E a traição dos partidos?

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Querem pegar os picaretas que trocam de partido para se darem bem no poder. Deveriam ser mesmo punidos. Mas como distinguir aqueles que trocaram de partido para se beneficiarem do poder daqueles que abandonaram seus partidos por se sentirem traídos por eles? Que o diga Chico Alencar, Heloísa Helena e tantos outros. Passaram anos de suas vidas construindo um partido – como milhões de brasileiros – que mal chegou ao poder e jogou suas bandeiras no cesto de lixo da história. A ética, bem, essa talvez já tivesse sido jogada no esgoto há muito mais tempo.

 

E nós, pobres eleitores, traídos por políticos e partidos, como vamos nos defender?  Talvez melhor chamar o Millôr Fernandes que tempos atrás exigiu o voto retroativo.

 

Curioso, só os humoristas desvendam realmente a alma da política. Só o ridículo nos revela sua cara. Queremos o direito de retirar o voto quando nos sentirmos traídos. Bem sabemos, poucos deles sobrariam no poder, ainda que alguns exemplares possam viver honradamente em Sodoma e Gomorra.

 

Nós sabemos como nos sentimos diante de um modelo predador, da privatização das florestas brasileiras, da transposição do São Francisco, da invasão de nosso território pelos clusters americanos e europeus do etanol, pela venda da Vale, pela reforma agrária que nunca é feita, pela malversação do dinheiro público, crimes e crimes sobre novos crimes. Esses homens andaram aqui no sertão, se hospedaram em nossas casas, nós fizemos a ponte entre eles e o povo, pareciam éticos, pareciam defensores dos interesses populares, nós achávamos que eles eram de confiança e por isso a punhalada é com peixeira cega, rasgando a carne e quebrando os ossos. E nos sentimos impotentes. Poderia ser diferente?

 

Nosso irmão e bispo Pedro Casaldáliga, com seus latinos de luta, acaba de lançar a Agenda Latino-americana com a temática da política: “a política morreu, viva a política”. Está difícil. A política ocidental, dividida em três poderes, através de representantes e partidos políticos, está mesmo se esgotando. A crise civilizacional está exigindo outras formas de democracia. A democracia direta vai restando como única opção para pobres e movimentos sociais. Não nos vemos contemplados praticamente em ninguém que ocupa o poder, salvo os honrados de Sodoma e Gomorra. Aliás, parece que todos se uniram contra nós.

 

 

Roberto Malvezzi é coordenador da CPT.

 

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