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Quanto apoio tinha a Unidade Popular? Imprimir E-mail
Escrito por Jorge Magasich   
Qui, 13 de Março de 2014
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Pode-se fazer revolução com 36%? Esta pergunta, feita com frequência aos dirigentes da Unidade Popular (UP), traz uma censura: foi imprudente empreender mudanças sociais de tal importância com um apoio apenas superior a um terço. No entanto, a fiscalização sobre os resultados dos comícios em que a esquerda obteve seu resultado mais baixo no período impede apreciar o conjunto. As análises de todos os resultados eleitorais indicam que o governo de Salvador Allende foi um dos mais apoiados durante quatro décadas de história relativamente democrática (1932-1973).

 

Entre 1932 e 1964, quatro presidentes foram eleitos com maioria absoluta: Alessandri Palma, 55,3%; Aguirre Cerda, 50,3%, Rios e Frei, 56% cada um. Três chegaram em primeiro com maioria relativa: González Videla, 40,2%; Ibáñez, 46,7%; e Alessandri Rodriguez, 31,5%. Nestes casos, o parlamento, encarregado de escolher entre os primeiros, optou pelo mais votado.

 

Tal tradição torna possíveis presidências complicadas com pouco apoio, como foi o caso de Alessandri. Para evitá-las, dois senadores da brilhante MAPU (Movimento de Ação Popular Unitária), Rafael Agustín Gumucio e Alberto Jerez, propõem, em 1969, uma reforma constitucional que introduz o segundo turno. Mas a direita, então segura da vitória de seu candidato Alessandri, a rejeita e reafirma a tradição de eleger o primeiro.

 

Pode-se atribuir a eleição de Allende a este “erro” da direita? Em setembro de 1970, este obteve 36,61% dos votos válidos, Alessandri, 35,27% e Tomic, 28,11% (1). À primeira vista, o rendimento de Allende, inferior a 38,93%, obtido na eleição anterior, parece modesto. Mas a realidade eleitoral não traduziu ainda os movimentos de fundo na base social, que tornam impossível a reedição do bloco Democracia Cristã (DC)-Direita, organizado com urgência em 1964.

 

Neste ano, de fato, quando o candidato Allende aparecia como possível ganhador, a direita se reagrupou atrás de Frei Montalva. Retira primeiro o nacionalista Jorge Prat, que chama o voto em Frei, e logo dissolve a coligação radical-liberal-conservadora; e estes últimos transferem seu apoio ao democrata. A estratégia funcionou: Frei foi eleito com 56%.

 

Em 1970, voltam a tentar. O candidato da direita, Jorge Alessandri, oferece retirar-se se a DC apresentasse um candidato aceitável por eles, como Edmundo Pérez Zújovic. É também o que deseja Frei, que desaprova a candidatura Radomiro Tomic. Mas as realidades são diferentes.

 

No final dos anos 1960, boa parte dos democratas se aproximou da esquerda. As correntes “rebeldes” e “terceiristas” que solicitam a “via não capitalista do desenvolvimento” e a “unidade política e social do povo”, isto é, a unidade DC-Esquerda, chegam a ser majoritárias na Junta Nacional. Em 1969, estas tendências e outras, encabeçadas por Renán Fuentealba e Tomic, se pronunciam por uma candidatura única com a esquerda, sempre que o embandeirado seja Tomic. Mas a junta rejeita este projeto – que tampouco é aceito pela esquerda, reticente a subordinar-se a um candidato da DC -, e opta por um candidato próprio. Isso provoca a renúncia dos “rebeldes”, incluindo dois senadores e dois deputados, que formam o MAPU (2).

 

Tomic, como candidato DC, defende “substituir as estruturas capitalistas por uma economia, uma empresa e uma sociedade comunitária” (3), que inclui a nacionalização do cobre e de outros setores da economia, medidas bastante próximas das postuladas pela UP.

 

Nestas condições, se Frei houvesse imposto uma candidatura apoiada pela direita, a DC teria se dividido em duas metades, como demonstra o resultado das eleições municipais de 1971. Além disso, o eventual candidato DC-direita não era favorito, já que boa parte de eleitorado democrático havia votado pela esquerda. Assim estima Bernardo Leighton, fundador da DC, a quem Alessandri havia feito saber que se retiraria se aceitasse ser candidato. Leighton não aceita e comenta: “Comigo de candidato da DC e Partido Nacional (PN), talvez Allende tivesse vencido” (4).

 

Na realidade, em 1970 os 36% que optam por iniciar a construção do socialismo e os 28% que o fazem por uma sociedade comunitária têm bastante proximidade.

 

Maioria absoluta

 

Esta maioria latente se transforma em realidade nas eleições municipais de abril de 1971. A esquerda (5) obteve 50,24%, a oposição 48,85%, independentes 0,86% (6). Talvez pela primeira vez na história na América, uma coligação que propõe o socialismo alcança a maioria absoluta.

 

Há um forte movimento do eleitorado para a esquerda. A direita (7) chega a apenas 22,78%, isto é, 12,49 pontos a menos que Alessandri, votos que devem ter se voltado à DC. Esta, com 26,07%, só perde 2,04%. E 13,8% dos votos da DC migraram à esquerda. Assim, em seis meses, os 36,61% obtidos por Allende se transformam em 50,29%. A conclusão é evidente: 12,5% da direita opta majoritariamente pela DC, e quase 14% dos votos da DC, a metade do obtido por Tomic, vai para a esquerda. Isso direitiza as bases democrata-cristãs e confirma a análise de Bernardo Leighton: em uma eleição a dois em 1970, Allende poderia ganhar.

 

A diminuição

 

Quanto tempo conserva a UP sua maioria absoluta? Três eleições parlamentares parciais proporcionam indícios reveladores. Em julho de 1971, em Valparaíso, a DC e a direita se apresentam pela primeira vez unidas e ganham as eleições, em uma província onde são majoritárias. Isto provoca a renúncia à DC do setor “terceirista”, incluindo oito deputados que formam a Esquerda Cristã (IC) e aderem à UP.

 

Mas a UP mantém sua alta votação. A situação muda meses mais tarde, nas eleições complementares de janeiro e julho de 1972: a UP diminuiu 4,9% em Linares; 3,8% em O´Higgins e Colchagua e 8,5% em Coquimbo.

 

Estes resultados indicam que até o final de 1971 cerca de 5% do eleitorado que a UP tinha ganhado da DC retorna a esta última, provavelmente quando começa a primeira escassez, tendência que se manteve em 1972.

 

A consolidação

 

Nas eleições parlamentares de março de 1973, a DC e a direita, associadas à “Confederação Democrática” (“um nome óbvio”, comenta ironicamente Mattelart) (8), obtiveram 55,49%; a esquerda, 44,51%. Esta perde 6 pontos em relação aos 50,29% obtidos em abril de 1971, mas mantém um apoio que superou em 8 pontos os 36,61% recebidos em setembro de 1970.

 

Os resultados eleitorais daquele intenso triênio sugerem dois grandes movimentos do eleitorado. O primeiro dá pistas para compreender por que a DC pode mudar de posições quase de esquerda em 1970 a outras francamente golpistas em 1973. Por uma parte, esta perde algo de sua base de esquerda quando rompe com os “rebeldes”, que formam o MAPU e os “terceiristas”, que constituem a IC. Y; por outra, a DC recebe mais de um terço dos votos de Alessandri. Abandonada por seu eleitorado de esquerda e reforçada por outro de direita, a DC pode situar-se muito mais que à direita.

 

O segundo movimento é a migração da metade dos votos de Tomic para a esquerda, indicação de que o apoio ao projeto socialista era bem maior que os 36%. Estes 13,8% do eleitorado que se incorporam à esquerda permitem alcançar a maioria absoluta durante os primeiros 10 meses de 1971. Depois das dificuldades econômicas, provocam uma erosão de 6 pontos, mas, apesar delas, mais de um quarto do eleitorado de Tomic em 1970 – 8% do eleitorado total – aderem duravelmente à esquerda, que se consolida com 44% (9).

 

Só uma pequena parte destes novos esquerdistas se identifica com as correntes originadas na DC: O MAPU e a IC. A maioria deles dá seu apoio a grandes partidos: o PC e especialmente o PS.

 

Tal apoio, no contexto das penúrias e tensões, é particularmente significativo. Mais que uma retribuição a melhoras materiais, esse voto traduz a adesão a um projeto de sociedade.

 

 

Notas:

 

1. Registro eleitoral. As porcentagens são calculadas sobre o total de votos “válidos obtidos”, termo que designa, no Chile, os que marcam uma preferência, excluindo brancos e nulos.

2. Gumucio Rafael Agustín, 1994, Notas de meio século, Cesoc.

3. Labarca Eduardo, 1971, Chile vermelho, Ed. U. T. del Estado, 152.

4. Boye Otto, 1999, Hermano Bernardo, Cesoc, pág. 156.

5. Os votos do partido da UP (49,44%) mais os da União Socialista Popular (1,06%), uma pequena divisão do PS que apoiou o governo da UP.

6. Registro eleitoral. A historiografia conservadora muitas vezes renega os resultados desta eleição para negar a maioria absoluta alcançada pela esquerda. Gonzalo Rojas, citando a Bernardino Bravo Lira, afirma que “nem Allende nem os partidos de sua coligação conseguiram jamais ter o controle da maioria da população”, já que a UP “superou apenas os 49%” (Bicentenario, 2003, Vol2, N°2, 86). Para forçar tal cifra, conta os 1,31% de brancos e nulos como um bloco eleitoral, e os cataloga fora do “controle” da UP, o que é incoerente. Os percentuais de cada bloco se calculam em função dos votos válidos.

7. Direita: PN 18,36%; DR 3,93%; Padena 0,48%.

8. Documentário “La Espiral”.

9. Registro eleitoral, Escrutínio general definitivo praticado pelo Tribunal Qualificador. A esquerda em 1971 e 73 é a soma dos votos da UP com os da Usopo (44,23% e 0,28% em 1973).

 

Leia também:

 

O governo de Salvador Allende: um legado inspirador?

A greve de outubro de 1972: a primeira ofensiva para derrubar o governo da Unidade Popular

 

 

Jorge Masasich é historiador chileno e leciona em Bruxelas. Série de artigos originalmente publicada pelo Le Monde Diplomatique francês e espanhol.

Tradução: Daniela Mouro, Correio da Cidadania.

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