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Estados Unidos e Cuba: a pressão sobre o Brasil no começo dos anos 60 Imprimir E-mail
Escrito por Virgílio Arraes   
Sexta, 28 de Março de 2014
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O maior ponto de desgaste entre Brasil e Estados Unidos na gestão de Jânio Quadros foi o regime político de Cuba. Na passagem de 1958 para 1959, um pequeno grupo – Movimento 26 de Julho – marchou até Havana e derrubou da presidência Fulgencio Batista, coronel que estava no poder desde março de 1952, graças a um golpe de Estado liderado por ele mesmo.

 

Da mesma forma que em 1952, os Estados Unidos de maneira pragmática reconheceram o novo governo, até por não considerá-lo de esquerda. Em abril de 1959, Fidel Castro, primeiro-ministro do país, foi à Casa Branca, onde se avistou com Richard Nixon, vice-presidente de Dwight Eisenhower. Na audiência, o tema principal foi o desenvolvimento econômico de Cuba.

 

Semanas depois, a receptividade de Washington se alterou de modo drástico, ao comunicar a Havana a insatisfação dos investidores norte-americanos em território cubano.

 

Em outubro do mesmo ano, a hostilidade se materializou no apoio deliberado à oposição tanto interna como externa, não só político, mas militar, após a convergência de posição entre o Departamento de Estado e a Agência Central de Espionagem (CIA). Destarte, a Casa Branca autorizaria os exilados cubanos a preparar a invasão da ilha a partir dos próprios Estados Unidos.

 

A nova postura norte-americana conectava-se com a avaliação de que o governo cubano pretendia implementar uma reforma agrária em larga escala, com a nacionalização de todas as terras cultiváveis, muitas das quais pertencentes a corporações estrangeiras. Nesse sentido, caberia a Washington proteger interesses de seus cidadãos e empresas.

 

No final de 1959, os Estados Unidos avaliaram que a conversão de Cuba ao comunismo era irreversível, com possíveis reflexos em toda a América Latina. Assim, o governo estadunidense estruturou em janeiro de 1960 uma força-tarefa, voltada para a execução de ações de sabotagem no setor açucareiro cubano.

 

No mês seguinte, a Casa Branca identificou a presença de soviéticos em solo cubano. Diante disso, o governo norte-americano autorizaria o treinamento de exilados em território estadunidense e panamenho. Semanas mais tarde, o adestramento militar seria complementado na Guatemala.

 

Ao mesmo tempo, Washington aprovou o estabelecimento de uma estação de rádio clandestina de ondas médias, localizada nas ilhas do Cisne, destinada a criticar Havana, e autorizou a intensificação da espionagem. Além do mais, emissoras da Flórida e de Massachusetts concediam tempo a exilados cubanos favoráveis à implementação da democracia liberal em seu país.

 

Como contraponto à pressão estadunidense, Cuba aprovou projeto de lei destinado a estatizar investimentos estrangeiros relativos à eletricidade, telefonia e usinas de açúcar.

 

Diante da medida, a Casa Branca aprovou a execução de operações secretas, o que incluía armar a oposição. Com o aumento da tensão política, no final de 1960, o governo cubano avançaria o processo de estatização, com a expropriação de fábricas de bebidas, têxteis, açúcar, bancos e fazendas.

 

Nos Estados Unidos, a eleição presidencial fez com que os democratas acusassem os republicanos de tibieza diante das medidas de Havana. A resposta dos republicanos, à frente da Casa Branca, seria a de convocar o embaixador junto a Cuba sem anunciar substituto e a de suspender a importação de açúcar de lá.

 

No alvorecer de 1961, Cuba determinou a redução do número de servidores da representação estadunidense no país, o que levaria os Estados Unidos a cogitarem o rompimento de relações diplomáticas, e estabeleceu pena de morte a condenados por sabotagem, incêndios e assassínios.

 

Indo além, a Casa Branca mobilizou-se para isolar Cuba na Organização dos Estados Americanos (OEA). Internamente, não havia concordância entre Departamento de Estado, CIA e Departamento de Defesa sobre a melhor forma de retaliar o adversário caribenho.

 

Os dois primeiros defendiam a invasão da ilha por exilados a partir da Guatemala ao passo que o terceiro não, por causa do desgaste político dos Estados Unidos perante a comunidade ocidental e por não acreditar que houvesse apoio popular suficiente em Cuba para a mudança de regime.

 

Em março, Washington decidiu subscrever a derrubada do governo através do Plano Zapata, a ser executado a partir da baía dos Porcos. Ao final daquele mesmo mês, J. William Fulbright, presidente da comissão de Relações Exteriores do Senado, encontrar-se-ia com o presidente John Kennedy – (http://history.state.gov/historicaldocuments/frus1961-63v10/d231)

 

Contrário à invasão, Fulbright levantaria a hipótese do alto custo político a ser pago pelos Estados Unidos caso a intervenção militar falhasse.

 

Em abril, a Casa Branca decidiu não enviar suas próprias tropas mesmo se a guerrilha dos exilados tivesse problemas. A ação bélica ocorreria em poucos dias depois e falharia após 48 horas de combate, vez que não houve o esperado apoio popular.

 

Durante o desenrolar da tentativa de ocupação da ilha, a União Soviética protestou junto à Organização das Nações Unidas (ONU) contra a ação e ameaçou prestar assistência direta a Cuba.  Como contraponto, os Estados Unidos negariam sua participação naquele incidente e afirmariam que teriam de reagir caso houvesse a presença de contingentes extra-americanos na região.

 

O desgaste político de Washington já estava em curso, de forma que ele não iria mais considerar a possibilidade de intervir de modo favorável à insurgência anticomunista – por isso, a negação do apoio aéreo. Com o malogro do desembarque dos exilados, Havana ofertaria os prisioneiros à Casa Branca em troca de maquinário agrícola, o que não iria prosperar porque ela oficialmente negaria participação no ataque à ilha.

 

Em vista de um cenário tão desanimador e inesperado no tocante ao destino de Cuba, os Estados Unidos aguardaram em vão manifestações de solidariedade do Brasil a eles. Em junho, o representante norte-americano no país, John Moors Cabot, concederia no Rio de Janeiro uma controvertida entrevista coletiva sobre a política externa brasileira.

 

Em sua visão, o Brasil vinculava-se às diretrizes principais do eixo ocidental – democracia liberal – liderado pelos Estados Unidos, de maneira que a aproximação entre os dois era natural. Todavia, ele lamentava a postura de indiferença do governo local com relação à radical posição política da ilha, a qual destoava do restante do continente.

 

Na análise de Cabot, nenhuma tentativa de mediação com êxito entre Washington e Havana ocorreria, em função da típica intransigência dos comunistas, concentrados em um único objetivo: a conquista do mundo. Assim, seria imperativa a união de todos os países da região com o objetivo de se proteger do perigo.

 

A repercussão da polêmica entrevista foi imediata. O governo brasileiro solicitou diretamente à embaixada norte-americana o teor integral das declarações.

 

Após recebê-las, o ministro das relações exteriores, Afonso Arinos de Melo Franco, comentaria que o Brasil não se envolveria com a disputa entre Cuba e Estados Unidos nem diretamente, através da mediação, isto é, de participação diplomática ativa naquele conflito, nem indiretamente, através dos bons ofícios, ao poder contatar a Santa Sé para moderar aquela contenda. Ele ressaltaria ainda que o melhor caminho para os dois países seria a busca da conciliação.

 

O próprio presidente Jânio Quadros se manifestaria sobre a entrevista de Cabot. Seu tom foi mais incisivo e menos cordial que o de Melo Franco. Afirmaria que o Brasil não aceitaria tratamento condescendente dos Estados Unidos, conforme ele mesmo havia enfatizado a Adolf Berle Jr, emissário especial da Casa Branca, meses antes.

 

Em agosto de 1961, a poucos dias da própria renúncia, o presidente Quadros, em medida blasfematória aos olhos dos Estados Unidos, galardoou Ernesto ‘Che’ Guevara com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, uma das mais importantes condecorações nacionais.

 

O dirigente era ministro da indústria e comércio de Cuba e encontrava-se de passagem por Brasília após a Conferência de Punta del Este, no Uruguai, sobre desenvolvimento socioeconômico do continente, a ser parcialmente materializado na Aliança para o Progresso.

 

Duas semanas antes, o primeiro cosmonauta soviético, major Yuri Gagarin, havia sido condecorado com o mesmo grau, a despeito da ausência de relações diplomáticas entre Brasil e União Soviética, somente reatadas em novembro daquele ano.

 

Quadros discordava ainda de Kennedy sobre a expulsão de Cuba da Organização dos Estados Americanos, o que aconteceria no início de 1962.

 

Todavia, o esforço de posicionar o Brasil de maneira mais desenvolta no cenário regional se esboroaria em abril de 1964, com um golpe militar de Estado. Com isso, Brasília voltaria a orbitar em torno de Washington.

 

 

Leia também:

Estados Unidos e Brasil nos anos 60 – a Missão Berle

O golpe contrarrevolucionário de 1964: ontem como hoje

 

Virgílio Arraes é doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

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Última atualização em Terça, 01 de Abril de 2014
 

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