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Argentina: grande greve de 24 horas, com forte presença da esquerda Imprimir E-mail
Escrito por Roberto Ramírez, de Buenos Aires   
Quarta, 16 de Abril de 2014
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Na quinta-feira passada, dia 10, aconteceu na Argentina uma greve geral de magnitude raramente alcançada. O país foi imobilizado.

 

Com o transporte completamente paralisado, ​​as ruas e avenidas de toda Argentina pareciam desertas. Trata-se da contundência de uma greve à qual contribuíram também os piquetes organizados pela esquerda: piquetes de uma bem sucedida vanguarda em toda a extensão nacional.

 

Tais piquetes, em que havia uma forte presença do PO (Partido Obrero – dos Trabalhadores), do PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas) e do Novo MAS (Movimento ao Socialismo), puseram um elemento ativo à jornada, algo que não era habitual nestas greves.

 

A força da greve do dia 10 reflete um salto qualitativo na ira dos trabalhadores com o governo de Cristina Kirchner, que a grande maioria apoiava tempos atrás.

 

Estamos em um "fim de ciclo", onde está em curso uma luta sobre o que virá depois dos Kirchner. Daí o nervosismo de alguns dirigentes sindicais que trabalham para diferentes alternativas políticas, todas patronais, e que, sobretudo, rejeitam como a peste qualquer possibilidade de transbordamento das bases.

 

Assim, junto a sua massividade, o que fez mais "barulho" nesta greve foi o aparecimento de inúmeros piquetes fora do controle da burocracia, compostos por sindicalistas e organizações de base, que também estavam encabeçadas pela imprensa denominada de "extrema-esquerda".

 

Na Argentina, há dois níveis de organizações sindicais. Nos locais de trabalho, existem os corpos de delegados e/ou comissões internas. Acima deles estão os sindicatos, organismos estatizados onde imperam burocracias praticamente imóveis, especialmente nos sindicais das CGTs. Neste último caso, os aparatos sindicais são de caráter geralmente mafioso.

 

Para compreender a importância de tais piquetes, deve se levar em conta as características de duas greves na Argentina. Um adjetivo as define com exatidão: chamam-se greves “domingueiras”. São como um dia de domingo, só que um domingo disposto não pelo calendário, mas pela burocracia sindical. Ou seja, passividade total.

 

Pela primeira vez em décadas, desta vez foi diferente. Além do setor do governo e da burocracia sindical que ordenou a greve (duas facções da CGT e uma fração do CTA), apareceu em cena um “terceiro em discórdia”: uma nova vanguarda de ativistas que vem ganhando posições em organizações sindicais de base e liderança em greves e conflitos, e que também integra as partes e os fluxos de esquerda ou, pelo menos, simpatiza com eles.

 

Na Argentina, a burocracia é dividida em cinco centrais, a saber, três CGTs (Confederação Geral do Trabalho) e dois CTAs (Central de Trabalhadores da Argentina). A greve do dia 10 foi convocada por duas dessas CGTs e uma das CTAs. Mas a raiva contra o governo é tal que também entraram em greve os trabalhadores das centrais e sindicatos que não convocaram a paralisação, incluindo os principais ramos, como o metalúrgico, automotivo, do metrô de Buenos Aires, dos professores etc.

 

Este fenômeno – inquietante tanto para os burocratas de todas as centrais, como para os patrões e o governo – já vinha sendo tema de comentários na imprensa burguesa. Aproveitando a disposição da greve por um setor da burocracia, esta ampla vanguarda veio à tona, não neste ou naquele conflito particular, mas em uma ação geral: na greve mais massiva dos últimos tempos.

 

Os piquetes foram, então, a grande novidade que fez com esta greve não fosse "domingueira", mas também uma grande novidade política. Usando a imprensa que foi cobri-la, tanto os ativistas e dirigentes sindicais como os porta-vozes da esquerda condenaram o governo K e seu plano de ajuste... Mas condenaram também os burocratas, incluindo os organizadores da greve.


Isso produziu um fenômeno insólito: o governo e seus burocratas, que nas vésperas da quinta, 10, se criticavam duramente, ao finalizar a jornada tinham trocado o fuzil de ombro. Ambos tomaram como alvo principal os piquetes do ativismo independente.

 

O governo, por meio de seus canais de TV, focou na denúnica dos piquetes que tinham "impedido as pessoas de ir para o trabalho." A greve decorreria do medo deles, e não porque a maioria dos trabalhadores quis protestar contra a inflação, que já tinha comido, no último mês, 40% do salário.

 

Os burocratas organizadores fizeram declarações ainda mais furiosas contra os piquetes, o que é compreensível, porque revelam um processo muito perigoso para eles nas entranhas do movimento dos trabalhadores. Hugo Moyano – o líder máximo da burocracia cegetista e desta greve em particular – enviou seu porta-voz para a TV a fim de "repudiar os piquetes que os militantes de esquerda estão realizando no marco da greve”, ao destacar que estes protestos são “ilegítimos”, “não são parte do direito de greve, e acabam manchando-a”.

 

Mesmo assim, os principais políticos patronais se apressaram em tomar distâncias e criticar a greve. Em primeiro lugar, figuras da direita como Sergio Massa, candidato presidencial com boas relações com Moyano.

 

Como avançar?

 

Tudo isso representa uma grande responsabilidade ao ativismo sindical e às organizações de esquerda que desempenharam papel significativo na jornada do dia 10.

 

Da boca de Moyano, o principal setor da burocracia que convocou a greve do dia 10, saiu: "Paramos aqui". Este é o padrão global de burocracias, seja na Argentina, na Grécia ou na Espanha: não dar continuidade às (perigosas) medidas gerais de luta.

 

Por essa razão, reivindica-se ao ativismo que saiu aos piquetes brigar pela continuidade da luta contra o ajuste, que responde também a uma necessidade urgente dos trabalhadores. Isso significa, concretamente, lutar por uma greve ativa de 36 horas, com mobilização desde os locais de trabalho.

 

Há também a oportunidade de aproveitar o 1º de maio para realizar atos e mobilizações unitárias nesse sentido, a serem comandados em Buenos Aires com uma grande manifestação na Praça de Maio.

 

Com o “clima” alcançado pela jornada do dia 10 de abril, uma convocatória unitária dos diferentes setores políticos e sindicais que participaram dos piquetes seria um fato retumbante.

 

No entanto, contra toda a lógica, isto está em dúvida. O obstáculo é a catástrofe política em que se tornou a FIT (Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, constituída pelo PO, PTS e a IS – Esquerda Socialista). A FIT, depois de obter uma grande votação nas eleições do ano passado, não alcançou uma posição comum diante de nenhum fato político relevante. O maior e último escândalo: a FIT foi incapaz de dar uma declaração em relação à greve do dia 10. Seus integrantes não puderam fazer acordo nem sequer nisso. A FIT foi a única organização política argentina que não disse nada sobre o dia 10, um fato de repercussão nacional.

 

Antes disso, os integrantes da FIT tomaram também rumos distintos quanto ao agrupamento do ativismo trabalhador. O PTS e a IS (integrantes da FIT), junto com o Novo MAS e um amplo setor de correntes político-sindicais, como as da “Pollo” Sobrero (1), “Perro” Santillán (2) etc., realizaram um Encontro Sindical Combativo. A realização deste encontro, num sábado, 15 de março, foi um marco importante para a jornada de piquetes do dia 10 de abril.

 

O PO, ao contrário, não foi a esse encontro. Preferiu promover acordos com a burocracia de uma das CTAs. Com esses burocratas, traz listas comuns para as próximas eleições desta central. Enquanto isso, o Novo MAS promove uma lista de oposição a tal burocracia.

 

Frente ao 1º de maio, surge um dilema: os integrantes da FIT vão preferir fazer no 1º de maio um ato eleitoral só dela?

 

Ou vão contribuir para que o 1º de maio se transforme em um ato unitário de luta (não de eleitoralismo), que unifique toda a vanguarda, todos os ativistas que no dia 10 jogaram a favor da greve e contra a repressão? Ou seja, ato unitário de luta (não eleitoreiro) do Encontro Sindical Combativo, do Plenário do SUTNA (sindicato dos trabalhadores dos pneus), do PO, PTS, IS, o novo MAS e outras organizações de esquerda independente?

 

Notas:

 

1) Ruben Darío “Pollo” Sobrero é sindicalista da União Ferroviária e um dos líderes da greve do dia 10.

 

2) Carlos “Perro” Santillán é líder do SEOM, o Sindicato dos Empregados e Trabalhadores Municipais de Jujuy (província do norte argentino).

 

Leia também:

Argentina: corrida cambial inaugura nova conjuntura de crise geral

Argentina: rebeliões policiais, descontentamento social e um debate sobre a esquerda


Roberto Ramírez é editor de Socialismo o Barbarie.

Traduzido por Daniela Mouro, do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Qui, 24 de Abril de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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