas, para que grupos isolados não assumam ações que dispersem a maioria e instaurem uma “briga de gangues”. De um lado, o aparato estatal e, de outro lado, grupos mais contestadores, com a grande massa da população alheia, se ausentando do processo.

 

De toda forma, é claro que tais questões estarão em debate entre quem pretende governar o país, com as diferentes visões de cada um.

 

Correio da Cidadania: O que é ou quais são os representantes da esquerda hoje no país, e como poderiam enfrentar as eleições que se avizinham?

 

Chico Alencar: Minha resposta é totalmente comprometida, porque estou empenhado e dedicado a construir o PSOL como alternativa a tais possibilidades, fazendo a ponte entre a vida social real, com suas contradições, conflitos e lutas, e a vida institucional. Mas entendo que deveríamos buscar uma somatória de forças entre os partidos, que não são muitos, com a visão de estabelecer uma nova qualidade no fazer político, a fim de criarmos uma alternativa comum para representar os setores populares.

 

Serão importantes iniciativas como seminários, que convoquem especialistas, não necessariamente ligados aos partidos, para debater questões como segurança pública, com representantes de movimentos ligados ao tema e os candidatos. Já tivemos um sobre democratização dos meios de comunicação, com participação do Intervozes, muito interessante. Já houve outro em São Luiz sobre direitos de minorias e lutas contra os preconceitos e o racismo. Teremos ainda mais eventos sobre segurança pública, educação, e assim vai, construindo ponte entre possíveis governantes e movimentos, fazendo o contato com aqueles que têm acúmulo de reflexão, até na academia, sobre todos esses temas.

 

Correio da Cidadania: Como vê, nesse contexto, a perspectiva de ação política de partidos como PSOL, PCB e PSTU?

 

Chico Alencar: Temos conversado com todas essas forças políticas, para ver se uma frente pode ser constituída. Porém, não estou muito otimista quanto a isso. É evidente que candidaturas semelhantes acabam prejudicando umas às outras, e mesmo a população não entende a diversidade de nomes se há identidade de projetos, ao menos em linhas gerais.

 

Ainda é um processo aberto, em construção. Claro que é um campo comum, até porque, nos processos de luta e de sociedade, estamos juntos. Inclusive, aqueles que estão insatisfeitos com os caminhos do PT, PSB, PDT, enfim, a dita esquerda tradicional (cada vez menos esquerda), se interessam. A exemplo do que já aconteceu na campanha do Marcelo Freixo à prefeitura do Rio, quando grupos desses partidos vieram apoiar, o que foi bacana.

 

Portanto, esperamos construir uma alternativa que possa atrair grupos com tal perfil também.

 

Correio da Cidadania: O cenário econômico e social do país apresenta traços fortes de crise. No entanto, uma conjuntura de baixo desemprego, aliada às políticas de transferência de renda e à falta de alternativas eleitorais viáveis na oposição, parecem garantir uma vitória fácil ao partido e candidata governistas. Enxerga chances de virada nesse cenário, ainda mais agora com a queda de Dilma nas pesquisas eleitorais?

 

Chico Alencar: Não vejo vitória e reeleição fáceis para a Dilma. O cenário tem indicadores complicados. Temos o aumento dos preços da cesta básica, as contradições dos gastos públicos, que serão aguçadas com a Copa do Mundo, por mais que tenhamos a propaganda ufanista, típica de qualquer governo. Vimos pesquisa onde se aferiu que 55% dos brasileiros já consideram que a Copa não trará nenhum benefício ao país.

 

Portanto, esse contexto mais imaginário, de “cidadania do aplauso”, está complicado. É evidente que os candidatos da oposição conservadora, que têm mais força e tempo de TV, não empolgam. A Dilma caiu, mas eles não cresceram. O segundo elemento forte na eleição será o desencanto, o espírito de “ninguém presta”. E será aí que teremos de incidir.

 

Outra coisa que pode chacoalhar o cenário, e seria ótimo se acontecesse, é a redução do investimento das grandes empresas nas campanhas. É bom lembrar que o STF ainda não concluiu o julgamento, mas já tem uma maioria formada de votos contra o financiamento privado de campanhas. E essas candidaturas principais dependem fundamentalmente de tais somas milionárias.

 

Nas últimas eleições nacionais, de 2010, os gastos atingiram 4,5 bilhões de reais, sendo que 95% bancados por pessoas jurídicas. E quem são essas pessoas jurídicas? Setenta e cinco por cento são empreiteiras, construtoras, bancos, mineradoras, frigoríficos, ou seja, os grandes players de negócios, nacionais e internacionais. E eles estão um pouco retraídos, inclusive por conta de esquemas que vêm sendo revelados (por exemplo, com doleiros), envolvendo petistas, tucanos, toda a fauna dos chamados “grandes partidos”...

 

Isso tudo pode alterar o cenário. É imprevisível. Ninguém previa que em junho 100 mil, 200 mil, 500 mil pessoas iriam às ruas. Neste ano, as ruas podem voltar a apresentar surpresas interessantes.

 

Correio da Cidadania: Por fim, o que pensa do tal movimento “Volta Lula”, é pra valer?

 

Chico Alencar: Pode ser... O que o Lula diz não se escreve nem se cobra coerência depois. Ele tem dito que não e penso que o plano inicial do petismo e das forças dominantes é mesmo a Dilma. Mas se houver outra queda nas pesquisas, no mesmo nível visto agora, eles podem trocar e o Lula entrar em cena, mesmo com toda a dificuldade de substituir uma candidata em que ele apostou, apoiou e cujos governos sempre elogiou. Porém, explicações sobre isso poderiam ser dadas com certa rapidez e habilidade.

 

Pra usar as analogias com o futebol, tão caras ao próprio Lula, entendo que ele está no banco de reservas e o técnico já começou a olhá-lo. Digamos que ele já tirou o agasalho e começou a se aquecer, para eventualmente entrar em campo. Ele está no banco, não é aquele jogador que nem entre os reservas está. E pode entrar em campo, sim.

 

Gabriel Brito é jornalista; Valéria Nader, jornalista e economista, é editora do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Quarta, 07 de Maio de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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