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A mídia manipula a favor da CPI da Petrobrás com fins eleitoreiros Imprimir E-mail
Escrito por Emanuel Cancella   
Segunda, 14 de Abril de 2014
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O último debate entre Lula e Collor, em 1989, manipulado pela TV Globo para favorecer a candidatura Collor, mudou o rumo da história. A edição tendenciosa virou objeto de estudo nos cursos de comunicação e política. Numa disputa acirrada, o peso da mídia pode ter mudado o resultado das urnas.

 

Hoje não só a Globo, mas todos os grandes conglomerados de rádio, jornal e televisão, continuam a desempenhar esse mesmo papel deplorável e antidemocrático. O alvo do momento é a Petrobrás. Por trás da indecente manipulação dos fatos e opiniões estão os donos do poder: as grandes petrolíferas, o capital financeiro e os interesses norte-americanos, unidos num conluio que, em última análise, pretende desmoralizar para privatizar a empresa.

 

Fato recente aconteceu na Band News, no programa Ricardo Boechat. Na quarta-feira (9) o jornalista perguntou, em rede nacional, onde estavam a Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet) e o Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-RJ), que não se pronunciavam diante das denúncias de corrupção na Petrobrás. Como se as duas entidades estivessem omissas.

 

Diante do público, o jornalista desafiou Aepet e Sindipetro-RJ a se pronunciarem. Em instantes, durante o programa, eu, Emanuel Cancella, coordenador do Sindipetro-RJ, e o presidente da Aepet, Sílvio Sinedino, entramos em contato com o programa, no Rio, mas não fossos ouvidos. Tudo isso está registrado em nossos telefones.

 

No mesmo dia, nossa assessoria de imprensa também entrou em contato com a Band News, em São Paulo. Ficou a promessa de que seríamos procurados pela produção da rádio no dia seguinte, quinta-feira. Mas tudo o que puseram no ar foi uma edição gravada e veiculada apenas na sexta-feira. Uma fala editada e reduzida de Sílvio Sinedino. Apenas o trecho em que Sinedido contestava o ministro Guido Mantega sobre Pasadena. Nós, do Sindipetro-RJ, não tivemos a oportunidade de expressar a nossa opinião.

 

No jargão jornalístico isso tem nome: manipulação da informação. O Sindicato dos Petroleiros do Rio gostaria de dizer à sociedade que, a despeito de todo ataque que a Petrobrás está recebendo da mídia, o petroleiro trabalha. E quem afirma isso são os resultados da empresa. Nós, trabalhadores da Petrobrás, não compactuamos com corruptos e corruptores.

 

Mas percebemos que a mídia só se interesse por algumas denúncias e só se escandaliza, de forma oportunista, com alguns atos de corrupção. Outros, prefere esconder debaixo do tapete. Se os personagens implicados nos atos de corrupção estiverem a serviço dos interesses privatistas, podem ser alçados até a condição de heróis. Caso da atual presidente da companhia Maria das Graças Foster.

 

O Sindipetro-RJ denunciou que o marido da presidente da Petrobrás tinha 43 contratos com empresa, sendo 20 sem licitação, mas a mídia não se interessou em apurar. Pelo contrário, depois do leilão do campo de Libra, Graça Foster recebeu o título de “personalidade do ano”. Quando o presidente da Aepet, há dois anos, denunciou o caso da Refinaria de Pasadena, a mídia também não repercutiu.

 

Agora, próximo do processo eleitoral, tudo muda de figura. O que não interessava antes vira escândalo e manchete. Os outros candidatos, Aécio Neves e Eduardo Campos, seriam mais confiáveis ao sistema financeiro internacional? Por que a mídia insiste na CPI da Petrobrás, mas tenta inviabilizar a apuração das irregularidades que envolvem as obras de Suape, em Pernambuco, que fatalmente atingiriam o governador licenciado Eduardo Campos? Por que faz de tudo para esconder os escândalos do metrô de São Paulo, que mancham a reputação e a imagem do PSDB, de Mário Covas a Geraldo Alckmin? Ironicamente, chamam a inclusão desses fatos na CPI de “chistudo”.

 

É evidente que a grande mídia arrota democracia, mas se alimenta de arbitrariedades. Julga com pesos diferentes. Manipula contra a maioria da população, em favor dos interesses dos ricos e poderosos.

 

Com o respaldo da grande mídia, o Ministério Público e a Polícia Federal prenderam um corrupto que, no momento, já pode ser descartado. Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás que, aliás, ocupou cargo-chave na empresa desde o governo FHC. Corruptos podem ser substituídos e descartados. Mas o que diz a grande mídia sobre os corruptores? Sobre estes, se cala. Duvido que seus nomes venham à tona.

 

A mídia, que agora cobra “moralização”, capitaneada pela Globo, é a mesma que apoiou as privatizações e não aceita a Petrobrás como única gestora do pré-sal. Desde que foram anunciadas as imensas jazidas do pré-sal, no governo Lula, foram acrescentadas às reservas nacionais 70 bilhões de barris de petróleo. Só isso já garante a autossuficiência do Brasil nos próximos 50 anos. Porém, há muito mais a ser descoberto.

É nesse petróleo que eles estão de olho! Não é o Sindipetro-RJ que denuncia, é Maria Augusta Tibiriçá Miranda. Em seu livro “O Petróleo é nosso!” (1983), ela alerta: “...os inimigos da Petrobrás não desistem nunca”...

 

Revelação do Wikileaks mostra que “os documentos revelados se referem à insatisfação das petroleiras com a nova lei aprovada pelo Congresso brasileiro”, em especial por ser a Petrobrás a única operadora do pré-sal. Revela, ainda, como elas atuaram fortemente no Senado para mudar a lei.

 

De acordo com o Wikileaks, as grandes petrolíferas recomendam: “é preciso cuidado para não despertar o nacionalismo dos brasileiros”. Assim como na Venezuela, onde existe um grande complô para tirar Nicolas Maduro do governo, para se apoderarem da maior reserva de petróleo do planeta, também no Brasil o que importa é controlar o petróleo.

 

A mídia brasileira está servindo às multinacionais estrangeiras que pretendem destruir a Petrobrás para tomar conta das reservas de petróleo do nosso pré-sal.

 

 

Leia também:

'Mídia requenta Pasadena para acabar com a Petrobras e ajudar na entrega do Pré-Sal’

A Petrobras como chantagem: A jabuticaba amarga de Dilma Rousseff

 

 

Emanuel Cancella é coordenador do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).

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Última atualização em Quarta, 23 de Abril de 2014
 

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