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Crise na Ucrânia revela conflito geoestratégico entre EUA, UE e Rússia Imprimir E-mail
Escrito por Achille Lollo   
Qui, 03 de Abril de 2014
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A impossibilidade de “pacificar” o Afeganistão e o Iraque depois de quase vinte anos de ocupação militar; a incapacidade de recompor a organicidade do Estado e o inter-relacionamento étnico-tribal na Líbia, após a OTAN ter derrubado o regime de Gheddafi com uma violenta invasão militar; e por último, a indefinida falação do Secretário de Estado, John Kerry, sobre o futuro da Palestina, a atividade das centrais nucleares do Irã e a queda iminente do governo de Bashar El-Assad na Síria têm enfraquecido não só a liderança do presidente Barak Obama, mas, antes de tudo, o prestígio político do Partido Democrata.

 

Um cenário que preocupa bastante o “clã” dos Clinton, no momento em que está sendo articulada a campanha de Hillary Clinton para a 58ª eleição presidencial de 2016. Por isso, Ben Rhodes (o número dois do Conselho de Segurança da Casa Branca) foi quem mais incentivou Obama em aprontar a formulação de um novo projeto estratégico que visa determinar o fim da crise do processo de globalização, através da implementação de uma renovada hegemonia política que utiliza a dinâmica da economia dos EUA, para extrapolar os limites da soberania nacional dos países da União Europeia e dos tradicionais aliados do Oriente Médio, da Ásia, da Oceania e dos continentes latino-americano e africano. Uma estratégia que visa impor, em absoluto, a supremacia dos Estados Unidos e, consequentemente determinar uma aberta contraposição com a Rússia e a China, recorrendo à implementação de um bipolarismo de novo tipo e assim realizar em nível mundial a reconstrução geoestratégica das áreas de influência do Império.

 

Algo que difere bastante da metodologia beligerante de George Bush. Digamos que é “um novo tipo de guerra fria ampliada”, onde a Casa Branca, para alcançar seus objetivos estratégicos, recorre principalmente à arma da coação diplomática, à chantagem das transações financeiras, além de explorar os efeitos nefastos da crise econômica. O principal objetivo dessa guerra fria ampliada e de novo tipo é, sem dúvida, a Rússia, de forma que qualquer elemento de crise é explorado pelas excelências do Conselho de Segurança da Casa Branca para enfraquecer o desenvolvimento econômico da Rússia e, assim, desalentar a reconstrução geoestratégica desenhada por Vladimir Putin.

 

Em segundo lugar, a Casa Branca pretende isolar, gradualmente, a China, sem provocar demasiado o Bureau Político do PCC, visto que os principais bancos chineses (Bank of China, China Construction Bank, Banco Industrial e Comercial da China e Banco Agrícola da China) são os principais detentores dos títulos da dívida estadunidense, enquanto as exportações chinesas aos EUA cresceram 3,2%, alcançando a “Top-Surprise” de 368,4 bilhões de dólares. Um recorde contraposto à queda das importações estadunidenses na China, que regrediram 1,8%, a apenas152,6 bilhões de dólares. Uma situação que registra um perigoso desequilíbrio de 215,8 bilhões de dólares no balanço de pagamento entre os dois países. Uma dívida que o FED teria muitas dificuldades em cobrir em caso de grave crise política.

 

A contraposição bipolar

 

Atualmente, a Casa Branca e o Pentágono, sob a vigência do Partido Democrata, pretendem efetivar a contraposição bipolar com a Rússia e a China, sem recorrer a um conflito de âmbito mundial. Nesse contexto, a explosão de crises políticas localizadas amplia a arma das negociações da Casa Branca que, gradualmente, pretende impor a criação de duas “zonas de livre comércio”. Algo que, na realidade, corresponde a um projeto de divisão do mundo.

 

A primeira, Transatlantic Trade and Investment Partership (TTIP), deveria abranger todos os países da União Europeia. Por isso os EUA querem que a UE se estenda na Europa do Leste, promovendo a imediata adesão dos novos estados que se formaram em 1992 após a desintegração da União Soviética.

 

A segunda zona de livre comércio, Trans-Pacific Partnership (TPP), pretende interligar a economia dos EUA a todos os países da chamada “zona do Pacífico”, excluindo e isolando a China e a Coréia do Norte.

 

Argumentos que foram amplamente ovacionados pelos principais órgãos da “grande mídia”, do momento que estão duplamente vinculados ao projeto da Casa Branca, do ponto de vista ideológico e estrutural, pois todas as televisões, os jornais, as rádios, as revistas e as TV-web dependem exclusivamente da publicidade dos grandes grupos empresariais e das linhas de crédito dos bancos. Setores que apostam no desenlace da política geoestratégica da Casa Branca e na afirmação mundial de uma nova hegemonia dos EUA.

 

Por isso, e tendo em conta que as excelências do neoliberalismo, nos últimos dez anos, não conseguiram traçar as linhas para a solução da crise da globalização, a “grande mídia” recebeu a missão de formar e criar o consenso da opinião pública mundial para com a política geoestratégica dos EUA, da União Europeia e de Israel. Um trabalho profundo e muito avançado para produzir e veicular as “grandes mentiras”, e, assim garantir o controle social em um dado momento, para depois voltar a manipular a opinião pública, quando é necessário justificar a explosão da violência em um dado país.

 

Por exemplo, a última fraude midiática do New York Times, Lê Monde, The Times, La Repubblica, El País, Der Spigel, CNN, BBC, Reuter, Al Jazira etc.etc., dizia ".... O presidente da Rússia, Vladimir Putin, tomou a decisão de invadir a Ucrânia e por isso o exército russo deslocou ao longo da fronteira leste da Ucrânia um corpo de armada formado de 100.000 soldados, com o apoio de 25.000 tanques e 200 caças-bombardeiros Sukoi III...”. Notícia que foi veiculada repetidamente, apesar de Sergei Shoygu (Ministro da Defesa da Rússia) ter explicado devidamente em Washington, no dia 20 de março, ao seu homólogo dos EUA, Chuck Hagel, que, na realidade, apenas 20.000 soldados estavam sendo mobilizados para fins de treinamento, realizando manobras há mais de 50 km das fronteiras com a Ucrânia. Logo a seguir, o próprio presidente russo Vladimir Putin garantia ao secretário Geral da ONU, Ban Kimoon, e à primeira-ministra da Alemanha, Ângela Merkel, que a Rússia não tinha nenhuma intenção de invadir a Ucrânia, mas que estava realizando manobras militares marcadas desde setembro de 2013.

 

Mesmo assim, quando o presidente dos EUA realizou em l’Aja, no dia 24 de março, uma reunião extraordinária do G7 (EUA, Grã Bretanha, Alemanha, França, Itália, Japão, Canadá), novamente Obama recorreu a fraude midiática para obter dos líderes do G7 a aprovação de um pacote de sanções contra a Rússia.

 

Crise na Ucrânia: nota 10 pela CIA!

 

No dia 21 de março, o general Philip Breedlove, chefe do contingente estadunidense na OTAN, em ocasião do German Marshall Fund, surpreendeu todo o mundo informando que o exército russo se preparava pra invadir a Ucrânia com 100.000 soldados, previamente deslocados ao longo da fronteira. Assim, para criar apreensão no âmbito da OTAN e sobretudo para provocar o pânico nos governos da Polônia e das pequenas repúblicas bálticas que fazem fronteira com a Rússia (Letônia, Lituânia, Estônia), o general Philip Breedlove declarava também que “...A força do contingente russo presente ao longo da fronteira ucraniana e que corre em paralelo à fronteira da Transnistria é suficientemente inquietante, visto que a Rússia está atuando cada vez mais como um inimigo...”.  Logo o presidente da Moldavia, Nicolae Timofti, entrevistado por todas as TVs e jornais ocidentais, dizia que a Transnistria estava prestes a ser invadida pelos russos e por isso pedia que a OTAN viesse defender as fronteiras da Moldavia!

 

Este cenário beligerante foi montado com muita pressa, para influenciar a decisão dos governos da Ucrânia, da Polônia, da Letônia, da Lituânia, da Estônia e da Moldavia a denunciar a ameaçadora presença das tropas russas e, consequentemente, reclamar a imediata proteção da OTAN e dos EUA.

 

Mas, afinal, quem foi que descobriu que a Rússia estava articulando a invasão da Ucrânia e da Transnistria?  Os representantes da ONU ou os observadores da OCSE? Nem um, nem outro!!!

 

Foi nada menos que Andrii Paroubliy, fundador do partido neonazista da Ucrânia “Svoboda”, que, na qualidade de secretário do Conselho de Segurança Ucraniano, na manhã de dia 20, declarou ao microfone de uma rádio de Kiev que “.... 100.000 soldados russos estão prontos a invadir a Ucrânia...”. Imediatamente, na tarde do mesmo dia, Toni Blinken, vice-conselheiro da Casa Branca para a Seguridade Nacional, em entrevista à CNN sublinhou “...É muito possível que a Rússia esteja preparando suas divisões para invadir a Ucrânia...”.

 

Para incendiar ainda mais o palco desse teatro, “alguém” divulgou no Twitter um telefonema que a líder da direita ucraniana, Iúlia Timoshenko, fez a Nestor Shufrych, antigo vice-secretário do Conselho de Defesa, dizendo-lhe “...os ucranianos devem pegar as armas e matar os malditos russos...- sublinhando depois “... esses oito milhões de russos que estão na Ucrânia deveriam ser mortos com armas nucleares....”.

 

É evidente que, no dia 24 de março, o presidente Barak Obama e o secretário do Departamento de Estado, John Kerry, desembarcaram em L’Aja para desempenhar o papel de beneméritos salvadores da paz mundial e extremos defensores da Ucrânia e dos países europeus que têm fronteiras com a Rússia.

 

A decisão de impor sansões individuais a membros do governo e industriais da Rússia e a advertência para o comando geral da OTAN enviar tropas à Ucrânia, à Polônia e às três repúblicas bálticas foram o fim do roteiro que o diretor da CIA, John Brennan, escreveu para Obama instigar as lideranças dos países da União Europeia contra a Rússia.

 

Um compromisso político que, de fato, reforça a liderança dos EUA, do momento que as artificiais ameaças de guerra permitiram convencer os membros do G7 em aumentar o orçamento da OTAN, adquirindo as novas armas produzidas nos EUA. Por exemplo, a Itália - que vive uma crise econômica descomunal, com 13,3 milhões de desempregados e uma dívida que superou o PIB em 130% -, à causa da crise na Ucrânia, foi obrigada a comprar 90 caça-bombardeiros F-35 por um valor de 12 bilhões de dólares!

 

É preciso lembrar que a crise da Ucrânia foi devidamente explorada por Obama para também propor aos países da União Europeia se livrarem das importações de gás-metano da Rússia, comprando no âmbito da nova “zona de livre comércio atlântica” (Transatlantic Trade and Investment Partership) o gás-liquefeito produzido nos EUA. Porém, Obama, nas inúmeras conferências de imprensa que realizou, não disse que o gás-liquefato dos EUA, além de custar “in natura” quase o dobro que o russo, deverá ser transportado no Atlântico com milhares de navios até os novos terminais da França, Espanha, Países Baixos, Dinamarca e Polônia, para depois ser distribuído nos países europeus através de uma nova rede de gasodutos.

 

A pressão da grande mídia e as manchetes bombásticas sobre o “perigo russo” facilitaram a missão de Obama na Europa. Mesmo assim, a primeira-ministra alemã, Ângela Merkel, argumentou que se devia encontrar uma solução diplomática alternativa para evitar que o G7 decretasse sansões econômicas gerais contra a Rússia. Um hábil artifício diplomático para dizer a Obama que muitos países da União Europeia, entre os quais a Alemanha, não querem trocar as oportunidades baratas do gás russo pelos altos custos do gás estadunidense.

 

Um “golpe democrático” na Ucrânia

 

A partir do dia 15 de novembro de 2013, a capital da Ucrânia, Kiev, foi literalmente invadida por milhares de pessoas com o intento de obrigar o então presidente, Viktor Yanukóvich, a assinar o protocolo de adesão à União Europeia. Uma decisão inicialmente avaliada com interesse, mas depois descartada porque provocaria a consequente ruptura política e econômica com a Rússia, cujos empréstimos - não pagos pelo governo de Kiev - somavam 16 bilhões de dólares. Além disso, o governo russo tinha renovado o acordo que dava à Ucrânia um desconto de 100 dólares por cada mil metros cúbicos de gás fornecido e um novo empréstimo no valor de 15 bilhões de dólares.

 

Nem todos sabem que o Banco Central Europeu havia comunicado ao presidente Viktor Yanukóvich e aos líderes da oposição que, em função da adesão à UE, o BCE podia ajudar a Ucrânia com apenas 660 milhões de euros (aproximadamente 1 bilhão de dólares) retirados do fundo comunitário para a reconstrução. Um valor insignificante para as necessidades financeiras da Ucrânia. Por isso ninguém entendeu o motivo das violentas manifestações contra Yanukóvich e contra a rejeição do novo acordo feito com a Rússia, cujo empréstimo, na realidade, permitiria ao governo pagar todas as pendências financeiras em curso.

 

A explicação disso tudo veio no dia 5 de dezembro, quando Victoria Nuland, vice-secretária de Estado encarregada das relações exteriores dos EUA com a Europa e a Eurásia, declarava que “..... os Estados Unidos haviam investido 5 bilhões de dólares para desenvolver habilidades e instituições democráticas na Ucrânia...”. É interessante saber que Victoria Nuland já foi da CIA, trabalhando de 1993 a 1996 no Soviet Desk; a seguir, desempenhou o papel de representante dos EUA na OTAN, de 2000 a 2003, e depois sentou na Casa Branca, até 2005, com o título de Conselheira do vice-presidente Dick Cheney para a Segurança Nacional. Mesmo assim, e sendo uma “neo-com” do partido republicano, isto é, uma conservadora radical, o “democrata” Barak Obama a nomeou vice-secretária de Estado, encarregada das relações exteriores dos EUA com a Europa e a Eurásia, com a específica tarefa de “assessorar” os acontecimentos na Ucrânia.

 

Assim, com a presença de Victoria Nuland em Kiev e o dinheiro depositado nas contas da fundação EUA-Ucrânia, foi muito fácil comprar a mobilização dos partidos da oposição e pagar os neonazistas dos partidos Svoboda e Setor de Direita, que, chefiados por Oleg Tiagnibok e Dimitri Yarosh, realizaram o “trabalho sujo”, isto é: ocupação e incêndio de prédios públicos, ataques armados e sequestros de lideranças de esquerda etc. etc.. Ataques que aconteceram sempre no momento em que se realizavam manifestações na Praça Maidan e que contavam com a supervisão dos homens do SOG (Grupo de Operações Especiais), que a CIA, através do SAD (Divisão de Atividades Especiais), havia deslocado em Kiev já a partir de novembro de 2013. De fato, não foi por acaso que, no fim de novembro, a polícia ucraniana surpreendeu em Kiev Bojarchuk Oleksands, depois expulso do país por ser um agente provocador da CIA.

 

Nesse contexto, aos 21 de novembro, estavam criadas as condições objetivas para instigar os opositores da Praça Maidan contra a delegação formada pelos ministros da Alemanha, França e Polônia, que haviam conseguido um acordo com o ex-presidente Viktor Yanukóvich, para realizar novas eleições em 25 de maio. Nesta ocasião, foi Victoria Nuland que deu a ordem insurrecional com a famosa frase “Fuck Off UE” (“..Que se foda a União Europeia...”). De fato, por um milagre que somente a tecnologia da CNN conseguiu realizar, todas as rádio e as TVs de Kiev receberam a gravação com o palavrão da diplomática estadunidense, que na realidade foi o sinal que os grupos paramilitares concentrados na Praça Maiden esperavam para ampliar o clima de violência, até provocar a fuga do presidente Viktor Yanukóvich e dos outros membros do governo.

 

Realizado o golpe de Estado, logo apareceu um governo interino pró-estadunidense. Por isso, Victoria Nuland oficializou a relação entre os EUA e os paramilitares, organizando um “encontro reservado” entre o líder do partido neonazista “Svoboda”, Oleg Tiagnibok, e o embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey Pyatt. A seguir, Victoria Nuland pediu a Oleg Tiagnibok para não fazer mais manifestações neonazistas em público e, sobretudo, evitar os fotógrafos e as televisões. Um sacrifício que foi prontamente compensado pelo presidente interino, Alexander Turchinov, que entregava a direção do Conselho de Segurança Ucraniano a Andrii Paroubliy (fundador do partido neonazista “Svoboda), com a específica tarefa de mobilizar 60.000 voluntários. De fato, após o golpe, mais da metade dos soldados e dos oficiais haviam desertado. Um fenômeno que foi mais evidente na Crimeia, onde 6 navios de guerra, 25 navios auxiliares e os soldados e oficiais de 72 unidades da Marinha e do Exército ucraniano se juntaram as tropas do exército russo.

 

O futuro dos gasodutos decidido pelo FMI e a OTAN?

 

A desordem gerada pelo golpe de Estado, a deserção em massa de soldados e de oficiais e a facilidade com a qual o exército russo tomou conta das 150 unidades do exército ucraniano na Crimeia estimularam o presidente interino, Alexander Turchinov, a entregar a Ucrânia nas mãos do FMI e da OTAN.

 

Uma ocasião milagrosa para os funcionários do FMI que chegaram a Kiev com um plano de reformas que previa a privatização dos serviços públicos, a revisão das leis trabalhistas, o aumento em 80% do preço do gás e o fechamento de muitas empresas estatais consideradas obsoletas. Por isso, a sonhada adesão à União Europeia, pela qual milhares de jovens haviam manifestado para derrubar o presidente Viktor Yanukóvich, na prática, será realizada somente em 2018, quando a Ucrânia terá cumprido com o programa de austeridade da União Europeia e realizado o plano de reformas imposto pelo FMI.

 

No plano militar a situação é ainda mais complexa, do momento que o governo interino pediu a intervenção da OTAN para salvaguardar suas fronteiras. Porém, depende dos empréstimos do FMI para sustentar a permanência das unidades da OTAN na Ucrânia e adquirir armamentos nos EUA para reconstruir seu exército com base na metodologia da OTAN.

 

Mas o principal problema é o futuro dos três gasodutos russos que atravessam a Ucrânia transportando o gás para os países da União Europeia. De fato, o governo interino ucraniano, após o referendum que determinou a separação da Crimeia e sua anexação á Rússia, aumentou em 10% a taxa de trânsito para os gasodutos como represália. Ao mesmo tempo, a Casa Branca está pressionando as lideranças da União Europeia para obter a certeza de que o Parlamento Europeu não assinará a carta de intenções com a Rússia para a construção do mega-gasoduto “South Stream”.

 

Um projeto no valor de dez bilhões de euros, que prevê transportar por baixo do mar Negro o gás da Sibéria até a Europa, sem passar pela Ucrânia, e para o qual já foram contratadas grandes empresas europeias, tais como a italiana Saipem (ligada ao grupo estatal ENI), a francesa EDF (onde o Estado é ainda proprietário de 70% do total) e a alemã Wintershall (empresa do conglomerado alemão BASF).

 

É muito prever se o governo da Alemanha, bem como o da França e da Itália, aceitarão renunciar ao gás russo, que é muito barato. Por outro lado, para agradar a Casa Branca e impedir a construção do mega-gasoduto South Stream, o Parlamento da União Europeia deve primeiro impor sanções econômicas gerais contra a Rússia e depois obrigar as empresas europeias a romper os contratos assinados com a empresa russa Gazprom – a qual,  por sua parte, já adiantou 2 bilhões de euros para as atividades e os estudos de em curso. Dinheiro que, logicamente, deverá ser devolvido!!!

 

Diante desse cenário, é muito possível que a Casa Branca seja obrigada a aceitar o resultado do referendum da população da Crimeia e a solução federativa para a Ucrânia que Putin apresentou aos emissários das OCSE, com vista a solucionar o contencioso político e étnico naquele país.

 

De fato, no dia 29 de março, Obama enviava uma mensagem a Putin dizendo “... Os Estados Unidos não estão interessados em assediar a Rússia. O presidente russo Vladimir Putin certamente interpretou mal nossa política exterior. Refutamos a ideia segundo a qual haja uma esfera de influência que possa justificar a Rússia invadir outros países. Agora precisamos fazer voltar a calma ao longo das fronteiras, pois a presença de tropas russas pode ser interpretada como uma tentativa de amedrontar a Ucrânia ou ser um plano alternativo...”.

 

Logo a seguir, no domingo (30/03), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Seguei Lavrov, se reuniu em Paris com o secretário do Departamento de Estado dos EUA, John Kerry, para iniciar um “outro tipo de conversações”  - do momento que Obama não quer mostrar ao mundo inteiro que cedeu a Vladimir Putin e vice-versa.

 

O degelo das duas posições certamente vai acontecer somente após as eleições de 25 de maio, quando será possível quantificar o peso político dos partidos que representam as populações pró-Rússia da Ucrânia oriental e, assim, estudar uma solução federativa para manter unidas as regiões da Ucrânia.

 

Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália, editor do programa TV “Quadrante Informativo” e colunista do "Correio da Cidadania"

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Última atualização em Segunda, 12 de Maio de 2014
 

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